Fotos: Liny Rocks (http://www.flickr.com/linyrocks)

Diante de um Beco lotado, Hughes tocou pela primeira vez em Porto Alegre no dia 12 de dezembro

Infelizmente, nem todos os grandes músicos do rock recebem o reconhecimento que merecem. Alguns por estarem na banda errada no momento errado, outros por terem feito parte de grupos pelos quais passaram figuras tão ou mais carismáticas do que eles. Glenn Hughes é um cara que se enquadra no segundo caso. Afinal, alguém que integrou Black Sabbath e Deep Purple deve ter, no mínimo, qualidades acima da média. O problema é não ser ofuscado pelas sombras de Ozzy Osbourne e Ronnie James Dio, ou de Ian Gillan e David Coverdale. Mesmo sendo um virtuoso baixista e, principalmente, um vocalista de primeira linha.

Pouco conhecido do grande público, Hughes se apresentou pela primeira vez em Porto Alegre no domingo passado, dia 12 de dezembro. Apesar de uma chuvinha irritante, o Beco estava absurdamente lotado para receber o músico britânico – há quem diga que a casa recebeu nessa noite muito mais gente do que tinha condições de comportar.

O público se amontoou em frente ao palco para ver “the voice of rock”, como Hughes é conhecido. Mas antes de ele entrar em cena, foi a vez da Venus Attack. A nova banda do vocalista Michael Polchowicz, ex-Hangar, fez sua estreia nos palcos tocando músicas próprias e um cover de “Flash of the Blade” do Iron Maiden.

Hughes subiu ao palco no horário previsto (em torno de 22h) e logo foi ovacionado pela massa. Começou com canções que não foram tão bem recebidas, como “Muscle and Blood”, do projeto Hughes/Trall (com o guitarrista Pat Trall), e “Touch my Life”, do Trapeze, banda que o catapultou ao “quase” estrelato e que renderia um convite para integrar o Purple. A empolgação maior era com a oportunidade de ficar a poucos metros de um dos mais afinados vocalistas da história do rock.

O pau comeu mesmo quando ele executou “Sail Way”, do disco Burn, um dos clássicos do Deep Purple com Coverdale cantando – Hughes, além de tocar baixo, fazia um vocal de apoio de “luxo”. A partir daí, era possível perceber que a maioria conhecia basicamente seus sucessos com o grupo britânico, e pouco de sua carreira solo. O próprio Hughes tem consciência disso, tanto que montou o repertório com base nos álbuns do Purple. De seu único disco gravado com outra lenda inglesa – Seventh Star, do Sabbath –, ele não tocou nenhuma música, mas pouca gente reclamou. “Medusa”, outra do Trapeze, causou algum alvoroço, mas também não foi reconhecida por todos.

Uma canção “feita com meus amigos do Velvet Revolver” (“You Kill Me”) e uma do Hughes/Turner Project, parceria com Joe Lynn Turner (“Can’t Stop the Flood”) tiveram boa recepção, mas nem perto de outra maravilha “púrpura”: “Mistreated”. A histeria foi tanta durante a execução dessa faixa que o público até relevou os problemas técnicos no final, com falhas evidentes no som do baixo. Aliás, já haviam ocorrido transtornos de áudio durante o show, o que deixou Hughes visivelmente frustrado.

Vocalista/baixista fez uma apresentação curta e bastante técnica no Beco

Depois de uns bons dez minutos de espera, a banda voltou para executar “Stormbringer”, clássico do disco de mesmo nome do… ah, você já sabe. “Soul Mover” e “Addiction” deram uma renovada no repertório, mas era impossível não encerrar a apresentação com mais uma do Purple. Então veio “Burn”, que, com o perdão do trocadilho, voltou a incendiar o Beco.

A banda, afinadíssima, esteve à altura da competência do cantor. A menos de um ano de se tornar sessentão, o cara não demonstra sinais de cansaço na voz e ainda manda ver no baixo com muita categoria. De negativo, as falhas técnicas e a apresentação curtíssima – aparentemente, o primeiro problema parece ter provocado, ao menos parcialmente, o segundo. Mas triste mesmo é saber que, mesmo sendo um músico de primeira, Hughes não é tão conhecido como deveria. Em um mundo justo, ele teria tocado para milhares de pessoas, e não apenas algumas centenas, como ocorreu no dia 12.

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments

4 comentários sobre “Glenn Hughes, “a voz do rock” em Porto Alegre

  1. Geralmente não ficamos satisfeitos com um show tão curto, mas a sensação pós-Glenn Hughes foi outra! Apesar de o lugar não ter sido o apropriado, apesar dos problemas técnicos, apesar do tombo que levei numa lomba na Porto Alegre chuvosa… Valeu! o/

  2. Impressionante e inacreditável ouvir/ver essa lenda cantando… é de arrepiar! AINDA BEM QUE FUI! E concordo com o comentário acima.
    E bela resenha!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *