Texto: Paulo Finatto Jr. (paulofinattojr@hotmail.com)

Fotos: Denis Azevedo (denisma@gmail.com)

No espetáculo do Dios Salve a La Reina, cada detalhe do Queen é reproduzido pela banda argentina. Do figurino dos músicos ao gelo seco do palco.

Em uma noite típica do verão gaúcho, os argentinos do God Save the Queen retornaram à capital para prestar uma segunda homenagem a um dos maiores ícones do rock inglês em 2010. A promessa de chuva não afastou o público que compareceu em peso ao Opinião para conferir uma nova retrospectiva dos maiores clássicos do Queen – bastante diferente do repertório apresentado no primeiro semestre do ano.

Com um atraso mínimo, às 21h13 Pablo Padin (vocal), Francisco Calgaro (guitarra), Ezequiel Tibaldo (baixo) e Matis Albornoz (bateria) subiram ao palco com o som de um trecho mais agressivo de “Bohemian Rhapsody”. A banda, que é considerada um dos tributos mais importantes do Queen no mundo inteiro, iniciou o show de fato com as animadas “Radio Ga Ga” e “Hammer to Fall” – retiradas do clássico “The Works” (1984) – e que contaram com o apoio incondicional dos presentes.

Não há dúvidas de que a apresentação do Dios Salve a La Reina – nome com o qual a banda foi batizada no seu país de origem – executa uma cópia extremamente aproximada aos espetáculos realizados pelo Queen na década de oitenta. Os mínimos detalhes não são esquecidos. A primeira impressão que vem à cabeça sobre o quarteto argentino é que o verdadeiro Freddie Mercury é quem comanda o God Save the Queen sobre o palco. Pablo Padin reproduz de forma assustadoramente fiel a voz do cantor sem abrir mão do vestuário peculiar e do modo de se movimentar em cena.

Na sequência, os argentinos trouxeram ainda “A Kind of Magic” e “Another One Bites the Dust” – que comprovaram o enfoque dado à década de oitenta pelo grupo ao show. No entanto, músicas dos anos anteriores marcaram uma presença até que notável no repertório – como a interessante “Bicycle Race” – retirada do disco “Jazz” (1978). Com Padin no teclado, o quarteto executou antes a balada “Play the Game” para a satisfação de muitos fãs verdadeiramente empolgados com o espetáculo.

Em atividade desde os anos noventa, o Dios Salve a La Reina deu os seus primeiros passos na cidade de Rosario – cerca de 300 km de Buenos Aires. No entanto, o nome do quarteto ganhou repercussão internacional quando a banda se apresentou no Eggman Easter Festival na Inglaterra – para mais de 35 mil pessoas. Em 2004, o God Save the Queen realizou a sua primeira turnê mundial, que incluiu dois importantes espetáculos: no Queensday, em São Paulo, e no Freddie Mercury Memorial, realizado na Suíça. De qualquer forma, o título de “banda tributo mais espetacular da América do Sul” foi uma consequência, assim como o reconhecimento de Phil Murphy, ex-tour manager do Queen.

Pablo Padin – o Freddie Mercury é argentino.

Embora não possua uma postura ríspida ou não-carismática, o quarteto portenho executou quase todas as músicas do Queen praticamente sem intervalos para conversar ou interagir com a plateia. De qualquer forma, os presentes pareciam estar nas mãos dos músicos, sobretudo na execução dos maiores clássicos da banda inglesa. Na agitada “Under Pressure”, o Dios Salve a La Reina contou com um suporte dos fãs. De outro lado, a balada “Save Me” – que contou com Francisco Calgaro e a sua típica cabeleira “à Brian May” ao piano – trouxe intensidade ao espetáculo impecável dos argentinos até o momento.

De volta com o que há de mais rock n’ roll na trajetória do Queen, a banda portenha executou “I Want it All” – muito aplaudida pelos presentes que acompanharam Pablo Padin no refrão. Da mesma forma, “Who Wants to Live Forever” agradou cada um dos fãs que compareceram ao Opinião. Entretanto, o maior momento do show veio na sequência. A dupla Pablo Padin e Francisco Calgaro apresentou o provável maior sucesso do Queen – “Love of My Life”. A música, que chegou a ser cantada em uníssono no seu refrão, criou um ambiente extremamente adequado para outro sucesso – “Somebody to Love” – que levou Padin novamente ao piano.

Embora nitidamente pouco conhecida entre os presentes, “Death on Two Legs” (a abertura de “A Night at the Opera”, disco de 1975) mostrou a versatilidade do God Save the Queen em passear por composições mais peculiares ou diferenciadas da banda inglesa. A interessante música antecedeu um pequeno solo do guitarrista Francisco Calgaro. Na sequência, “Now I’m Here”, do ótimo “Sheer Heart Attack” (1974), e “I Want to Break Free” – outro destaque absoluto na apresentação do quarteto e na carreira do grupo homenageado. No entanto, Padin não entrou em cena com a inesquecível roupa feminina que Freddie Mercury utilizou no videoclipe – mesmo que muitos tenham contado com isso nos primeiros acordes no piano da música.

Francisco Calgaro e Pablo Padin – no repertório, os maiores sucessos do Queen na década de oitenta.

Com apenas Pablo Padin no palco, o Dios Salve a La Reina executou “Crazy Little Thing Called Love” – outra música por qual o público gaúcho parece guardar bastante carinho. Embora tenha animado bastante os presentes, nada se compara com a resposta que os argentinos obtiveram com a clássica “Bohemian Rhapsody”, que encerrou em nível altíssimo a primeira parte do show. Não há nenhum deslize que possa ser mencionado quanto a performance dos músicos nessa composição, que é um dos maiores hinos do rock n’ roll de todos os tempos.

De volta para o bis, o God Save the Queen emendou a agitada “Tie Your Mother Down” (que abriu o último espetáculo na capital gaúcha, no primeiro semestre desse ano) e a certeira “We Will Rock You” – que chegou a ser insistentemente pedida pelos presentes no intervalo em que a banda esteve fora do palco. Pablo Padin, que usava uma bandeira da Argentina e uma do Brasil em volta do corpo na parte final do show, retornou para a derradeira “We are the Champions” com a vestimenta medieval da nobreza europeia – que remete diretamente ao nome da banda inglesa homenageada.

Com exata 1 hora e 35 minutos de espetáculo, o quarteto argentino comprovou porque é a banda mais cultuada entre as que prestam uma sincera homenagem ao Queen no mundo inteiro. Certamente, o show do God Save the Queen é surpreendente e imperdível para quem é admirador de Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e de Roger Taylor. A experiência é única.

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