O artista premiado vai representar o Brasil na Bienal de Veneza deste ano (Crédito: Bienal de São Paulo/ Divulgação)

A maior distinção espanhola da área das artes plásticas foi concedida neste ano a um artista radicado no Brasil. Artur Barrio, que utiliza restos de comida, sangue, carne, pedras, terra e desperdícios entre outros elementos para realizar as suas obras, venceu o Prêmio Velázquez das Artes Plásticas 2011. O anúncio foi realizado nesta terça-feira, dia 10, pela ministra da Cultura espanhola, Ángeles González-Sinde. Ela ressaltou do universo de Barrio “a construção de uma poética radical, que produz uma relação e um eco com as situações políticas e sociais.”

Artur Barrio é português do Porto, nascido em 1945, que deslanchou a carreira artística depois de 1965, quando se mudou para o Rio de Janeiro. Seu trabalho é caracterizado por na maioria das vezes não poder ser guardado em museu: ele trabalha com a arte conceitual valorizando a experiência como um todo com o objeto artístico, e não só a imagem. Utilizando materiais baratos e perecíveis, ele realiza o que a imprensa internacional apelidou de “arte visceral”, bastante chocante.

Uma das obras mais conhecidas de Barrio foi criada durante a ditadura militar brasileira, quando ele depositou trouxas ensanguentadas nas margens de um córrego na cidade de Belo Horizonte. Chamou assim a atenção da polícia e dos passantes para triste situação do país no que tocava os direitos humanos, a partir de uma ideia barata e significativa. Neste ano de 2011, o artista foi selecionado pela Fundação Bienal de São Paulo para representar o Brasil na 54ª Esposizione Internazionale d’Arte – Biennale di Venezia, que acontece de 4 de junho a 27 de novembro em Veneza/Itália.

Desde 2002, o Prêmio Velázquez agracia anualmente artistas de todo o mundo. Neste ano o valor do prêmio foi de 125 mil euros. A seleção é feita por um júri composto por pessoas ligadas à arte de diversos países, a partir de indicações de academias de belas artes, museus de arte moderna e contemporânea, associações de críticos de arte e outras instituições de artes plásticas. A artista agraciada no ano passado, a colombiana Doris Salcedo, compôs o júri neste ano.

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