Quadros da série "Aborto" compõem a mostra (Crédito: Arquivo)

A partir do dia 19 de março, o Brasil recebe pela primeira vez uma exposição individual da artista plástica portuguesa Paula Rego, uma das mais aclamadas da atualidade. 110 obras entre pinturas, gravuras, desenhos e colagens poderão ser vistas na Pinacoteca do Estado de São Paulo até o dia 5 de junho. A curadoria é de Marco Livingstone, historiador artístico inglês.

Contemplando os últimos 56 anos da carreira de Paula, hoje com 76 anos, a mostra já passou pelo Museu de Arte Contemporânea de Monterrey, no México. Organizados em ordem cronológica de 1953 a 2009, os trabalhos são permeados tanto por elementos da história pessoal da artista quanto de temáticas como a crueldade, a violência, jogos de poder e a condição feminina. Trata-se de um amplo panorama que contempla todas as suas fases artísticas, desde que era uma jovem estudante de arte na Slade School of Art de Londres.

Os quadros de grandes dimensões que ela começou a produzir a partir dos anos 1980 são destaque da mostra. As pinturas de 120 x 160 centímetros feitas nos anos 1990 de modelos humanos são muito representativas do estilo que veio a consagrar a pintora. A polêmica série “Aborto”, que Paula criou em 1997 retratando as condições dos abortos clandestinos na época em que houve um referendo em Portugal sobre o assunto, também estará na exposição. Trata-se de representações de mulheres em posições desconfortáveis, contorcendo-se, encarando o espectador ou escondendo o rosto.

Os últimos trabalhos que integram a retrospectiva reforçam a preocupação social que Paula Rego coloca na sua produção. “Human Cargo”, série de 2007 que aborda o tráfico de seres humanos, e “Female Circumcision”, de 2009, sobre a mutilação genital feminina, estarão na Pinacoteca de São Paulo. Não ficam de fora trabalhos como Misericórdia I, que retrata a morte da mãe de Paula, mostrando o lado mais autobiográfico de sua obra.

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