Em "Às Vezes", a performática Tulipa Ruiz desfila cartazes a la Bob Dylan

 Fotos: Fernando Halal

 

Quem acompanha o cenário da chamada nova MPB já percebeu há tempos que existe uma interessante leva de cantoras despontando. É verdade que, em matéria de vendas, elas não são donas de números tão impressionantes quanto uma Maria Rita, por exemplo. Mesmo assim, fazem shows para um público extremamente fiel, que sabe de cor todas as músicas e as acompanha com verdadeira devoção.

Duas dessas moças estiveram recentemente em Porto Alegre. No dia 24 de maio, Tulipa Ruiz e Mariana Aydar mostraram diferentes facetas dessa nova geração em uma noite em que certamente o Opinião recebeu um de seus mais belos públicos – ok, já podem me chamar de machista por este comentário.  

Tulipa subiu primeiro ao palco. Nem poderia ser diferente, já que tem menos bagagem que a colega, e existe uma espécie de “etiqueta musical” dizendo que os novatos devem abrir para os mais experientes. No entanto, dava para ver que uma grande parcela do público (possivelmente a maioria) estava ali por ela. O repertório, quase todo autoral, baseou-se no único disco da cantora, Efêmera, cuja irresistível faixa-título abriu a apresentação.

Performática e dona de uma voz doce, a cantora santista teve a plateia na mão o tempo todo. É claro que alguns momentos são marcantes, como “Pedrinho” e “Só Sei Dançar com Você” (que recentemente ganhou status de hit ao entrar na trilha sonora da novela global Cheias de Charme). A divertida sequência de cartazes apresentada em “Às vezes”, que remete ao genial clipe de “Subterranean Homesick Blues”, de Bob Dylan, é o ponto alto do show, mas “Brocal Dourado” e “Da Maior Importância” (Caetano Veloso) não ficam muito atrás. Detalhe: a banda de apoio de Tulipa é quase familiar, já que conta com os guitarristas Luiz Chagas e Gustavo Ruiz, respectivamente, pai e irmão dela.

Mariana baseou o set em seu terceiro - e melhor - disco

A “rodada” Mariana Aydar (já são três discos no currículo) pegou um Opinião não muito lotado. Mesmo assim, não parecia nem um pouco desestimulada, e fez uma apresentação tão intensa quanto a da amiga. Desfilou versões de artistas distintos como Leci Brandão (“Zé do Caroço”), Zeca Pagodinho (“Vai Vadiar”) e Zé Ramalho (“Galope Rasante”) – estas duas últimas presentes no mais recente álbum da cantora, Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo.  

Obviamente, as músicas do novo disco dominaram o setlist, o que se mostrou um acerto, levando em conta que ele pode ser considerado o melhor trabalho da paulistana. “Solitude” e “Cavaleiro Selvagem” já têm lugar cativo nos shows, obtendo receptividade semelhante a de sucessos como “Palavras não Falam”.

Mariana parece estar naquele momento de transição de uma artista que iniciou fazendo versões (personalíssimas, é verdade) de canções alheias, e só agora começou a se arriscar mais como compositora. O que não é demérito nenhum, mas deu para perceber que o público parecia mais empolgado quando ouvia as composições dela – ou que foram feitas para ela.

Em tempo: Filipe Catto, que começou a ganhar maior destaque no cenário nacional no ano passado, deu uma canja no show das duas, temperando com “molho” gaúcho essa bela noite de MPB na capital gaúcha. Que venham as próximas.

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