Chegamos a última lista do Nonada, a de games. Muita coisa aconteceu na área durante esse período, justamente, porque a cultura gamer está em plena expansão. E no país também, projetos como o Jogo Justo (que não esquecemos aqui nessa relação) são um dos “culpados” dessa projeção maior dos jogos eletrônicos na sociedade brasileira. Há mais feiras de jogos, há concertos de game music…enfim, assunto não faltou nesses últimos 12 meses. A equipe do Nonada agradece a todos pela atenção com as listas e esperamos que tenham apreciado.

Ano passado começou o projeto Jogo Justo, idealizado pelo Moacy Alves Júnior, um dos grandes colecionadores de videogames do País. A intenção é diminuir o preço dos games, dos aparelhos de videogames, e de seus periféricos, fazendo que assim o consumidor tenha mais contato com a cultura gamer. O projeto cresceu tanto que foi criada a Associação Comercial, Industrial e Cultural dos Games (ACIGAMES), a fim de representar e regulamentar a indústria e o comércio dos jogos eletrônicos no País. Atualmente vários títulos de jogos tiveram seus preços baixados, já o número de eventos e a mobilização da classe gamer do país aumentou consideravelmente. Vida longa ao Jogo Justo!

Em novembro de 2010 aconteceu no Rio de Janeiro o Brasil Game Show que durou apenas dois dias, mas foi um dos maiores eventos da área até então – alguns diziam que era o maior da América Latina. Estima-se que pelo menos 20 mil pessoas passaram por lá. O BGS contou com palestrantes de internacionais como Hector Sanches, Produtor e Designer de Arte de Mortal Kombat e Bertrand Chaverot, diretor da Ubisoft Brasil. Um dos pontos altos das palestras nacionais foi a que abordou a Imprensa de Games no Brasil, com Orlando Ortiz e Ricardo Farah (ex-editores das revistas Nintendo World e EGM, respectivamente), entre outras. Esse ano a BGS acontece de cinco a nove de outubro, maior e com mais convidados – bom sinal.

Read Dead Redemption foi eleito o jogo do ano de 2010 por boa parte da publicação especializada na área de games. Criado pela da famosa produtora Rockstar Games, de Gran Theft Auto, RDR conquistou os jogadores por apresentar um mundo aberto repleto de pequenos detalhes, mas que em conjunto fazem grande sentido, permitindo que o jogador usufrua um nível de interação e imersão muito maior que o apresentado em outros títulos com a mesma temática – a do faroeste. Aliás, RDR traduz muito bem o clima de faroeste cinematográfico das produções clássicas como “Era uma vez no Oeste”. Uma carta de amor da Rockstar a esse gênero fílmico que sempre rendeu boas histórias.

A Nintendo sempre reinou absoluta nos portáteis, para se ter uma ideia o Nintendo DS, lançado em 2004 e que teve várias atualizações, vendeu mais de 144 milhões de unidade – ultrapassando o Playstation 2.  Em fevereiro desse ano, a produtora mais tradicional do mundo dos games lançou o substituto do DS e, até então, um dos seus projetos mais arrojados: um videogame portátil com capacidade de rodas imagens em 3D, sem precisar de óculos. Era o Nintendo 3DS, que acabou chamando muito a atenção, com o público formando filas imensas na data de lançamento para adquirir o videogame. Seis meses depois, entretanto, as vendas estão abaixo do esperado. Algumas das razões para essa queda são a falta de jogos para o suporte, uma estratégia errada de lançamento (estava previsto para chegar em dezembro de 2010, época do natal) e dificuldade na visualização do 3D (o efeito pode causar dor de cabeça em algumas pessoas, além de que deve ser desligado de hora em hora). Há pouco tempo, a Nintendo anunciou um corte no preço do portátil, visando aumentar as vendas.

Foi no dia 21 de fevereiro de 1986 que uma das mais renomadas séries de jogos de todos os tempos foi lançada no Japão para o console NES. Um ano depois, o game foi disponibilizado para os países do Ocidente. A trama conta a história de Link, um jovem guerreiro que pretende salvar o reino de Hyrule e a bela princesa Zelda. Criada por Shigeru Miyamoto, o mesmo idealizador de jogos como MarioDonkey Kong, a série possui vários detalhes inspirados nas brincadeiras de infância do próprio criador do jogo, como lutas de espada e expedições pelo quintal. A série The Legend of Zelda fez tanto sucesso que teve mais de 15 títulos lançados para consoles da Nintendo e conseguiu atingir mais de 59 milhões de cópias desde seu primeiro jogo. São 25 anos de uma série que influenciou e inspirou uma multidão de futuros game designs, jogadores, produtores…enfim, todos que um dia gostaram ou gostarão de videogames

