Com roteiro de Bráulio Mantovani, VIPs conta a história de um jovem com distúrbios de múltipla personalidade

Bons protagonistas geralmente se constroem através de dualidades. São personagens que conseguem ao mesmo tempo transitar entre o bom e o mau. Exemplos não faltam, o caso mais recente do cinema brasileiro, na minha opinião, é o do Capitão Nascimento dos filmes Tropa de Elite 1 e 2, com roteiro de Bráulio Mantovani, que considero o mais talentoso dos roteiristas tupiniquins da atualidade. No filme VIPs, roteirizado por ele e Thiago Dottori, baseado no livro VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso de Mariana Caltabiano, há um protagonista com um grande potencial para ser o elemento dual no filme – um homem com distúrbios de personalidade, que oscila a imitar desde um traficante até o herdeiro da maior companhia aérea brasileira. Uma figura interessantíssima para psicólogos deleitarem-se, mas que peca muito para o espectador normal no quesito empatia, tão importante para tal tipo de personagem.

Não é preciso falar muito do enredo de VIPs. O filme conta a história de Marcelo da Rocha, um jovem que sonha em ser piloto de avião. Ele foge de casa e trabalha para traficantes paraguaios, mas logo se vê obrigado a retornar para o Brasil. Ele resolve (ou involuntariamente se transforma) ir para o carnaval de Recife “disfarçado” de Henrique Constantino, herdeiro da Gol. Lá ele vive a vida do milionário e o espectador tem a primeira chance de descobrir quem este personagem realmente é e o que está envolvido em todas essas suas transformações.

O longa é basicamente o protagonista – ele é o elemento fundamental da trama, os demais elementos, com poucas exceções,  não são de fundamental importância para a construção desta. Creio que já pensando na dualidade, e com o propósito de trazer um nome forte para o filme, a escolha inevitável foi por Wagner Moura, não por coincidência o eterno Capitão Nascimento de Tropa de Elite. Porém, Marcelo da Rocha não funciona tão bem como o Capitão Nascimento. Apesar de mais uma excelente atuação, despida de qualquer semelhança com a atuação de Tropa de Elite, Wagner Moura não consegue suprir a falta de empatia que a história deu à personagem. O que sobressalta é a sua loucura, não a capacidade do protagonista de construir a sua imitação e até mesmo de ser entendido. Ele parece somente um louco doente, sem uma astúcia que poderia até mesmo parecer genial. Este defeito fica por conta do roteiro, que não destaca esta astúcia de maneira interessante.

Wagner Moura, apesar da boa atuação, não consegue dar a empatia necessária ao protagonista como fizera em Tropa de Elite
Wagner Moura, apesar da boa atuação, não consegue dar empatia ao protagonista como em Tropa de Elite

Colocados os nomes de maior destaque do filme, ator principal (Wagner Moura) e roteirista (Bráulio Mantovani), destaco agora o diretor, o inexperiente Toniko Mello, recrutado pelos executivos da O2, Bel Berlinck, Fernando Meirelles e Paulo Morelli, figuras importantes no cinema e na sua aproximação com a estética publicitária. Toniko havia dirigido o filme Som e Furia em 2009 (co-dirigido por Meirelles, é uma obra que considero razoável, contudo vale-se de alguns méritos que se limitam a estética), sendo que VIPs é o seu segundo trabalho. O filme até é bem dirigido de modo geral, com cenas bem enquadradas e que não pecam no entendimento da trama. Porém há certas imagens que parecem não funcionar muito bem, principalmente as que consistem em pequenos inserts de flashback – algumas não fazem sentido nenhum e a estética não é interessante, como a cena inicial do filme que depois é retomada em sua metade.

VIPs é um filme que deixa a impressão de que poderia se mais cativante do que realmente é. Com o seu roterista, tendo em mão uma história interessante, com um nome como Wagner Moura e com a capacidade de financiamento da O2, o longa decepciona. O protagonista é interessante, mas acho que faltam elementos para ir além da sua loucura – é quase inadmissível que um louco consiga enganar pessoas tão facilmente sem que ele tenha nada de astuto ou de inteligente. Também acredito que a dramatização exagerada de certos atos poderia aumentar a tensão (por mais que extrapolasse o real), além de valorizar os personagens secundários. Se mais pessoas desconfiassem da loucura de Marcelo, a trama ficaria mais rica em suspense do que já é. A questão paternal é interessante, tanto pelo pai de Marcelo quanto pela mãe, uma cabeleireira que coleciona fotografias de famosos em seu salão para imitar-lhes o corte, e poderia ser ainda mais explorada – afinal, aquela mulher que queria deixar seus clientes parecidos com os famosos não poderia influenciar o seu filho? Enfim, são questões a se pensar, mas alguns descontos podem ser dados devido a inexperiência do diretor e da dificuldade que é tratar um tema como o de VIPs.

Notinha de rodapé: O QUE DIABOS É O CABELO DO WAGNER MOURA QUANDO JOVEM???????????? PUTA MERDA, AQUILO NÃO CONVENCE NEM MEU CACHORRO CEGO DE QUE O PROTAGONISTA TÁ NO ENSINO MÉDIO!!!!!!!!!!!!

Fim…….

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