Para alguns, ele é um sujeito ranzinza, amargo, que está sempre de mau humor. Para outros, é uma figura engraçada; um cara que, na busca por audiência, “curtidas” e comentários (mesmo que negativos), encarna esse personagem, sempre disposto a arranjar polêmica.

Regis Tadeu diz não ser nem uma coisa, nem outra; ele é apenas sincero. Um crítico musical sem papas na língua, como se costuma dizer. Que não tem problemas em ser visto com antipatia pelos artistas e muito menos pelo público.

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Regis começou a carreira jornalística editando revistas nos anos 90 (Crédito: Facebook Regis Tadeu)

“Cara, as pessoas estão tão acostumadas com a nossa mídia corporativista que ficam chocadas com qualquer coisa. É muita babação de ovo, tapinha nas costas, medo de magoar o artista… Tem show que é ruim pra caralho e o cara vai lá e elogia. É tanta matéria chapa branca que, quando aparece alguém e simplesmente é sincero, as pessoas ficam ofendidas”, afirma o crítico, que tem um blog hospedado no Yahoo (Na Mira do Regis). Lá, ele indica shows, resenha discos e dá sua opinião sobre diversos assuntos, não necessariamente ligados à área musical. E, claro, quando tece algum comentário mais ácido sobre algum (a) cantor (a) ou banda, é bombardeado por xingamentos.

“Estamos vivendo uma época em que o politicamente correto tomou conta, você não pode dizer nada sem tomar cuidado para não ofender ninguém. Então, frequentemente sou xingado por fãs xiitas, que não admitem que se fale algo contra seu artista favorito. Esse comportamento mostra o quão bunda-mole essa geração se tornou”, dispara. “Uma grande parte do público que utiliza a internet é de uma mediocridade tão absurda que, para se sentir relevante, fica ‘trollando’ os outros nesses fóruns. O fã que não consegue aceitar uma crítica a seu ídolo é um retardado.”

De dentista a crítico

Regis, que é dentista por formação, começou a carreira na imprensa musical quase que por acaso. Há quase 20 anos, foi sondado pelo “namorado de uma amiga da namorada” que tinha lançado a revista Cover Guitarra, só com partituras. “Ele precisava de alguém para fazer crítica musical e pensou em mim porque eu tinha uma considerável coleção de discos”, lembra. “Mesmo sem experiência, topei, e daí peguei gosto pela coisa”, ressalta. A partir daí, tornou-se diretor de redação e editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo e Cover Batera.

Em 2004, buscou ampliar os horizontes ao fundar a revista Mosh, que, assim como outras da época, acabou não durando muitas edições. “O mercado de publicações de música está morto. Sobrevive a Rolling Stone, que na verdade é uma revista de variedades. A Billboard, eu nem tenho visto mais em banca. A molecada não lê, quando muito lê na internet”, lamenta.

O terror dos calouros

A fama de mal-humorado começou a partir de uma aparição no programa SuperPop, apresentado por Luciana Gimenez. Sua famosa sinceridade impressionou Raul Gil, que o convidou para julgar os calouros que se apresentavam em seu programa. Em meio a celebridades e subcelebridades, o dentista/jornalista tornou-se o jurado “do mal”. Invariavelmente, após dar uma nota baixa a algum novato do quadro Jovens Talentos Kids, ele ouve um coro do auditório: “bode velho, bode velho!”. “Esses programas sempre têm uma espécie de Darth Vader”, ri.

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Atacando de jurado, Regis mostra todo seu entusiasmo na final do quadro Jovens Talentos Kids, no Programa Raul Gil (Crédito: Estúdio Belentani)

Ao contrário do que possa parecer, a televisão não incomoda Regis Tadeu. “É facílimo encarar a TV, desde que você não precise mentir. O que deve ser tremendamente angustiante se os apresentadores tiverem que ser falsos diante de convidados com o cérebro do tamanho de um pistache. Outro dia vi a Eliana dando risadas absolutamente falsas diante de um convidado. Nessas situações, a televisão se torna algo difícil e constrangedor.”

Do tipo que topa o que der e vier, desde que possa ser ele mesmo, Regis diz que já recebeu convite para participar de um reality show, mas recusou. “Essa espécie de programa é uma das coisas mais baixas da TV. Não agrega absolutamente nada. Pelo contrário, presta um desserviço cultural”, alfineta. Já outro tipo de reality, sobre música (The Voice, Ídolos, Superstar), ele encararia. “Já tenho compromisso com o Programa Raul Gil, mas, se a proposta fosse boa, toparia. Bastaria manter a mesma postura de sempre, de usar a minha famosa sinceridade”, afirma o crítico, que ainda apresenta dois programas de rádio, Agente 93 e Rock Brazuca, ambos na Rádio USP FM, e toca bateria no Chilli Sauce Trio.

Na mira do Regis

No Twitter, o crítico usa o @RegissTadeu para divulgar seu trabalho, dar dicas musicais e, principalmente, opinar sobre músicas e artistas, atendendo a pedidos de seus mais de dez mil seguidores. Volta e meia – especialmente quando acha que a pergunta foi imbecil –, dá respostas sarcásticas, ou então alega que faltam “duas palavrinhas” (leia-se: “por favor”).

A seguir, uma lista aleatória de estilos/artistas sobre os quais pedimos para Regis dar seu parecer. Confira:

Iron Maiden – “Continua uma boa banda, mas está meio repetitiva em cima do palco. Meio que se tornou uma espécie de  Holiday on Ice.”

Roberto Carlos – “Um grande artista, até 1976. De lá pra cá, só fez porcaria.”

U2 – “Uma grande banda, mas que deu uma tremenda patinada em seu último disco (Songs of Innocence).”

Jota Quest – “O Luciano Huck do pop rock brasileiro.”

Charlie Brown Jr. – “Foi uma banda muito relevante – para quem tinha 13, 14 anos.”

Bon Jovi – “O Daniel dos Estados Unidos.”

Lady Gaga – “Um embuste. Acha que é transgressora, mas simplesmente copia tudo o que o David Bowie fez nos anos 70, e é musicalmente muito pior.”

Funk carioca – “A coisa mais abjeta da música brasileira, responsável pelo ‘emburrecimento’ musical do povo.”

Sertanejo universitário – “Música de corno, para corno.”

Anitta – “Muito gostosa, mas com talento musical zero.”

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