Um vencedor do Nobel de Literatura rejeitado em um evento literário? A escolha do peruano Mario Vargas Llosa para abrir a 37ª edição da Feira do Livro de Buenos Aires, no dia 20 de abril, não agradou em nada os intelectuais argentinos próximos da presidente Cristina Kirchner. O protesto, coordenado pelo diretor da Biblioteca Nacional, Horacio González, enviou uma solicitação formal ao presidente da Câmara Argentina do Livro, Carlos de Santos, para que a escolha do peruano, crítico do governo argentino, seja reconsiderada.

Opiniões do escritor peruano sobre o governo de Cristina Kirchner incomodam (Crédito: Divulgação)

“O convite a Vargas Llosa é uma ofensa à cultura de nosso país”, disse ele ao jornal Tiempo Argentino, acrescentando que considera “sumamente inoportuno o lugar concedido ao escritor para inaugurar uma feira que nunca deixou de ser um termômetro da política e das correntes de ideias da sociedade argentina”.

González até admitiu gostar das obras do peruano, mas ressaltou que, ao menos nesse caso, a política está acima da literatura. “Existem dois Vargas Llosa: o grande escritor que todos festejamos e o militante que não pestaneja nem um segundo para atacar os governos populares da região“, disparou.

O secretário da Cultura, Jorge Coscia, discorda da tentativa de proibição, mas também não poupou críticas a Vargas Llosa, a quem chamou de “reacionário, inimigo das indústrias culturais e útil a um sistema de dependência cultural na América Latina”. O presidente da Fundação El Libro, Gustavo Canevaro, que organiza o evento, descartou a possibilidade de cancelar o convite.

Em declaração recente, Vargas Llosa disse que Cristina Kirchner é “um desastre total”. Em outra entrevista, afirmou que ela e o falecido marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, são “capitalistas exemplares que conseguiram multiplicar sete vezes o seu capital”.

A Feira do Livro de Buenos Aires reúne anualmente mais de um milhão de pessoas. A edição de 2011 ocorrerá entre os dias 21 de abril a 9 de maio.

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