A criatividade de Tom Zé não é novidade para ninguém. Dessa vez, sua inspiração para compor foram justamente as críticas recebidas por ter feito a narração para uma propaganda da Coca-Cola.

A ideia surgiu de Marcus Preto, que escreve a biografia do compositor. Ele atinou para o fato de que as críticas publicadas na internet poderiam render uma espécie de novo ‘Imprensa Cantada’, disco lançado em 2003 cujo conceito era de fazer uma espécie de recorte dos assuntos que estavam em voga. Tom Zé, que estava chateado com as críticas, entusiasmou-se com a ideia, segundo O Globo.

Com participações de Emicida, Tatá Aeroplano, O Terno, Trupe Chá de Boldo e a Filarmônica de Pasárgada, o músico lançou hoje o EP ‘Tribunal do Feicibuqui’, com 5 faixas e disponível para download gratuito no site do cantor: http://www.tomze.com.br/.

O álbum de fato deve chegar entre julho e agosto, quando Tom Zé pretende fazer o lançamento em sua terra natal, Irará, na Bahia, e doar o cachê rebecido pela propaganda para a Lítero Musical 25 de Dezembro, banda da cidade.

“Tribunal do Feicebook não é uma resposta grosseira a quem escreveu contra ou a favor na internet. Respeito e agradeço a opinião de todos os feicebuqueiros já que fui influenciado por quem me criticou e por quem me defendeu”, observou Tom Zé no arquivo em PDF que faz as vezes de encarte.

Marcelo Segreto, guitarrista e vocalista d’O Terno, comenta: “A questão não é defender ou atacar Tom Zé. É incorporar essa tensão entre crítica e aceitação”.

No ‘Tribunal’, o músico se autoironiza nas letras. Em ‘Tom Zé Mané’,  a letra diz: “Vendido, vendido, vendido! / A preço de banana / Já não olha mais pro samba / Tá estudando propaganda”. No rap de Emicida que finaliza a música, o paulistano versa ironicamente: “No tribunal do Feicebuqui / A súplica: / Que é que custava morrer de fome só pra fazer música?”

‘Zero a Zero’ tem o seguinte excerto: “A copa aqui co qui calé? / É coco colá / Aqui copa coca acolá / Fazendo propaganda do Tom Zé”.

‘Taí’, feita originalmente para um anúncio do guaraná homônimo, tem ritmo de funk carioca. Tom Zé conta: “Esta versão foi feita para o lançamento de ‘Taí’, com Zaragoza, que tinha a conta na DPZ. Agora, 40 anos depois, Marcelo Segreto, com sua acuidade, acrescentou mais 2 estrofes para coincidir com os 3 gritos da letra. Como se vê, há muito tempo que eu estou no “pecado” da publicidade. Mas uma pesquisa indicou que a juventude preferia um rock para anúncio do guaraná”.

O Papa Francisco também entrou na roda em “Papa Francisco, Perdoa Tom Zé”: “Sou a garotinha ex-tropicalista / Agora militando em um movimento / Já não penso mais em casamento / Mas se tomo Coca-Cola acho que estou me vendendo / Papa Francisco vem perdoar / O tipo de pecado que acabaram de inventar”.

O EP finaliza com Iralá Iralá, assinada solitariamente pelo artista, em que ele cita diversas pessoas de Irará numa espécie de homenagem aos que o ajudaram na sua trajetória. Essa é a única que deve estar presente no vindouro disco.

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