Titãs apresentou o disco Cabeça Dinossauro no Pepsi on Stage na noite do dia 6 de junho.

Fotos: Mariana Gil

Com uma hora de atraso, os Titãs subiram no Pepsi On Stage na noite de quarta-feira para apresentar o disco Cabeça Dinossauro, um marco na história dos Titãs e do rock brasileiro. Branco Mello (voz e baixo), Paulo Miklos (voz e guitarra), Sérgio Britto (voz, teclado e baixo), Tony Bellotto (guitarra) e o músico convidado Mario Fabre (bateria) driblaram os já conhecidos problemas de som da casa e mostraram um show com forte influência de punk-rock, com músicas que foram além do importante vinil.

Lançado em junho de 1986, o álbum marcava a estreia da parceria do grupo com o produtor Liminha. As canções traziam letras corrosivas e irônicas, que conquistaram os fãs no momento em que o Brasil livrava-se definitivamente a ditadura militar. Nesse mesmo espírito, sem muitas frescuras e interação com o público, que reclamou da espera, os músicos iniciaram a apresentação com a faixa que dá nome ao disco. Em seguida, vieram “AA UU”, música de trabalho na época, e “Igreja”, que quase não entrou no repertório original por vontade do ex-Titã Arnaldo Antunes. Todas arrancaram gritos das poucas pessoas ali – cerca de 7 mil, menos da metade da capacidade do lugar.

Importantes na conceituação do trabalho, as imagens de capa e contracapa, “Expressão de um homem urrando” e “Cabeça grotesca”, esboços de Leonardo Da Vinci, foram lembrados no cenário. A primeira aparecia divida em painéis atrás da banda, e a segunda foi estampada no bumbo da bateria de Mario Fabre, único integrante que não pertencia à formação em 1986.

Para suprir a falta do baixista original – Nando Reis deixou o grupo em 2001 -, Branco Mello e Sérgio Britto alternaram-se no instrumento. A sequência continuou, com “Polícia”, “Estado Violência”, “Porrada”, “Tô Cansado” e “Família”, exatamente na ordem das faixas do álbum. “Bichos Escrotos” e “Homem Primata”, cantadas do início ao fim pelos fãs, deram o tom do final da primeira parte do show. A eletrônica “O Quê” anunciou o final dos primeiros 40 minutos de um Titãs visceral, quase raivoso, com arranjos bem semelhantes aos gravados há 25 anos.

Apesar do atraso, a banda fez show eletrizante em Porto Alegre.

Depois de breve intervalo, a banda voltou ao palco para mais 12 músicas. Com “Amor por dinheiro”, “Nem sempre se pode ser Deus” e “Será Que É Isso o Que Eu Necessito?”, as críticas à Igreja e ao status quo tomaram força. A situação atual do país também teve seu momento com “Aluga-se”, de Raul Seixas, e “Vossa Excelência”, precedida de discurso contra Fernando Collor, Lula e o mensalão, proferido por Paulo Miklos. “Diversão”, “Televisão”, “O Pulso” e “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana” diversificou a temática, mas não acalmou os ânimos. “Lugar Nenhum” ganhou um simbólico jogo de luzes verdes e amarelas.

O momento mais tranquilo da sessão foi “Fala, Renata”, de Sérgio Britto. Inédita, foi a deixa para os presentes recuperarem o fôlego antes do bis. Guardadas para o final, “Flores” e “Sonífera Ilha” ainda animaram os últimos instantes, com direito a chutes sincronizados no ar desferidos por Paulo Miklos e Toni Bellotto – na única tentativa de coreografia da noite. Depois de um show rápido, objetivo e enfático, com “Marvin” os Titãs despediram-se do público e do frio Porto Alegrense.

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