Jean Wyllys falou para mais de 150 pessoas no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (crédito: Mariana Fontoura/ Feira do Livro/ divulgação)
Jean Wyllys falou para mais de 150 pessoas no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (crédito: Mariana Fontoura/ Feira do Livro/ divulgação)

Na tarde da última sexta-feira (14), uma das vozes progressistas mais representativas de nosso país ecoou em Porto Alegre. O deputado federal Jean Wyllys, do Psol, falou para mais de 150 pessoas no auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. Aplaudido em vários momentos da palestra, o político compartilhou com o público suas opiniões sobre cultura e sobre temas recorrentes nas pautas dos Diretos Humanos, como a violência, o racismo e a legalização e descriminalização da maconha.

Jornalismo e cultura

Jean veio ao estado divulgar seu quarto livro: Tempo Bom, Tempo Ruim – Identidades, Políticas e Afetos, onde relata sua história de vida, desde os tempos difíceis da infância na cidade de Alagoinhas, na Bahia – onde convivia com a fome e com o pai alcoólatra – até os tempos de luta política. Segundo o político, a obra foi pensada para seus leitores das redes sociais, a partir de uma estrutura narrativa atraente e uma linguagem informal.  O escritor Jonathan Fraser foi a escolha de Jean para resumir o motivo de escrever: “o que um escritor faz nada mais é do que falar de si mesmo para tocar o outro”.

Ainda sobre cultura, Jean criticou o menosprezo das elites ao consumo cultural popular. “Os pobres têm que ter acesso à arte de elite, têm que poder ir ao teatro, conhecer as vanguardas artísticas, mas não se pode desprezar o popular como algo menor”. O deputado também defendeu o conteúdo televisivo, especialmente as telenovelas. “A TV humaniza, traz uma dimensão lúdica para a vida das pessoas”, opinou. Falando sobre o Big Brother, reality show do qual ele saiu vencedor em uma das edições, Jean disse que se inscreveu para estudar o fenômeno. “Eu via meus alunos fascinados com o programa, enquanto os articulistas de segundo caderno estavam com o mesmo blábláblá, usando de forma errada as teorias frankfurtianas”, resumiu o deputado, que já foi professor de Jornalismo.

Também não faltaram críticas ao jornalismo, que segundo o deputado, trata a violência nas comunidades pobres como algo natural. O caso de Claudia Silva, vítima de um tiroteio que foi arrastada por um carro da polícia militar, foi o exemplo citado pelo palestrante.

Política e direitos humanos

Tempo Bom, Tempo Ruim é o quarto livro lançado pelo deputado (crédito: Mariana Fontoura/ Feira do Livro/ Divulgação)
Tempo Bom, Tempo Ruim é o quarto livro lançado pelo deputado (crédito: Mariana Fontoura/ Feira do Livro/ Divulgação)

Sobre seu dever como político, Jean destacou sua inclinação aos temas relativos ao Direitos Humanos, cujo fundamento ele definiu como “a preocupação com o outro”. Segundo o deputado, o poder legislativo brasileiro é muito conservador e determinado pela “força da grana”. Nesse meio, sua estratégia é o diálogo com a sociedade civil. “Me ponho em contato com a sociedade para fortalecer a minha luta”, declarou.

Além disso, teceu críticas aos recentes candidatos à Presidência da República Marina Silva e Aécio Neves, afirmando que Aécio, nascido em um meio privilegiado e herdeiro político de Tancredo Neves,  não tem moral para falar sobre meritocracia.  “A única meritocracia da qual ele pode falar é a hereditária”, sentenciou.

Legalização e descriminalização da maconha

O político também falou a respeito de seu projeto de lei na câmara, que descriminaliza e regulamenta toda a cadeia produtiva e o comércio da planta. “Meu projeto não é contra a liberação, porque a maconha já está liberada de qualquer controle”, explicou. Sobre o futuro do projeto, Jean afirmou que está otimista com o diálogo na câmara, e citou personalidades como Koffi Anan e Fernando Henrique Cardoso, além dos exemplos do Uruguai e do estado americano da Califórnia para  exemplificar os avanços na área.

Jean citou ainda os usos medicinais da maconha e disse que os malefícios da planta são algo propositalmente colocado no imaginário das pessoas. “Por que as pessoas podem  tomar doze doses de uísque, mas não podem fumar quando chegam em casa depois de um dia de trabalho? Temos que começar um movimento de saída do armário das pessoas que fazem uso recreativo da maconha”, propôs, recebendo aval da platéia.

 

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