Como vocês devem ter notado, desde o início do mês de setembro estamos comemorando o primeiro aniversário do Nonada. Firmamos parcerias com a Revista Cult, o jornal Rascunho, a editora Arquipélago e a editora Record, e preparamos promoções especiais para nossos seguidores do Twitter e fãs do Facebook. Mas as comemorações não param por aí: a partir de hoje, que é o aniversário oficial do site, postaremos listas de fatos marcantes que aconteceram ao longo dos últimos 12 meses em cada uma das áreas culturais que cobrimos, selecionados pelos editores. É pela editoria de artes visuais que começamos. Vamos relembrar?

O nome do artista plástico chinês Ai Weiwei, famoso por ter projetado o estádio Ninho de Pássaro em Pequim, passou a aparecer com frequência nas notícias internacionais a partir de abril deste ano, quando foi detido pelo governo de seu país. A alegação de crimes econômicos como motivo da prisão não convenceu, até pela não apresentação de evidências de tais crimes. A suspeita de que o ativismo político de Weiwei fosse a razão da ação ganhou força, e o resultado foi uma movimentação mundial de questionamento em relação à situação dos profissionais da arte na China. A soltura aconteceu em 23 de junho, e aos poucos ele volta a manifestar-se em redes sociais. Recentemente a Newsweek publicou um artigo do artista em que ele fala sobre a situação. 

Lançado em fevereiro de 2011, o Google Art Project permitiu a intarnautas do mundo todo visitas a diversos museus e galerias de arte, com direito à simulação de trajetos pelos corredores e visualização de obras em alta resolução. O projeto foi desenvolvido com a tecnologia do Street View, que permite vistas panorâmicas de 360º na horizontal e 290º na vertical. Instituições como o MoMA de Nova Iorque, a Galeria Uffizi de Florença, a National Gallery de Londres e o Palácio de Versalhes estão incluídos nas possibilidades de visita. Para além de um novo produto do mundo virtual, o Art Project suscita reflexões sobre a mudança na relação das pessoas com a arte na era Google. Abrem-se novas possibilidades de acesso e surgem novos desafios à atuação das instituições museais, que vem se adaptando às demandas conseqüentes da tecnologia. 

O artista Nuno Ramos deu o que falar com a sua instalação “Bandeira branca” na 29ª Bienal de São Paulo. Grupos de defensores dos direitos dos animais não gostaram nem um pouco da ideia de manter três urubus em cativeiro durante todo o período de exposição – de 25/09 a 12/12 de 2010, em nome da arte. A obra consistia em três esculturas em formas geométricas que lembravam túmulos, cercadas por uma tela de proteção que acompanhava as curvas do prédio. No alto de cada uma delas, poleiros abrigavam os animais. Em 30/09 um pichador chegou a invadir a exposição e escrever “liberte os urubu” (sic) na obra. A Fundação Bienal de São Paulo afirmou que o artista possuia todas as licenças exigidas pelos órgãos de preservação ambiental para o uso dos bichos. A polêmica terminou mais falada do que as intenções artísticas de Nuno Ramos. 

Vik Muniz, reconhecido artista plástico brasileiro, virou uma figura pop no país após a indicação do filme Lixo extraordinário (Waste Land, 2010) ao Oscar 2011 na categoria documentário. Mas não foi só por ser uma produção sobre um artista nacional que o público afeiçoou-se pela obra. O documentário explora a relação entre Muniz e os moradores do Jardim Gramacho – aterro metropolitano do Rio de Janeiro – no momento em que ele concebe a sua arte neste cenário inusitado. Fala-se de uma problemática social e ao mesmo tempo humaniza-se uma população economicamente desfavorecida. As críticas ao filme vieram em enxurrada, apontando exageros como a comparação do artista a um “salvador”. Lixo Extraordinário não levou o Oscar, mas publicizou a obra de Vik Muniz para além do meio institucional das artes. 

Artur Barrio, artista plástico português radicado no Brasil desde 1965, recebeu em maio deste ano a maior distinção espanhola da área das artes plásticas: o Prêmio Velázquez. Mas seu nome chamou mais a atenção na 54ª Bienal de Veneza, evento em que representou o Brasil. Barrio deu o que falar na bienal mais tradicional do mundo: afirmou sentir-se o “patinho feio” da mostra por estar entre os 5% de latino-americanos selecionados para a exposição central. A curadora Bice Curiger centrou-se na obra de artistas norte-americanos e europeus, e afirmou tentar fugir da antiarte, um conceito que para ela não faria mais sentido. Para o artista português, que tem o caos e a sujeira como marcas de sua produção, a antiarte seria a própria condição da arte atual. 

