Punk e metal, os dois estilos mais extremos do rock (isso sem contar os subgêneros inseridos neles), sempre andaram lado a lado. Mesmo com eventuais rixas entre carecas e cabeludos no passado, hoje a realidade é outra.

Jerry Only (c) é o único remanescente da formação original do Misfits (Crédito: Divulgação)

O radicalismo diminuiu muito graças ao pioneirismo de algumas bandas, que conseguiram aliar a sonoridade de ambos os estilos. Duas delas estarão em Porto Alegre na próxima quarta-feira, 25 de abril, no Teatro do Bourbon Country: Anthrax e Misfits. Os primeiros, que estão no chamado “big four” do thrash metal (junto com Metallica, Slayer e Megadeth), têm muita influência do punk e do hardcore em suas músicas, e já gravaram até rap – pesado, é claro. Já o Misfits acelerou o punk, acrescentou a ele uma temática e um visual de filmes de terror e assim caiu nas graças de muitos headbangers.

Encarnação humana do mascote Fiend Skull (certamente um dos símbolos mais famosos do rock), o baixista Jerry Only só assumiu os vocais após a separação do grupo, nos anos 80. Com a saída definitiva de Glenn Danzig, o nome Misfits foi alvo de uma disputa judicial, vencida por Only. Quando a banda de Nova Jersey voltou à ativa, em 1995, Michael Graves foi o vocalista escolhido, mas depois abandonou o barco também. Após outras tentativas frustradas, Only, hoje o único integrante original do grupo, resolveu encarar o microfone, estreando na função no álbum Project 1950, de 2003.

Em Porto Alegre, os fãs poderão conferir muitas faixas de The Devil’s Rain, lançado em 2011, e, claro, muitos clássicos. A seguir, o próprio Jerry Only dá uma prévia do que os brasileiros podem esperar dessa turnê em parceria com o Anthrax.

Nonada – Como vocês decidiram unir bandas de diferentes estilos na turnê? Você acha que ainda há algum ranço entre o publico do punk e do metal hoje em dia?

Jerry Only – Eu acho que o punk é simplesmente um metal bem rápido, com menos notas e menos acordes! (risos)

Nonada – Qual será a banda de abertura, e como vocês definiram isso?

Only – Em nossa Resurrection Tour, em 1996, o Anthrax nos honrou fazendo o número de abertura. Agora é a nossa vez. Cada banda é um headliner em seu próprio rito. O mais importante é que o ego não tem nada a ver com isso. Os shows são tudo o que importa para os fãs, e nós estamos todos concentrados nesse propósito.

Nonada – Os Misfits estão na estrada desde o final dos anos 70. Quanto tempo mais você acha que a banda vai continuar nesse ritmo?

Only – Esta é minha vida, e isso é o que eu sou. Nós vamos continuar a fazer o que fazemos enquanto conseguirmos fazer isso bem.

Nonada – O que os brasileiros podem esperar dessa turnê? Dá para adiantar alguma coisinha sobre o setlist?

Only – O set começa com o material mais novo. Eu gosto de ver a reação das pessoas diante das músicas novas logo de cara. Me passa um sentimento sincero em relação ao que estamos trabalhando agora. Então, depois disso, nós vamos para o material clássico, incluindo “She”, que é a primeira música que eu aprendi, enquanto Glenn ainda tocava teclados! Nós tocamos músicas dos álbuns American Psycho e Famous Monsters, mais algumas do novo, The Devil’s Rain, e então “Halloween” e por aí vai. A partir disso, eu tendo a escolher canções que eu acho que os fãs irão curtir, baseado na reação deles durante o show. Eu deixo o final do set nas mãos da galera. O único problema disso é ter certeza de que a banda conheça as músicas e esteja pronta para tocá-las! (risos) Nós encerramos com “Die, Die My Darling”, como usual. É quando “Elvis deixa o recinto”…*

* “Elvis leaves the building” era uma expressão usada pelos organizadores dos shows do rei do rock para fazer com que o público, na esperança de mais um bis, finalmente fosse para casa.

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