por Felipe Goldenberg e Ananda Zambi

o músico Ian Ramil participou d euma roda de conversa com os alunos de Comunicação da UFRGS
O músico Ian Ramil participou de uma roda de conversa com os alunos de Comunicação da UFRGS

Músico, compositor, criador ou filósofo. Independente de como você quer classificar Ian Ramil, com algo terá que concordar: sua sonoridade harmônica e, ao mesmo tempo, dissimulada, faz com que o seu álbum de estreia Ian o coloque num cenário próprio, como um artista consolidado, que não precise ser lembrado como “o filho do Vitor Ramil”.

Em um bate-papo descontraído com o Nonada e alunos de Comunicação Social da UFRGS, Ian, com seu estilo despojado e acompanhado por uma carteira de cigarros, esteve super a vontade na área aberta da universidade, falando sobre suas experiências, histórias, pensamentos e visões de mundo. O resultado foi uma conversa enriquecedora, intuitiva, curiosa e, além de tudo, franca. Conhecemos o Ian Ramil por trás dos microfones, e o resultado você confere abaixo.

Antes da música

Antes de viver de música, fiz dois anos de jornalismo na PUCRS e mudei para o curso de teatro da UFRGS. Nunca cheguei a trabalhar como jornalista, entretanto. Fiz quatro anos e depois fiquei só tocando. Tem gente que adora o mundo acadêmico e eu admiro isso, mas eu nunca me envolvi muito.

Primeira música

Fiz minha primeira música quando ganhei minha primeira guitarra, aos onze anos. Estava sempre tocando e compondo, mas nunca tinha colocado isso como prioridade. Quando eu vi que aquelas músicas significavam muito para além do meu apartamento, eu comecei a focar nisso, pois tocar me dava mais liberdade que o teatro e talvez mais do que o jornalismo, e eu sempre busquei essa liberdade.

Meu primeiro show foi numa galeria de arte, a convite de uma amiga. Foi numa época em que dois amigos e eu estávamos tocando e compondo muito junto nos churrascos, nas noites. Ela foi em uma noite dessas nos chamou pra tocar lá. Foi nesse dia que me dei conta de que deveria fazer aquilo pelo resto da vida.

Sobreviver de música

O que me deixa tranquilo em relação a isso é ter uma família que me apoia quando eu preciso e ter meu pai como referência, que é um artista independente que conseguiu, depois de muito custo, sobreviver só do trabalho dele. Ser músico é um processo lento para ti conseguir teu próprio público. É como um jornalista independente que faz um blog e tenta viver dele.

Ian sobre Vitor Ramil

Meu pai é muito conhecido aqui no sul, principalmente em Porto Alegre – gente que não

Ian lançou seu álbum de estreia em 2014
Ian lançou seu álbum de estreia em 2014

tem envolvimento direto com música conhece, gosta do trabalho e sempre lota os teatros. Um público já formado. Isso desperta a curiosidade das pessoas para o que o “filho do Vitor Ramil” está fazendo. Aproximação existe, mas também existe cobrança e comparação. Na verdade, o meu trabalho é bem diferente do dele. Nunca tentei continuar o legado, muito menos fugir dele.

Qualquer um pode ser músico hoje em dia?

Acho que sim, está mais fácil para qualquer um ser músico. Antigamente, era preciso que uma grande gravadora te descobrisse, e eram poucas as pessoas descobertas – não necessariamente as melhores. Ao mesmo tempo em que é mais fácil gravar e disponibilizar tuas músicas pras pessoas ouvirem, é mais difícil eles te acharem, pois é um mar de músicos iguais a ti. Não sei se no final das contas tu conseguir uma carreira consistente não é independente de qualquer outra coisa, sabe?

