A cantora nascida em 1915 fez sucesso nos anos 1940 (Crédito: arquivo)

O título da autobiografia de Billie Holliday, publicada em 1956, é composto por diferentes universos: “The lady sings the blues” apresenta a “lady”, denominação relacionada à alta sociedade apesar das origens simples da cantora, vivendo a música melancólica da periferia, o “blues”. Independentemente do meio em que cresceu, a artista de voz rouca e doce consagrou-se na história da música do século XX dentre as que se tornaram mitos. Hoje, dia 7 de abril, são relembrados os 96 anos do seu nascimento, e sua trajetória marcada pelo sofrimento.

Billie teve o gosto pela música desperto ouvindo Bessie Smith e Louis Armstrong tocarem nas vitrolas dos vizinhos. A carreira de cantora começou quando conseguiu um bico como dançarina em um bar do Harlem, em Nova Iorque. Após o desastre da primeira apresentação, o dono do bar, penalizado, pediu que ela tentasse cantar. Assim, ela mostrou seu verdadeiro talento.  O crítico John Hammond descobriu-a três anos depois e foi responsável pela gravação de seu primeiro disco.

A vida de Eleanor Fagan Gough, verdadeiro nome de Billie, é relatada no seu livro direta e dramaticamente. Marcada desde cedo pelo abuso sexual, prostituição, percalços com a polícia, alcoolismo e drogas, a cantora faleceu em 1959, aos 44 anos, por overdose, mergulhada na depressão que se refletia em sua voz. A trajetória em tons azuis, tal qual a música à qual se dedicava, não impediu que ela viesse a fazer muito sucesso nos anos 1940, e nem mesmo a falta de educação musical formal. Em 1972 a autobiografia “Lady Sings the Blues” virou um filme com Diana Ross no papel principal. É considerada até hoje um dos nomes mais importantes do Jazz.

Um comentário sobre “Os 96 anos de Billie Holliday”

  1. Ela merece todas as comemorações que receber, afinal, a voz dela é única no equilíbrio entre melancolia e contentamento, mas essa autobiografia é uma grande farsa. O jornalista Ruy Castro, baseado em outras biografias, já expôs a manipulação editorial que foi feita em cima de algumas entrevistas dadas para o cara que ‘transformou as histórias em livro’ e ela nunca chegou a colocar as mãos no resultado. O filme com a Diana Ross é bem bacana, mas também mostra demais o lado cálido de um viciado em drogas e muito pouco do temperamento vulcânico que ela possuia, o mesmo padrão de sofrimento redentor que a livra de todas as culpas.

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