A imagem de uma jovem afegã mutilada pelos talibãs foi eleita ontem a foto do ano pelo júri internacional da organização World Press Photo. A foto de Bibi Aisha feita pela fotógrafa Jodi Bieber também ganhou o primeiro prêmio na categoria de retrato individual. O retrato foi capa da revista estadunidense Time, em nove de agosto de 2010.

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Aisha, de 19 anos, foi condenada pelo Talibã e teve suas orelhas e seu nariz cortados por ter fugido do marido e voltado para a casa dos pais, na província afegã de Oruzgan. A jovem tinha sido prometida ao marido segundo uma lei talibã conhecida por baad, para resolver disputas financeiras. Ela casou aos 14 e era sistematicamente abusada, e aos 18 fugiu de casa. Quando foi encontrada, o marido e o cunhado a puniram segundo a tradição do Talibã. Mutilada e abandonada, Aisha foi mais tarde resgatada pelo exército estadunidense e hoje mora nos Estados Unidos.

A foto causou muita polêmica na imprensa mundial, acusada de sensacionalismo. Jodi Bieber, que já ganhou outros oito prêmios da World Press Photo, disse que nunca teve dúvidas quanto à foto. “Aisha já foi fotografada antes, mas eu a fotografei de uma maneira que mostra que tem força, que tem poder – e não vulnerabilidade.” Aisha quis posar para a foto de Bieber para mostrar ao mundo os males que uma possível ressurgência do Talibã no Afeganistão poderia trazer para as mulheres afegãs.

Entre os outros prêmios da World Press Photo, ganhou destaque especial dos jurados a série de 12 fotos feitas pelos mineiros chilenos que ficaram por 70 dias presos em uma mina a 700 metros abaixo da superfície.

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