Influências musicais

Meus pais sempre ouviram muita música em casa. Eu fui uma criança que não cresceu ouvindo rádio, e sim Miles Davis, Beatles, Piazola, os grandes gênios da música. Lá pelos meus dez anos, passei a ouvir Paralamas, Cidade Negra, Barão Vermelho, Oasis. Mas a minha tríade fundamental é: Beatles, Radiohead e Nirvana. Comecei a gostar do Nirvana porque fiquei sabendo que eles quebravam as guitarras no palco, aí eu pegava minha guitarra de plástico e jogava ela no chão, mesmo sem ter ouvido a banda ainda.

A indústria musical anda muito misteriosa atualmente: ninguém sabe como ela funciona mais. Ou tu é um mega artista sertanejo que é investido em milhões e tá em todos os programas de TV – que são pouquíssimos – ou a grande maioria, que tá fazendo e ao mesmo tempo descobrindo como se faz.

Produção do álbum

Eu já conhecia o Matías Cella (produtor) há três anos, a gente sempre trocava material. Quando pensei em fazer o disco, eu chamei ele pra gravar comigo. Como ele mora em Buenos Aires, me chamou pra gravar lá. Meu primeiro contato com os músicos foi no primeiro dia de estúdio, mas eu já tinha referência de como eu queria arranjar minhas músicas, pois já estava experimentando em cima delas há dois anos. Daí fizemos quase todo o disco no estúdio ao vivo. Foi uma experiência bem louca, porque foi um disco expresso.

Terminei o disco e comecei a trabalhar com o Lauro Maia, que eu conheço desde criança. Ele resolveu abrir um selo, a Escápula, e a gente se juntou pra fazer esse trabalho. Começamos a planejar quando e como ia ser lançado o disco, largamos um single, depois largamos outro e fomos indo. É meio que tatear no escuro, sabe? Tu não sabe no que vai dar. Tem que ser criativo na maneira como vai botar esse trabalho pra funcionar. Sou muito chato, não me satisfaço com qualquer coisa. Gosto de aparar todas as arestas possíveis.

Indústria musical atual

A indústria musical anda muito misteriosa atualmente: ninguém sabe como ela funciona mais. Ou tu é um mega artista sertanejo que é investido em milhões e tá em todos os programas de TV – que são pouquíssimos – ou a grande maioria, que tá fazendo e ao mesmo tempo descobrindo como se faz. Tem que deixar que teu lado empresarial aflore também, de alguma maneira.

Suas composições

Elas foram feitas há uns oito ou nove anos. A mais antiga, Pelicano, eu tinha dezessete anos quando eu fiz. A mais recente eu fiz um pouco antes do disco, que é Rota, parceira minha com o Alexandre Kumpinski da Apanhador Só. Desde que eu larguei o jornalismo e depois o teatro, eu me dediquei a praticar a composição, a ficar bom nisso. E essas músicas foram resultado desse período.

Shows fora do RS

Toquei há uns dias num festival em Montevidéu, foi bem legal lá. Quando toquei em Nova York era pós-lançamento do disco e tinha uma promoção de passagem pra lá, R$ 600 de ida e volta, então eu comprei a passagem pra esse período. Tinha uma amiga minha e do Lauro que nos chamou pra fazer uns shows por lá e tal. Não foi nada planejado, aconteceu muito por acaso e o resultado foi muito legal, pois é curioso como a língua, ao mesmo tempo que te distancia do público, deixa uma sensação de que é algo curioso, diferente, exótico.

Importância da letra e da música

Acho que eu sou o oposto da maioria nesse ponto. Eu nunca me liguei muito em letra. Sempre, pra mim, a música veio antes. Às vezes eu canto uma música que nem sei exatamente do que a letra tá falando. Mas sempre que eu paro pra ler a letra, pra prestar atenção nas palavras daquela música, acabo gostando mais ainda.

Como tu compõe tuas músicas?

