Foto: Fernando Halal (http://www.flickr.com/photos/fernandohalal)

Uma banda ainda pouco conhecida, lançando um álbum com apenas seis músicas em uma noite de quinta-feira. Risco de tocar para quase ninguém, certo? Mas se a banda for competente não há obstáculos que a impeçam de fazer um grande show, independentemente das circunstâncias. E, mais do que sorte, foi a competência dos Dingo Bells que fez com que eles superassem todas as possíveis adversidades e conseguissem lotar o Beco no dia 16 de dezembro.

Banda gaúcha lançou seu primeiro disco no dia 16 de dezembro, em show no Beco

A disponibilização gratuita do EP de estreia na internet provavelmente impulsionou a presença de muitos dos que conferiram a apresentação. E não é para menos: quem ouviu as músicas percebeu que se trata de uma banda criativa, que faz um rock ao mesmo tempo clássico e moderno, com arranjos interessantes e letras um tanto psicodélicas. Em suma, um bom motivo para deixar a preguiça de lado e sair de casa numa quinta-feira à noite.

No palco, o talento de Diogo Brochmann (voz/guitarra), Rodrigo Fischmann (voz/bateria) e Felipe Kautz (voz/baixo) – ou Sebo, Roger e Pirula –, é amplificado através de uma performance cativante. Os músicos se revezam nos instrumentos e na vocalização principal, o que torna o show uma sucessão de agradáveis surpresas. A apresentação começa com “Os Jornais”, primeira faixa do disquinho. Apesar de o dito cujo mal ter saído do forno, a canção parece ter caído no gosto do público, já que muitos sabiam a letra.

Outras músicas não tiveram tanta receptividade pelo fato de não fazerem parte do álbum e, portanto, serem desconhecidas da maioria. Depois de “Bala Juju”, “Bragueta”, misturada a “Devil’s Haircut”, de Beck, e “Costura de Botão”, veio “Frutos do Mar”, com sua letra genialmente no sense e belos arranjos de sopros. Se o mau gosto não imperasse nos falantes dos automóveis no nosso litoral, ela poderia muito bem se tornar um hit de verão.

Entre outras faixas conhecidas –  e outras nem tanto – , um oportuno cover de “Moonage Daydream”, de David Bowie, e a música de trabalho dos caras “A Janta, a Colher e o Banho”, cujo clipe merece uma conferida. No bis, “Dor de Dente”, a “apocalíptica” “Lá Vem Ele” e “With a Little Help from my Friends, na versão consagrada por Joe Cocker.

Detalhe: a banda foi a única atração da noite e, mesmo com um repertório ainda acanhado no quesito quantidade, mostrou que segura o tranco com absoluta segurança. Imagine só quando os caras tiverem mais material próprio e forem conhecidos no Brasil todo… Sim, porque, a julgar pela qualidade do EP e do show, isso é só uma questão de tempo.

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