Por Rafael Oliveira

Beatles num Céu de Diamantes é um espetáculo criado pelos diretores Charles Möeller e Claudio Botelho (responsáveis pela montagem brasileira da peça Hair, musical que conta a história de um grupo hippie nova iorquino). Sem falas, dez cantores-atores criam uma história a partir da interpretação de quase 50 músicas do quarteto de Liverpool. Vencedor do Prêmio Shell de teatro (arranjo musical) em 2008, o musical, depois de passar por cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Lyon, na França, se apresentou no dia 28 de junho no Teatro Feevale, em Novo Hamburgo. 

Com muitos lugares vazios, às 21h02min, as cortinas se abrem ao som de “Lucy in the sky with diamonds”. Começa a viagem pela vida e pela carreira dos Beatles.

Musical “Beatles num Céu de Diamantes” é produzido pela Aventura Entretenimento (Crédito: Daniel Sorrentino)

 A montagem conta a história de uma menina que deixa a casa dos pais para ir atrás dos seus sonhos. A passagem para a vida adulta, época de insegurança e otimismo quanto ao futuro, de novas paixões são apresentadas através de canções como “Strawberry fields forever”, “Magical mystery tour”, “Help!” e “Blackbird”. É, basicamente, uma recriação da fase jovem e conturbada de George Harrison, John Lennon, Paul McCartney e Ringo Starr que saíram ainda adolescentes de casa, queriam conquistar o mundo e sonhavam em ser um astro do rock, como Elvis Presley.

 Sem guitarras e baixo, as músicas são bem tocadas com o uso de piano, percussão, violoncelo (lindos solos em “Something” e “Hey Jude”) e violão, usado apenas em “Girl”.  O trabalho de sonoplastia é muito bem feito. Como em um conjunto coral, as vozes, afinadas e com timbres semelhantes, se unem e trazem um tom épico para as composições. A interpretação das letras e as expressões e os gestos dos atores em cada refrão também merecem destaque.

 Seguindo a diversidade musical dos Beatles, algumas músicas fogem do seu ritmo original. “While my guitar gently weeps” é apresentada como um tango, “All My Loving” mescla música latinas e se torna um bolero e “Ob-la di ob-la da” começa como se fosse uma ópera italiana. A troca de atos e de canções chama a atenção pela velocidade, organização e montagem das cenas. Os duetos são belíssimos. “Yesterday” e “Letit Be” são misturadas e enquanto uma voz  feminina canta Yesterday/All my troubles seemed so far away/Now it looks as though they’re here to stay/Oh, I believe in yesterday, a masculina sucede com When I find myself in times of trouble/Mother Mary comes to me/Speaking words of wisdom:/Let it b.

O trabalho da iluminação é bem construído e dá brilho ao espetáculo, criado a partir de um cenário simples e adequado, composto por cadeiras, malas e acessórios cênicos como guarda-chuvas, giz, bolhas de sabão e papel picado.

Depois de 84 minutos de apresentação, o musical encerra com “All You Need Is Love”, música que resume o lema das músicas dos Fab Four: a defesa do amor.  Imperdível para fãs, Beatles num Céu de Diamantes é uma peça nostálgica, que emociona pela beleza e fantasia de cada cena. Com as mãos dadas e saudando o público, o elenco é aplaudido de pé por uma plateia  heterogênea, formada de adolescentes a idosos.

Beatles num Céu de Diamantes (Brasil, 2008)
Direção:
Charles Möeller, Claudio Botelho
Roteiro:
Charles Möeller, Cristiano Gualda
Elenco:
Gottsha, Kacau Gomes, Marya Bravo, Tatih Kohler, Cristiano Penna, Fabrício Negro, Jonas Hammer, Jules Vandystadt, Raul Veiga, Rodrigo Cirne, Cristiano Gualda

*Estudante de Jornalismo da  UFRGS, mantém o blog http://cartas-brasileiras.blogspot.com.br/

 

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