Acho que tem fases. Tem época que eu não componho nada, como, por exemplo, agora, que eu tô focado em fazer shows e na preparação do meu próximo disco. Faz uns meses que eu tô assim. Aprendi a aceitar isso como uma época. Antigamente eu ficava um tempo sem compor e ficava achando que nunca mais ia conseguir fazer uma música na vida, e, daqui a pouco, tu faz cinco músicas em uma semana, ou quinze em um mês. Existem épocas que tu tá mais fértil criativamente, mais propenso, mais sensível ou até mais ocioso – aquela história do ócio criativo é verdade.

Tem músicas que eu fiz primeiro a letra toda e depois musiquei; tem músicas que eu fiz toda a harmonia no violão, depois toda a melodia e “letrei”; e tem músicas que surgem a partir de um simples verso. São várias possibilidades. Gosto de variar minha maneira de compor por esse motivo.

Parcerias

Parceria é um outro processo de composição enriquecedor. Tu aprende muito com o parceiro, sabe? É muito importante. Já fiz com várias pessoas diferentes.

Tem muita gente que se apega a uma ideia e fica fixo nela. No momento que aquela ideia não agradar o parceiro, tu tem que largar na hora aquilo ali. Não pode ficar apegado, porque assim tu mela a parceria ali. É muito importante a ideia do desapego.

As pessoas vêm sendo acostumadas há muitos anos pela mídia a ouvir o óbvio, coisas completamente sem subjetividade, sem aprofundamento poético, sem experimentações. A televisão virou só um espaço de entretenimento, de anestesia para o povo.

Coletivo Escuta

Tem um coletivo aqui em Porto Alegre que se chama Escuta, formado por vários compositores da cidade. Quando a gente formou o grupo, eram todos amigos. Até que chegou num ponto em que tinha cinquenta pessoas e o negócio foi ficando mais abstrato. Ficou uma coisa de ser um catalisador da cena local da música autoral, como uma nuvem que conecta todos eles, que sempre se propôs a ser um grupo aberto que qualquer compositor pudesse entrar. Uma coisa meio utópica que acabou fazendo com que ele se dissolva, mas que ao mesmo tempo ele permaneça sem que se possa apagá-lo, de maneira mais subjetiva.

Apanhador Só

O Alexandre (Kumpinski) é um desses parceiros que eu falei sobre. É um cara com quem componho há muito tempo. A gente já fez muita música juntos, inclusive algumas gravadas por eles, algumas por mim e outras que permanecem guardadas. Cada um tem uma abordagem diferente – a minha é mais calcada no violão; a deles, num som coletivo enquanto banda.

A mídia e a música brasileira atual

As pessoas não têm tempo para ficar em casa procurando porque a maioria delas passa de manhã à noite na rotina “trânsito, trabalho, trânsito”. É o Despirocar. Tu chega em casa morto e só quer a anestesia da novela, porque o sistema te coloca dessa maneira. Se tu não é privilegiado como eu, e, imagino, como muitos de vocês, que sempre tiveram os pais dando o apoio, tu vai ter que ralar desde o início. Nosso país é um país em processo, com uma população explorada há muito tempo. Uma república bebê com uma constituição de apenas 26 anos. E aí tem essa mídia gigantesca, que chega na casa de todo mundo e faz o que quer com a cabeça das pessoas. O que a mídia disser que é verdade é o que vai ser a verdade. Eles criam a verdade. É assim com a música, com as notícias, com a política e por aí vai. Quem vai a um programa que é transmitido a milhões de pessoas? Gente com muito dinheiro por trás. E nós, artistas independentes, temos que buscar um outro viés para poder existir, porque eu sei que no mercado de massa eu não vou entrar.

As pessoas vêm sendo acostumadas há muitos anos pela mídia a ouvir o óbvio, coisas completamente sem subjetividade, sem aprofundamento poético, sem experimentações. A televisão virou só um espaço de entretenimento, de anestesia para o povo. Muita gente já está ficando saturada desse tipo de conteúdo e o mercado independente está crescendo cada vez mais, e com a internet permitindo a todos criar qualquer coisa em qualquer momento, está se criando o pensamento de que somos a melhor geração da música brasileira injustiçada pela grande mídia. Parece que debaixo dessa massa que a mídia achatou está vindo uma geração que está se impondo pela qualidade e pela consistência, não pela quantidade de dinheiro que está sendo investida por trás.

Álbum do cantor foi gravado na Argentina. (crédito: Dacom/UFRGS)
Álbum do cantor foi gravado na Argentina. (crédito: Dacom/UFRGS)

Valorização dos compositores

Acho que isso vai muito a encontro com o que estava falando antes, mas, sim, o compositor é alguém que aparece muito menos do que o do artista. Não me sinto incomodado com isso porque me considero tanto compositor quanto um artista, um pensador, um criador.

O possível fim do monopólio das gravadoras

Não sei se é possível quebrar o monopólio, mas talvez existir sem ser esmagado por elas. Temos muitos exemplos, como o Emicida, que é um cara independente com uma gravadora própria. Meu pai é independente desde os anos 80 e levou anos para conseguir se estabelecer, mas tem o público dele, faz o show dele, ganha o dinheiro dele, fabrica os próprios discos e é o seu próprio selo. Ele nunca vai ser famoso como a Ivete Sangalo, por exemplo, porque a mídia não compra e nem vende ele – além do trabalho dele ser um pouco elitizado, de certa maneira. Não é algo mega popular de fácil acesso. Talvez ele virasse uma celebridade se fosse em todos os programas de TV e tocasse em todas as rádios, entretanto. O desafio é sobreviver neste mercado.

Tua música por ti mesmo

Me perguntaram uma vez como eu definia minha música. Rotulando ela, diria que seria uma “música livre de rótulos”, porque nunca busquei fazer um estilo ou fugir de algum. A canção é pensada, e aí juntamos todo mundo, começamos a tocar, a banda vai criando e a gente vai decidindo o que é legal e o que não é, e, assim, vamos formando essa salada, essa música livre sem etiqueta.

Músicas em inglês

Hamburger e Over and Over são as músicas em inglês do meu álbum.

Hamburger eu fiz para uma peça de teatro junto com dois amigos, sendo que um deles era o diretor. Nós nos inspiramos no Gogol Bordello, gravando todo o arranjo num final de semana fazendo a trilha da peça. Eles foram dormir e eu fiquei fazendo toda a música sem letra nem nada. Ficou meio gramelô, que, no teatro, é tu usar a sonoridade de uma língua sem usar palavras dela – é usar sua musicalidade, resumidamente. Fiz isso com o inglês e, um tempo depois da peça, decidi aproveitar aquilo porque gostei muito do resultado, escrevendo tudo o que eu entendia daquele gramelô, mesmo que não fizesse sentido algum. Mandei para um amigo meu dos Estados Unidos e pedi pra que ele fizesse a mesma coisa: escrevesse tudo o que ele entendia, mesmo que não fizesse sentido. Ele me mandou a versão dele, então eu juntei ela com a minha, encaixei as palavras dentro da melodia da maneira mais fiel possível e finalizei a letra pronta. Ficou com uma letra bem surrealista e eu gostei bastante do resultado. No final acabou tendo uma unidade. Eu gosto muito do fato dela ter saído de algo totalmente despretensioso e ter terminado como uma das minhas músicas preferidas.

Over and Over foi uma letra muito mais pensada, entretanto. Foi muito trabalhado a unificação do sentido dela, uma lógica maior nela.

Divulgação e recepção pela mídia 

Eu coloquei meu álbum dentro do projeto Pró-Cultura, de Pelotas, numa divulgadora que trabalha há anos pelo meu pai, o que facilitou muito para que ela trabalhasse comigo também. A divulgadora é importante para que a música entre nesses veículos. Um jornalista de música, por exemplo, recebe uma pilha de música por dia e, por isso, não consegue ouvir tudo por falta de tempo. Quando chega através de uma divulgadora, o cara dá um outro tipo de atenção à ela.

