Fotos: Fernando Halal

Definitivamente, 1991 foi um ano marcante na história do rock. Só o lançamento de Nevermind, do Nirvana, já seria motivo suficiente para afirmar isso, mas outros álbuns de extrema relevância vieram à luz há duas décadas: Blood Sugar Sex Magik, do Red Hot Chili Peppers; Ten, do Pearl Jam; as duas partes de Use Your Illusion, do Guns N’ Roses; e o homônimo do Metallica, mais conhecido como black album. Embora não seja tão famoso e nem tenha obtido vendas tão milionárias, um grupo escocês merece ser incluído no rol das bandas que cometeram grandes discos em 91: o Primal ScreamScreamadelica, que marcou época por acrescentar elementos eletrônicos – algo então impensável – ao rock britânico, está sendo celebrado com uma turnê comemorativa que passou por Porto Alegre nesta segunda-feira, dia 26 de maio.

Gaúchos da Cachorro Grande fizeram um rápido show de abertura

O show, trazido pela produtora Beco203, foi realizado no bar Opinião para um bom público, que praticamente lotou a casa. No entanto, pelo costume de chegar em cima da hora ou por acreditar que as apresentações fossem atrasar, poucos assistiram à abertura da Cachorro Grande. A banda gaúcha entrou no palco em torno das 22h15min e fez um set bem curto, com cerca de meia hora e sucessos como “Você me Faz Continuar” e “Velha Amiga”, além de uma música nova, “Baixo Augusta”, que estará no disco de mesmo nome, previsto para sair em breve. A faixa tem alguns sintetizadores, algo que denota a inspiração dos cachorros no trabalho de Bobby Gillespie e cia.

O Primal Scream subiu ao palco às 23h30min, como previsto no cronograma. Sem rodeios, mandou “Movin’ on Up”, uma das melhores e mais conhecidas faixas de Screamadelica. Muita vibração na plateia, como era de se esperar.

Bobby Gillespie, o frontman do Primal Scream, agitou o público no Opinião

Aliás, nesta turnê a banda não faz questão de surpreender ninguém: o setlist é bem óbvio e raramente sofre mudanças: são nove faixas de Screamadelica, não exatamente na ordem do disco, mais três hits de outros ábuns. Tudo muito bem feito, mas o grupo recorre ao auxílio de uma vocalista e alguns sons previamente gravados para reproduzir com fidelidade o que é ouvido em estúdio. Os recursos visuais complementam a atmosfera psicodélica do show (a palavra “lisérgica” é quase inevitável aqui), com uma iluminação multicolorida e um telão cheio de imagens abstratas – além, é claro, da berrante capa do álbum.

Os rostos marcados dos integrantes entregam que ali se encontra uma banda veterana, mas a performance no palco parece desmentir a idade dos músicos. Com muita empolgação, especialmente por parte do guitarrista Andrew Innes, o grupo não dá sinais de cansaço. Os sorrisos de Gillespie escancaram a satisfação do Primal Scream em estar realizando essa turnê e, porque não, o orgulho de ter gravado um disco tão inovador. Na pista, a plateia mostra entusiasmo nos momentos mais dançantes, como “Slip Inside This House”, “Dont Fight It, Feel It” e a grudenta “Come Together”, e parece anestesiada nas viagens de “I’m Coming Down” e, principalmente, na megaclássica “Higher than the Sun”.

Guitarrista Andrew Innes era um dos músicos mais empolgados com o show

O transe termina quando a banda retorna para o bis, com uma trinca de rocks classudos que denunciam a influência stoniana no som dos escoceses: “Country Girl”, “Jailbird” e “Rocks”. Um ótimo desfecho, que de forma alguma estraga a proposta de homenagear Screamadelica. Pelo contrário: só comprova a versatilidade do Primal Scream, uma banda que pode se gabar de transitar entre o rock e o eletrônico com tamanha desenvoltura. O que é mais do que natural, diga-se de passagem, já que foram esses caras que abriram caminho para as centenas de grupos que hoje fazem esse tipo de mistura. Um showzaço.

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments

Deixar um comentário

Não há comentários nessa página ainda. Vamos começar essa conversa!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *