Sábado foi o dia de Quadrinhos na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre. Entre exposições, conversas com autores e sessões de autógrafos, o Nonada foi assistir duas mesas-redondas com quadrinistas contemporâneos.

A primeira, As Histórias e os Quadrinhos, contava com a presença de quatro quadrinistas gaúchos, contando suas experiências na área. Cris Peter, Rafael Corrêa, Paula Mastrobesti e o Dr. Insekto Luiz Gustavo Vargas falaram de suas carreiras, comentaram sobre o mercado e o campo de atuação do quadrinista e deram sugestões para quem quer se inserir na área. Com atuações profissionais e backgrounds bem distintos (Cris é colorista, Rafael faz mais cartuns e ganhou recentemente o prêmio do Salão de Humor de Piracicaba, Paula vem da literatura infanto-juvenil e está lançando seu primeiro quadrinho, enquanto Insekto trabalha com animação e quadrinhos mais undeground), os quatro autores concordaram em alguns pontos ao longo do evento. Para eles, o mercado de quadrinhos no Brasil está sim em crescimento, mas ainda é muito incipiente, e, por mais que o conceito de quadrinhos tenha se atualizado como algo não necessariamente apenas infantil, esse ainda é o maior nicho em que as editoras querem investir. Foi destacado que quadrinistas brasileiros têm muita qualidade, mas que, por não conseguirem espaço de atuação no Brasil, acabam trabalhando para editoras de outros países, principalmente estadunidenses. Um ponto muito interessante levantado pelas duas quadrinistas mulheres foi o da posição da mulher como quadrinista e sua colocação no mercado. As duas percebem que a mulher tem que ser muito direta e insistente, além de talentosa, para se inserir como profissional, em um mercado que, apesar de certa evolução, ainda é muito masculino. Ainda foi levantada a importância da internet, tanto na divulgação de trabalhos de novos artistas, como facilitadora de publicação e distribuição, mas também como fuga das grandes editoras em um viés mais alternativo/independente/underground, através de projetos de crowdfunding por sites como o Catarse.

Os quadrinistas Kreitz e Mawil conversaram sobre a atual cena dos quadrinhos na Alemanha (Crédito: Emerson Machado)

A segunda mesa-redonda, A Nova Cultura de Quadrinhos Alemães, teve participação de Mawil e Isabel Kreitz, comentários de Edgar Vasques e mediação de Augusto Paim. Com tradução simultânea, a palestra tratou da carreira e estilo dos dois quadrinistas, que comentaram também sobre tendências de quadrinhos na Alemanha e deram sua opinião sobre o que conheceram de quadrinhos brasileiros. Kreitz de Hamburgo e Mawil de Berlim representam, como reforçou Augusto Paim, duas tendências diferentes de quadrinhos alemães: uma mais séria e mercadológica, a outra mais humorística e alternativa – também representada pelas editoras que publicam cada autor (respectivamente Carlsen e Reprodukt). Edgar Vasques comentou que o estilo de ambos os colocaria na vanguarda de quadrinhos e, como costuma ser o quadrinho europeu, seria rotulado de alternativo em um mercado estadunidense. Por isso mesmo, ele afirma que o quadrinho europeu está muito à frente do estadunidense. Um ponto que foi levantado por todos foi a falta de conhecimento de quadrinhos alemães aqui, e de quadrinhos brasileiros lá, o que só aumenta a importância do evento com sua intenção de aproximar os dois mercados e a iniciativa do Instituto Goethe com o projeto Osmose. Mawil teve a sessão de autógrafos de seu livro Mas podemos continuar amigos…, primeiro a ser publicado em português, traduzido por Augusto Paim. Isabel ainda não tem nenhum de seus livros publicados aqui, tirando sua participação na biografia em quadrinhos de Elvis, organizada por Reinhard Kleist e Titus Ackermann (da qual o Nonada já falou aqui). Além disso, deve ser citada a incursão dos dois quadrinistas alemães no jornalismo em quadrinhos, Mawil em seu espaço mensal no Tagesspiegel (em seu estilo mais cronista e autobiográfico), Isabel no livro Deutschland, ein Bilderbuch, em que conta a história da Alemanha (em comemoração dos 60 anos de fundação da Bundesrepublik). A ilustração a seguir foi feita por  Mawil sobre Porto Alegre e sua experiência no Brasil, traduzido por Augusto Paim.

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