Saiu no Globo uma matéria super legal graças ao trabalho da divulgadora, porque, se não fosse por ela, não teria chegado aos ouvidos de ninguém do jornal. Além disso, gravei o Experimente do Multishow. A repercussão foi ótima do disco. Só uma crítica negativa. E assim vai se ganhando espaço.

Próximo disco

Em janeiro vou gravar o próximo.

Tua forma de consumir música

Eu baixo musica só por torrent. Nunca paguei nada por alguma coisa na internet e a adoro por isso. No meu disco fiz a mesma coisa: é só ir no meu site e baixar minha música junto com o encarte de graça. Além disso, tem também o CD e o LP.

Na verdade, a maneira como eu mais amo escutar música é por vinil. Compro muitos vinis. Adoro ter o objeto em si, não só pela beleza dele, mas também pelo ritual de como tu ouve ele. Tu senta na tua casa, bota um vinil, ouve todo um lado e, quando ele acaba, tu vira o disco. Isso estabelece uma outra relação com a música. A relação que as pessoas estabelecem com a música, no geral, é muito como uma trilha sonora enquanto tu faz outras coisas. Eu gosto de parar e ouvir a música. Eu comprei umas caixas de sons velhas, um toca discos velho e um amplificador velho – todos inteiros – por isso. Eu boto o OK Computer do Radiohead ou o Blood Sugar Sex Magik do Red Hot Chilli Peppers e escuto no volume máximo. Mas também escuto muito música enquanto cozinho, faço alguma coisa.

Pouca gente ouve um disco inteiro hoje em dia, mesmo ele sendo é a obra toda. A ordem das músicas não é aquela por acaso, elas não estão ali de graça. Claro, existem aqueles sertanejos que fazem 13 músicas só pra dizer que é um disco, mas, na verdade, eles vão ganhar dinheiro em somente uma. Os artistas independentes, por outro lado, têm todo um pensamento em cima daquela obra, o porquê delas estarem juntas naquela ordem.

Crowdfunding

Provavelmente no próximo disco eu entre no crowdfunding, mas tá tudo muito incerto. É uma ideia muito legal, mas, claro, tu precisa ter um certo público para tanto. O interessante é que eles viram teus patrocinadores, e isso faz com que ocorra uma fidelidade, além de ser uma saída pra conseguir realizar a produção do álbum, que é muito cara. Consegui fazer o vinil e o CD do jeito que eu queria porque eu me inscrevi uns anos antes em um Edital que me possibilitou fazer tudo do meu jeito, de graça. Fazer um vinil com arte gráfica e a bolacha custa R$ 25. Aí tu faz 300 unidades, que é o mínimo que eles fazem, e já dá R$ 7.500 só de custo. Pra fazer CDs é R$ 5.000. Claro, tem uma gravadora que pensa tudo isso pra ti, mas ser independente dá nisso. No fim das contas, tô reaproveitando o dinheiro que eu ganho.

Inspiração fora da música

Charlie Kaufman é um roteirista que, no cinema, talvez ele seja meu maior ícone. Meu filme preferido é Anticristo do Lars von Trier. É um terror psicológico pesadíssimo que me fez sair perturbado do cinema. Na literatura, o livro que eu já li várias vezes é O Peru do Gordon Lish que só tem esse livro traduzido para o Brasil. Minha peça Peru Nova York foi inspirada nesse livro e em Sinédoque Nova York. 1984 do George Owell é outro que gosto muito e já li várias vezes. Pintura nunca entendi porque mas era fissurado no Mondrian quando eu era pequeno. Gostava muito do Dalí também quando era menor. O Van Gogh também é animal. A Marina Bravovids. Isso tudo vem junto com as músicas, a vivencia que tu teve, as pessoas a tua volta, de alguma maneira vem inserido nas tuas músicas.

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