O falecimento de Lucian Freud, ícone da arte figurativa européia, foi para alguns críticos o fim de uma era: a da naturalidade da ideia da dedicação artística intensa ao retrato.  Devotado à representação sincera das formas de seus modelos, Lucian Freud deixou um legado de pinturas interpretando não só o aspecto físico das pessoas, mas também as suas condições psicológicas. Nascido em Berlim em 1922, neto de Sigmund Freud, faleceu aos 88 anos no dia 20 de julho deste ano em Londres, onde se naturalizou britânico e viveu grande parte de sua vida. A tensão dos olhares de seus retratos relaciona-se não só com a profundidade com que ele encarava os seus modelos, mas também com o longo período que eles gastavam no ateliê do artista em determinadas posições. Nomes como Kate Moss e a rainha Elizabeth II da Inglaterra posaram para Freud. 

Dois painéis de Cândido Portinari, que desde 1957 decoram o hall de entrada da Assembleia-Geral das Nações Unidas em Nova York, puderam ser vistos no Brasil. De 22 de dezembro de 2010 a 6 de janeiro de 2011, a exposição no Theatro Municipal do Rio de Janeiro Guerra e Paz foi visitda por aproximadamente 30 mil pessoas. Os painéis, que medem cada um 14 metros de altura e 10 metros de largura e pesam 2,8 toneladas, foram colocados no palco do teatro e exibidos em sessões acompanhadas de um filme sobre o pintor. Inaugurados em 1956 no próprio teatro, os painéis foram doados pelo governo brasileiro em 1957 à ONU, que na época construía seu edifício-sede. Lá, por questão de segurança, o acesso é limitado.  

O artista urbano de identidade desconhecida Banksy aprontou bastante durante o último ano, em especial devido ao seu documentário (?) Exit Through the Gift Shop. A indicação ao Oscar gerou polêmica, já que a Academia proibiu o artista de aparecer na festa de premiação com uma máscara, como ele solicitara. O filme não levou o prêmio, mas o barulho que fez foi considerável. Trata-se da história supostamente real de Thierry Guetta, um cineasta francês que, convidado para registrar imagens dos expoentes da street art, envolve-se com o assunto torna-se um intervencionista urbano – mas de péssima qualidade. Na semana do Oscar, Banksy se mostrou presente em Los Angeles, fazendo as suas intervenções de arte urbana na cidade.

Um eletricista aposentado revelou 271 obras de Picasso que manteve escondidas por anos. Pierre Le Guennec, de 71 anos, mostrou em setembro de 2010 para o filho de Picasso e especialistas da área a sua coleção: litografias, pinturas cubistas, cadernos e uma aquarela do artista espanhol avaliadas em cerca de US$ 80 milhões. A autenticidade das obras foi logo questionada, assim como a explicação do eletricista sobre a posse – faltava uma dedicatória do artista para comprovar que os trabalhos foram dados como presentes.  A notícia saiu em novembro, alguns dias antes de outra relacionada a Picasso: o roubo de obras suas que estavam sendo transportadas da Alemanha para a Espanha. Quadros de Botero e Tàpies também foram levados na ocasião.

Em âmbito local, a inauguração da Casa M em maio deste ano foi marcante no que toca a extensão das atividades da Bienal do Mercosul para além do período do evento. O espaço cultural foi aberto em um velho casarão da Rua Fernando Machado, no centro de Porto Alegre, abrigando biblioteca, ateliê e espaço para palestras e oficinas. Interdisciplinar, a casa é aberta a diferentes linguagens, promovendo performances, sessões de vídeo, pocket shows, contação de histórias e conversas que mesclam artes visuais, literatura, cinema, música, dança e teatro, entre outras expressões e áreas do conhecimento. A 8ª Bienal do Mercosul começa neste fim de semana, veja a programação da Casa M e dos outros espaços de exposição no site oficial.

Comente a nossa lista e relembre-nos de tantos fatos marcantes do ano que ficaram de fora! E não esqueça de acompanhar as nossas postagens comemorativas – leia amanhã a lista elaborada por Paulo Finatto sobre a área de TV.

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