Há muito tempo não se via uma E3 movimentada como a desse ano. As principais novidades ficaram com a Nintendo e a Sony. Do lado da companhia criadora de Mario e Zelda, o que mais chamou a atenção foi, obviamente, a divulgação do que virá a ser o seu novo console: o Nintendo WiiU. O videogame segue com a ideia de interatividade e imersão que nasceu no Wii e o diferencial continua sendo o controle: agora ele possui uma tela sensível ao toque de 6.2 polegadas e permite levar os jogos que estão sendo jogados na tv para o controle. Além disso, a capacidade gráfica também deve aumentar e os jogos da Nintendo finalmente estarão no formato HD. O Nintendo WiiU decve chegar apenas em 2012. Do lado da também nipônica e gigante Sony o que mais marcou foi o novo portátil, o Playstation Vita. O portátil promete concorrer fortemente com o Nintendo 3DS, vários jogos e desenvolvedoras estão produzindo para o Vita que deve chegar no final de 2011, início de 2012.

Lá nos Estados Unidos, a organização governamental National Endowment for the Artes (NEA) considerou que os videogames agora são merecedores de fundo artístico, os reconhecendo legalmente como uma forma que expressa arte.  Dessa forma, os artistas que criarem qualquer tipo de videogame, ou jogo para exposição ao público ao invés de vendê-los receberão um subsídio de até US$ 200 mil do governo americano. Apesar de nada mudar para as grandes produtoras de videogames, já que seus lucros ultrapassam – e muito – o subsídio oferecido pelo governo para distribuir seus títulos de forma gratuita, essa iniciativa da NEA certamente representa um enorme passo rumo a um respeito maior da mídia “não especializada” pelos videogames, os reconhecendo como uma forma cultural, assim como o cinema e a música.

Os jogos sociais não são mais uma novidade desde que estouraram há cerca de dois anos nas redes sociais, principalmente no Facebook lá fora e no Orkut aqui no Brasil. Os jogos sociais que mais atraíam naquela época eram o Farmville, Máfia Wars e Café World. A produtora americana Zynga, criadora do Farmville, para se ter uma ideia divulgou que mais de 200 milhões de usuários utilizam os seus jogos do Facebook a cada mês. Eles recebem 30 por cento do valor das vendas de bens virtuais adquiridos como parte dos jogos. A popularidade dos smartphones e tablets  ajudou a impulsionar esse tipo de jogo. Logo, desenvolvedores de jogos sociais prometem se tornar cada vez mais o centro das atenções. Soma-se a isso ao fato de que o Google + e o Facebook começaram recentemente um verdadeiro duelo sobre quem terá os melhores tipos de jogos para oferecer ao seu público e a uma queda de vendas nos consoles “caseiros” e  pode-se vislumbrar um panorama para os jogos no futuro…

E, finalmente, World of Warcraft, o jogo mais popular de nossa época chega oficialmente ao Brasil. A produtora Blizzard, embora ainda sem data de lançamento, confirmou que os textos e diálogos serão totalmente em português, com o preço de R$ 30 e mensalidade de R$ 15. De acordo com a empresa, os jogadores brasileiros poderão comprar o game em caixa nas lojas ou sua versão digital no site Battle.net por R$ 30, que inclui o game original e a expansão “The Burning Crusade”. O título poderá ser jogado gratuitamente por 30 dias. Após este período, será necessário o pagamento de uma mensalidade de R$ 15 (nos EUA, é de US$ 15). Os usuários poderão pagar o valor por meio de cartão de crédito, débito, transferência bancária ou boleto.

A nível regional, é a primeira vez que Porto Alegre receberá a consagrada Vídeo Games Live, o maior evento de game music do mundo. É a sexta vez que a trupe vem para o Brasil, e o concerto une uma orquestra, um coral, música sinfônica às trilhas sonoras dos jogos mais famosos da história. São 43 músicos da Orquestra Simphonica Villa Lobos que tocarão em sincronia com os efeitos de iluminação e a projeção de cenas de games. Algumas das trilhas que agitarão a noite incluem Street Fighter, MegaMan, E The Legend of Zelda. O espetáculo é diferente dos anos anteriores, com um repertório exclusivo de jogos culturados do país. O concerto rola por aqui no dia 12 de outubro e os ingressos já estão a venda.  Imperdível para quem curte games e as suas músicas!

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Jornalista, mestrando em Comunicação na Ufrgs e Editor-Fundador do Nonada – Jornalismo Travessia. Acredita nas palavras e nas pessoas. Twitter: @rafaelgloria

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