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Fãs se aglomeram na frente do palco à espera da jovem sensação do folk

Fotos: Ita Pritsch

O assédio pré-show era grande, com relatos de fãs no aeroporto e no hotel à espera de Jake Bugg, o menino prodígio do folk rock britânico. No final da tarde, o público já fazia uma grande fila nos arredores do Pepsi on Stage. No entanto, quando os portões se abriram, o que se viu foi uma pista com apenas um terço de sua capacidade ocupada.

A casa não estava cheia, mas nem isso desanimou a plateia, bastante jovem e predominantemente feminina. Sorte de John Folk: poucas vezes um artista local foi tão ovacionado. Em geral, o público é pouco paciente com números de abertura, chegando a vaiar.

Pontualmente às 21h30min desta terça-feira, 25 de novembro, Bugg subiu ao palco para iniciar sua apresentação em Porto Alegre, dando início à turnê brasileira do álbum Shangri La, lançado em 2013 – antes, ele havia vindo para um único show no festival Lollapalooza. Logo de cara, o cantor mandou ver um de seus maiores sucessos, “Messed Up Kids”. Comoção geral na pista.

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Com uma banda enxuta, Bugg tocou durante pouco mais de uma hora no Pepsi on Stage

Bugg, que já entrou com o público ganho, mostrou que não é preciso de grandes parafernálias para fazer um bom show. Por sorte, a (geralmente embolada) acústica do Pepsi estava acima da média, permitindo que se ouvisse perfeitamente os arranjos simples e eficientes das canções, resumidos a violão/guitarra, baixo e bateria. Quando não se ouvia algo, era por causa da plateia: em “Seen it All”, o cantor teve dificuldades para sobrepor o coro dos fãs, que entoaram a música a plenos pulmões.

Tímido e baixinho, Bugg arrancava suspiros das meninas – muitas delas menores de idade, acompanhadas pelos pais. “Lindo” e “fofo” eram alguns dos gritos mais ouvidos na beira do palco, especialmente quando ele cantava baladas ao violão – isso quando dava para distinguir alguma coisa. Imagine se Justin Bieber tivesse uma banda, em vez de ser um cantor pop…

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Tocando baladas ao violão, Bugg arrancou suspiros das jovens fãs

Felizmente, ao contrário do pop star canadense, Bugg coloca a música em primeiro plano. Praticamente sem interagir com o público, ele apostou na consistência de seus hits para manter as coisas funcionando. E, pelo que se viu em “Two Fingers”, “There’s a Beast and We All Feed It” (melhor título) e “Lightning Bolt” (que encerrou o show), a aposta foi correta.

Com apenas dois discos na bagagem, Jake Bugg se despediu depois de apenas uma hora e dez minutos de apresentação. No entanto, foram quase 20 músicas, pouca conversa e nenhuma encheção de linguiça. Por isso, ficou de bom tamanho.

Se ele continuará a ser um fenômeno – já chegou a ser chamado de “novo Bob Dylan”, de quem diz nem ser muito fã –, isso é uma incógnita. Mas não há dúvidas de que o cara sabe o que quer, e a excelência de seu show é uma prova disso.

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