Texto: Paulo Finatto Jr. (paulofinattojr@hotmail.com)

Fotos: Denis Azevedo (denisma@gmail.com)

Em sua mais recente passagem pelo Brasil, o The Black Eyed Peas deu contornos incomparáveis à The E.N.D. World Tour

O show, que levou cerca de doze mil pessoas ao Estacionamento da FIERGS, trouxe para a capital gaúcha imensos telões e uma dose expressiva de efeitos especiais. No palco, quatro cantores dispostos a proporcionar uma noite nunca vista antes na cidade.

Embora não tenha a mesma expressão e fãs fervorosos de gigantes do rock como Aerosmith e Guns n’ Roses, os americanos do The Black Eyed Peas montaram na FIERGS uma estrutura grandiosa – ou até maior que o palco dos rockeiros. O público, que tomava a área destinada ao show desde as primeiras horas da tarde, teve o privilégio de acompanhar um dos maiores espetáculos que já passaram pela capital gaúcha – que foi muito além de apenas duas horas ininterruptas de música.

Com certa rigidez ao horário estabelecido para o início da apresentação, às 21h08 o quarteto que atende pelos pseudônimos Will.i.am, Apl.de.ap, Fergie e Taboo surgiu sobre o palco. Na abertura do show, uma das composições que projetaram o The Black Eyed Peas em uma carreira verdadeiramente internacional – “Let’s Get It Stared” – que levantou o público do chão. Na sequência, a eletrônica “Rock the Body” – a primeira retirada do recente disco “The E.N.D.” (2009) – levou ao Estacionamento da FIERGS robôs coreógrafos e raios lasers que cortaram o céu em diferentes cores.

Em atividade desde 1995, o The Black Eyed Peas surgiu em Los Angeles (EUA) como uma banda de hip hop/dance. Com os dois primeiros discos – “Behind the Front” (1998) e “Bridging the Grap” (2000), o grupo composto por William James Adams Jr. (Will.i.am), Jaime Luis Gómez (Taboo), Stacy Ann Ferguson (Fergie) e o filipino Allan Pineda Lindo (Apl.de.ap) passou desapercebido pela mídia e pelo público. Entretanto, o direcionamento mais pop de “Elephunk” (2003) brindou o quarto com bastante prestígio e diversas músicas de impacto comercial. No mesmo ano a banda realizou a sua primeira e modesta turnê – que, inclusive, passou por Porto Alegre.

 Depois das recentes “Meet Me Halfway” e “Alive”, o quarteto americano emendou “Don’t Phunk with My Heart” e “Imma Be”. Em consonância com a música executada, os imensos telões criam o ambiente para o show. O espetáculo prosseguiu com “My Humps” – um dos maiores sucessos da banda – e “Hey Mama” antes de trazer o Rio de Janeiro como cenário para “Mas Que Nada”. No palco, as dançarinas do The Black Eyed Peas sambavam enquanto que Will.i.am cantava e tocava piano.

Embora “Rockin to the Beat” não tenha animado os presentes da mesma forma que as músicas anteriores, o The Black Eyed Peas trouxe um convidado especial para o palco na sequência do show. Em um vídeo previamente (e obviamente) gravado, o cantor colombiano Juanes participou junto com a banda em “La Paga” – canção de sua autoria. No entanto, somente com Fergie em cena é que a apresentação tomou um rumo verdadeiramente interessante para uma boa parte da plateia. Depois da dobradinha “Fergalicious” e “Glamorous”, a cantora emocionou os gaúchos com o maior sucesso do seu álbum solo “The Dutchness” (2006) – “Big Girls Don’t Cry”.

Em meio à sequência musical, uma série de improvisos e de pequenas vinhetas contribuíram para a grandiosidade do espetáculo. No início do show, Will.i.am – sozinho no palco – mostrou a sua habilidade como cantor de rap. Do mesmo modo, Taboo montou a sua pequena apresentação solo a partir de um cenário genuinamente retirado do universo dos videogames. Em outro momento, um Will.i.am robotizado retornou ao palco montado na FIERGS após uma viagem espacial montada com os imensos telões e raios lasers.

Desde “Elephunk” (2003), o quarteto americano vendeu mais de 29 milhões de discos e soma a marca de 41 milhões de singles comercializados. Com o álbum “Monkey Business” (2005), o The Black Eyed Peas consagrou a sua trajetória com uma série de composições que se tornaram clássicos imediatos e até hoje repercutem nas rádios do mundo inteiro. Na reta final do show, os hits obviamente não foram esquecidos: “Pump It”, “Don’t Lie” e “Shut Up” – que foram executados em uma sequência matadora para aqueles que acompanham a banda desde a sua primeira aparição na MTV brasileira com “Where’s the Love” – música que encerrou a primeira parte do espetáculo.

Não há dúvidas de que o The Black Eyed Peas vive atualmente o melhor momento da sua carreira. A banda estabeleceu no ano passado o período mais longo no primeiro lugar da parada da Billboard – com duas músicas diferentes. Depois de treze semanas no topo, o hit “Boom Boom Pow” só perdeu a coroa para “I Gotta Feeling” – que assumiu a posição e manteve o nome da banda em evidência. A dobradinha do álbum “The E.N.D (The Energy Never Dies)” (2009) bateu o recorde do rapper Usher – que em 2004 emendou “Yeah!” e “Burn” durante dezenove semanas consecutivas – contra mais de vinte do The Black Eyed Peas.

Certamente, o Estacionamento da FIERGS veio abaixo com “Boom Boom Pow” e “I Gotta Feeling” – as músicas que mais animaram a plateia e comprovaram o sucesso estrondoso de “The E.N.D.”, inclusive no Brasil. Com cinco discos e seis prêmios Grammy na estante, o The Black Eyed Peas é mais do que uma das bandas de maior sucesso da cena pop atual. O quarteto americano é responsável por um dos maiores e mais tecnológicos shows que viaja o mundo inteiro no momento.

A parafernália medida em toneladas – que possibilita a montagem de cinco estruturas idênticas à que veio ao Estacionamento da FIERGS – passou por nove capitais brasileiras entre outubro e novembro desse ano. Os shows de Fortaleza (15), Recife (17), Salvador (19), Brasília (22), Rio de Janeiro (24), Belo Horizonte (26), Porto Alegre (30), Florianópolis (1º) e São Paulo (4) movimentaram uma massa incalculável de fãs – que aguardam pelo próximo disco do The Black Eyed Peas. “The Beginning” deve chegar às lojas antes do natal.

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