FOTOS: Fernando Halal (http://www.flickr.com/photos/fernandohalal)

Depois de um ano em que Porto Alegre recebeu muitos shows internacionais, mas sentiu a ausência de seu principal festival – o GIG Rock, que andou dando as caras em Pelotas, numa edição itinerante –, era importante começar 2011 dando mais espaço às bandas locais. E coube a um evento considerado lendário na cidade a responsabilidade de trazer esse novo “gás” à cena independente da cidade: o Juventude Enlouquecida Festival, ressuscitado neste início de ano. Mais precisamente no dia 6 de janeiro, quando cinco bandas se apresentaram no Beco.

Os produtores do evento são os mesmos dos primeiros anos de Juventude Enlouquecida:  Eduardo Normann e Mariana Kircher, duo que também produz a festa Lust for Life e, quando sobe no palco ao lado de Fabio Gabardo, se transforma nos Dating Robots, uma das atrações do festival. A banda já é bem conhecida na cena electrorock e obteve boa repercussão com a música “Movement Talk”, praticamente uma releitura dançante do refrão de “All’s Quiet on the Eastern Front”, dos Ramones. E em cima do palco essa experiência se traduz em um som que poderia sacudir arenas gigantescas, mas que cai bem mesmo é em clubs.

Electricmind, formado só por gurias, foi um dos destaques

Além dos Dating Robots, tocaram outros grupos com semelhanças na sonoridade, com muitas guitarras misturadas a batidas dançantes e um toque eletrônico. O primeiro show foi o da Electricmind, banda 100% feminina e com pouquíssimo tempo de estrada. Mesmo assim, as gurias mostraram muita atitude, aliando a energia das riot grrrls com melodias ora doces, ora agressivas.

Os Redhead Outdoors, também com uma menina na formação (Ju), agitaram a pista – que, infelizmente, não estava lotada – com seu electro bem executado. Aliás, a produção das bandas gaúchas desse estilo já merecia ter um lugar de maior destaque na cena nacional, tendo em vista a qualidade das canções e até mesmo da produção, de nível gringo.

Bambinos Selvagens em ação no Beco

Se as primeiras atrações penderam mais para a mistura de sons, as duas últimas recorreram ao rock’n’roll básico. O Tatu D’ Cove, então, foi o mais básico possível: trio guitarra/baixo/bateria e covers de bandas punks (como Ramones) e próximas disso (Motörhead). O repertório de clássicos foi garantia de pogo para os mais entusiasmados.

A última banda a subir ao palco já merece respeito no nome, bizarro, mas genial: Bambinos Selvagens. O som punk/garage rock dos caras é empolgante e, mesmo não sendo uma mistura inédita, tem se sobressaído entre as diversas bandas que flertam com esses estilos em Porto Alegre. Algumas músicas já são clássicas do mundo indie, como “Enterro dos Ossos”, que tem, inclusive um vídeo bem divertido.

Nessa retomada, o Juventude Enlouquecida deu o seu recado e cumpriu bem o propósito de apresentar bandas pouco conhecidas do grande público e abranger subestilos do rock nem sempre representados em festivais maiores. Resta torcer que a próxima edição ocorra num fim de semana, de preferência longe do escaldante calor de janeiro. Aí, com certeza, o festival terá o prestígio que merece.

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2 comentários sobre “Revigorado, Juventude Enlouquecida agita a cena indie

  1. Pô, tem razão, Giovani. Não deixaremos o álcool falar mais alto novamente, para não prejudicar a cobertura. 😛 Abraço

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