Fotos: Fernando Halal (http://www.flickr.com/photos/fernandohalal)

Banda carioca levou uma legião de fãs ao Opinião no show do álbum Odiosa Natureza Humana

Rock sempre foi sinônimo de diversão, acima de qualquer coisa. E, mesmo que em mais de 60 anos tenha se reinventado e parido inúmeros filhotes – do punk ao heavy metal, quantas subdivisões existirão? –, o estilo se mantém fiel a esse “propósito” inicial. O Matanza é uma das bandas brasileiras da atualidade que melhor representam esse espírito, cantando a tríade sexo, drogas e rock’n’roll e tocando apenas pela diversão, sem compromisso com nenhum tipo de ideologia. Letras simples e sarcásticas, som pesado e sem firulas: é isso o que o quarteto carioca faz desde que foi criado, ainda nos anos 90; é isso o que os fãs querem ver e ouvir quando vão a um show do Matanza.

E foi exatamente isso o que os porto-alegrenses tiveram no domingo passado, dia 15 de maio. De volta ao Rio Grande do Sul, desta vez para divulgar o recente Odiosa Natureza Humana – primeiro álbum de inéditas em quase cinco anos –, o quarteto conseguiu superlotar o bar Opinião, façanha que muitas bandas gringas de renome não conseguem. E, durante quase duas horas, desfilou mais de 30 canções de seu bem-humorado “countrycore”.

Antes do Matanza, não uma, mas duas bandas de abertura, Zerodoze e Ferrolho, ambas fazendo um som pesado, condizente com o que pedia a noite. Nesse tipo de evento, o público se torna um pouco impaciente – para não dizer outra coisa – com qualquer opening act. No entanto, a ausência de vaias mostrou que, se os grupos gaúchos não agradaram a todos, ao menos conquistaram o respeito da plateia e, quem sabe, novos fãs.

Pouco depois das 22h, a ansiedade termina e o Matanza finalmente entra em cena. A banda abre os trabalhos com a nova “Remédios Demais”, seguida por uma série de pauladas de todas as fases da carreira, como “Meio Psicopata” (De A Arte do Insulto), “Rio de Whisky” (do debut, Santa Madre Cassino) e “Bebe, Arrota e Peida” (de Música para Beber e Brigar). Aliás, algo interessante nas apresentações do grupo é a capacidade de elaborar um bom set list, contemplando proporcionalmente todos os álbuns, sem desvalorizar nenhum trabalho – a exceção, obviamente, é To Hell with Jonnhy Cash, que, por se tratar de um disco de covers, tem menos espaço no repertório.

Em meio a rodas de mosh e notória empolgação da plateia, não dá para negar que, apesar da reação entusiasmada a todas as músicas, as que têm melhor receptividade são as mais “lentas”, como a clássica “Bom é Quando Faz Mal”, a primeira realmente cantada em uníssono. Ao vivo, Maurício Nogueira (guitarra), China (baixo) e Jonas (bateria) apresentam um instrumental bastante coeso, mesmo com a saída do guitarrista Donida, que segue sendo o principal compositor do Matanza.

Jimmy encarna o espírito do Matanza com sua performance de "machista-beberrão-briguento”

Embora todos os músicos sejam bons, a figura de Jimmy London é que prende as atenções. Barbudo, cabeludo e com seu jeitão bronco, o vocalista encarna um personagem quando está no palco. Às vezes meio caricato, Jimmy posa de beberrão, briguento e machista, como se protagonizasse um minicurtametragem a cada música do Matanza. As frases de efeito (se um dia ele não disser “Puta que pariu, Porto Alegreeeeee!”, alguém vai subir no palco e dar porrada no cara), os xingamentos mútuos entre ele e algum maluco da plateia e as historinhas contadas antes de determinadas canções são características presentes em todos os shows do grupo carioca.

Ironicamente, o vocalista já deixou de beber há alguns anos – no Opinião, a única bebida que tomou no palco foi água mineral. Essa abstinência deve ter feito bem a Jimmy, que leva tranquilamente o show sem deixar o palco nenhuma vez, mandando porrada atrás de porrada – entre outras, “A Arte do Insulto”, “Tombstone City”, a metálica “Eu Não Gosto de Mais Ninguém” e “Em Respeito ao Vício”. “Carvão, Enxofre e Salitre” (a famosa fórmula da pólvora) e as duas partes de “Santânico”, com sua temática de horror, seguidas por “O Chamado do Bar”, antecedem os dois únicos covers da noite: “Home of the Blues” e “Straight as in Love”, da lenda country Johnny Cash.

Sem tirar o pé no freio, a banda executa mais uma dúzia de clássicos. Novamente, as canções mais bem aceitas são as de andamento cadenciado – o “Ôôôôôô… na cara”, de “Pé na Porta, Soco na Cara”, fez retumbar as paredes Opinião. No final, algumas músicas do primeiro disco que permanecem há tempos no repertório (“Ela roubou meu Caminhão” e “Eu Não Bebo Mais”). O encerramento, como já virou tradição nos shows do Matanza, é com o tema de pirata/bardo “Estamos Todos Bêbados” – com os presentes abraçados, muitos no estado etílico referido na letra –, emendado por um trecho de “Interceptor V6”. Um grande show de rock’n’roll, mas quem perdeu não precisa ficar preocupado: em dezembro, os caras estarão novamente na capital, garantiu o próprio Jimmy. E, certamente, com casa lotada outra vez.

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