Por Luciana Thomé*

(Crédito: Divulgação)

O acesso à informação é cada vez mais fácil e universal. No entanto, mesmo com os diversos meios à disposição, a padronização dos veículos de comunicação ou a limitação de espaço pode dificultar (ou barrar) essa disseminação.

Além disso, a ebulição do mercado editorial, especialmente no Rio Grande do Sul, torna impossível estar atualizado com todos os lançamentos. Em tempos de web 2.0 / 3.0 e da interação total, a internet pode prestar um serviço neste sentido: melhor do que esperar a publicação dos lançamentos de livros no jornal ou saber o que o crítico literário aprecia, é poder conhecer novos livros que o vizinho está indicando.

Pensando nisso, um grupo de pessoas ligadas à literatura em Porto Alegre, resolveu convidar juízes para apitar uma competição inusitada: o Campeonato Gaúcho de Literatura, vulgo Gauchão de Literatura.

A arena construída não exigiu esforços arquitetônicos. Mas é dotada de todo o charme que um site pode oferecer. Desde o dia 10 de junho, sempre às segundas e quintas-feiras, às 10h, nossos juízes dão o apito inicial de embates entre dois livros selecionados. As regras são similares às do futebol. Mas as semelhanças param por aí: no Gauchão, cada juiz tem a liberdade de falar o que pensa sobre os livros, de justificar como bem entender os gols, impedimentos ou – até mesmo – expulsões. E, sim, aqui também vale xingar a mãe do juiz. A caixa de comentários está aberta para a participação de todos.

O objetivo essencial do campeonato é dar um espaço de divulgação para autores e livros pouco conhecidos. Ou, por outro lado, permitir uma leitura mais crítica e uma avaliação focada até mesmo para livros que já tiveram espaço na mídia. A partir de uma pesquisa direcionada, chegamos à lista de 27 concorrentes. O próximo passo foi o contato com autores e editores, para solicitar autorização e envio de exemplares. E o retorno foi muito positivo desde o início.

Um total de 27 pessoas, com os mais variados perfis, foram convidadas para apitar uma partida e, a partir da análise de dois livros, estabelecer um placar. Os juízes são escritores, jornalistas, editores, profissionais de letras e de atividades relacionadas ao livro ou com uma boa bagagem de leituras. Cada um dos juízes apontou seus impedimentos (impossibilidade de julgar por motivo profissional, de amizade ou de inimizade).

O Gauchão de Literatura é inspirado na Copa de Literatura (criação de Lucas Murtinho no Rio de Janeiro, que por sua vez é inspirado no Tournament of Books). Para 2010, contemplamos livros de contos publicados em 2008 e 2009. Nossa intenção, com a continuidade do projeto, é mudar o gênero a cada ano. Para 2011, o Gauchão de Literatura vai contemplar os romances.

Já nas primeiras semanas do Gauchão de Literatura, tivemos retornos favoráveis e nos surpreendemos com a participação dos internautas. Claro: nem todos estão prontos ou aptos a receberem críticas. Mas a média de 4 quatro mil acessos semanais aponta que nossa missão de divulgar a literatura gaúcha está sendo concretizada. E queremos manter o fôlego até o final: a previsão é de que os jogos ocorram até dezembro de 2010, quando anunciaremos o vencedor da primeira edição.

A comissão organizadora do Gauchão de Literatura é composta por Ana Mello, Carlos André Moreira, Daniel Weller, Fernando Ramos, Luciana Thomé, Marcelo Spalding e Rodrigo Rosp.

Para conhecer os 27 livros concorrentes, visite www.gauchaodeliteratura.com.br. E não deixe de comentar (concordando, discordando, apontando, melhorando) na caixa de comentários. A segunda fase do Gauchão inicia no dia 16 de setembro.

*Luciana Thomé é jornalista e escritora. É também uma das editoras da Não Editora e sócia da agência de comunicação e assessoramento literário Estúdio de Conteúdo. De 2003 a 2007, foi coordenadora da Assessoria de Comunicação da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ).

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