O Nonada segue a sua cobertura do Oscar 2012 com o filme O Homem que Mudou o Jogo.  Acompanhe-nos para ficar por dentro dos filmes que têm (ou não) chance de levar alguma estatueta para casa.

Juntos eles ajudaram a modificar algumas estruturas do Beisebol (Crédito: Divulgação)

Apesar de ter como contexto principal o mesmo esporte (beisebol) que o filme O Campo dos Sonhos, de 1989, O Homem que Mudou o Jogo dá uma abordagem completamente diferente do melodrama de Kevin Costner. Antes de tudo, o filme estrelado por um Brad Pitt, em excelente fase, é sobre exatidão e sobre como as certezas dos números (uma série de levantamentos estatísticos) podem infringir na natureza de um esporte – nesse caso, o beisebol. Bom, você deve estar se perguntando porque evoquei O Campo dos Sonhos, filme de vinte e poucos anos atrás para escrever sobre esse. Simplesmente para notar as grandes diferenças de tratamento das duas produções (não que uma forma seja necessariamente superior que a outra).

Falar de esporte no cinema é falar da paixão, como acontece em O Campo dos Sonhos. Nesse sentido, O Homem que Mudou o Jogo foge dessa relação, uma vez que a escolha do diretor Bennett Miller (realizador de Capote) está em não se aprofundar emocionalmente nas relações, mas sim em mostrar exatamente o que elas podem, ou não, oferecer. Assim, conhecemos Billy Beane (Brad Pitt), gerente do time Oakland A’s e o responsável por contratar jogadores e montar a equipe. Trata-se de um grande personagem, cujas escolhas acabaram não se mostrando as melhores: quando mais jovem teve que decidir entre uma boa universidade ou ir jogar profissionalmente (os olheiros depositavam muita fé no seu futuro). Acabou optando pelo beisebol, uma óbvia escolha pela paixão – embora o filme não demonstre isso. Logo, ele é um personagem meio amargurado, possivelmente por sua carreira como profissional não ter sido boa como esperava. Mesmo assim, resignado, ele não saiu do esporte, assumindo o cargo de diretor depois de aposentado. Fica evidente que é esse conflito que o ajuda a repensar os ditame mercantil do basebol. Além disso, ele é forçado a reestruturar sua equipe que acabou de perder grandes jogadores para times que podem pagar mais. Ele precisa ser mais esperto e procurar uma solução já que o dinheiro de seu time é curto.

É por aí que surge a figura do coadjuvante Peter Brand, um superestimado Jonah Hill, que trabalha com dados técnicos e estáticos e acredita na teoria de que é possível encontrar jogadores com habilidades pontuais, a fim de formar um grupo balanceado e vencedor. Sua candidatura ao Oscar se deve justamente ao apoio profissional que fornece à Billy, o que ele pode oferecer, dessa forma complementando e ensinando ao chefe o esquema. É algo como um ajudante memorável, o coadjuvante clássico, que não chega a roubar a atenção do protagonista. Com uma nova “arma” em mãos, Billy aposta tudo nela e realmente consegue bons resultados, quebrando o recorde de vitórias na liga – mas não conquistando o título, o grande objetivo. Como ele é um personagem um tanto quanto frustrado, acaba ainda amargurado por não ter conseguido ser campeão. Só fica aliviado mais tarde com o reconhecimento por parte de outras equipes que também passaram a utilizar o esquema.

Comentei antes que o filme não aprofunda o relacionamento, e isso ocorre principalmente no quesito familiar, na fraca subtrama em que se percebe que Billy é um pai que tenta ser presente para a sua filha – mas não se destaca muito esse fato. É como se não fosse interessante, e talvez não seja necessário mesmo. O Homem que Mudou o Jogo não é absolutamente sobre a paixão pelo Beisebol, mas sim um filme que mostra as nuances por trás do esporte também. Afinal um jogo envolve paixão com certeza, mas também há muito em jogo  que ajuda a fomentar o envolvimento, e é isso que é evidenciado aqui.

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Jornalista, mestrando em Comunicação na Ufrgs e Editor-Fundador do Nonada - Jornalismo Travessia. Acredita nas palavras e nas pessoas. Twitter: @rafaelgloria
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