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Jão, João Gordo, Juninho e Boka (ao fundo): repertório novo e a mesma loucura de sempre

Fotos: Ita Pritsch

Aviso aos incautos: esta não é uma resenha tradicional de show. Afinal, quando você já viu uma banda algumas vezes, e, principalmente, já escreveu sobre a performance dela ao vivo, é praticamente impossível não se repetir. A não ser que seu objeto de análise se transforme radicalmente de uma apresentação para outra. Não é este o caso do Ratos de Porão.

O quarteto paulista é uma espécie de Ramones brasileiro – embora mais agressivo e turbinado –, que, no palco, mantém uma regularidade impressionante. Quem viu uma vez sabe exatamente o que esperar. E, mesmo sabendo, vai querer ver novamente, tantas vezes quantas forem possíveis. Por isso, em vez da famigerada resenha de show, peço licença para escrever um simples relato do que testemunhei na noite de segunda-feira, 8 de novembro, no Opinião.

Parceiros fiéis do projeto Segunda Maluca, os ratos são sinônimo de bom público, sempre. Mesmo com a chuva que caía em Porto Alegre (e que veio a calhar, dando uma aliviada no calor), os fãs não perderiam a oportunidade de conferir in loco o maior nome do hardcore nacional.

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Aos 50 anos, Gordo continua sendo um dos melhores frontmen do HC mundial

Ao se aproximar do bar, já era possível encontrar aquelas pessoas que você acaba vendo apenas em ocasiões como essa: o coroa cabeludo do metal extremo; os punks da periferia; a mina do estúdio de tatuagem; os jornalistas dos sites especializados. Todos em clima de comunhão, para vivenciar um ritual já conhecido, mas que ainda assim sempre causa um grande impacto.

É interessante pensar que, à exceção do baixista Juninho, os demais integrantes já são quarentões – quer dizer, Jão (guitarra) e Boka (bateria), já que o vocalista João Gordo fará 51 anos em março. Porque somente olhando para o palco e prestando atenção à­s marcas do tempo (Gordo e seu cavanhaque completamente branco, por exemplo) é que você pode dizer que ali em cima está uma banda veterana. A pegada dos caras é simplesmente arrasadora, e arrisco dizer que muito adolescente não teria a capacidade de aguentar o tranco tocando com tanta intensidade.

O show começa com “Conflito Violento”, paulada do novo disco, Século Sinistro, que, obviamente, tem algum destaque no repertório. No entanto, como o próprio Gordo ironizou: “Disco novo aí… Mas música nova não interessa, o que interessa é música velha, caralho!” E tome “Ascensão e Queda”, “Crucificados pelo Sistema”, “Anarkophobia”, “Vida Animal”, “Pobreza”, “Diet Paranoia”, Crocodila”, “Beber até Morrer”, “Sofrer”… Ah, eu disse que isso não era uma resenha tradicional, então foi mal pela breve citação ao setlist.

Em dado momento da apresentação, Gordo define a si e aos companheiros: “tiozinhos a mil por hora”. Mesmo em tom de deboche, não deixa de ser uma boa expressão para definir uma banda que envelhece, mas não pisa no freio – ao contrário de muitas por aí que acham que amadurecimento é sinônimo de “bom-mocismo”…

O show é breve, pouco mais de uma hora e dez minutos, mas cada um desses minutos vale muito a pena. Agora é torcer que eles mantenham a tradição e deem as caras por aqui no ano que vem. Ok, a gente sabe exatamente o que esperar, mas, mesmo sabendo, vai querer ver novamente, tantas vezes quantas forem possíveis.

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Em tempo: a banda Xamorx fez um bom show de abertura, apresentando um som semelhante ao da atração principal (pode parecer óbvio, mas quantas vezes não vimos escalações esdrúxulas em números de abertura?), defendendo a cultura straight edge e conclamando o público a prestigiar mais os grupos locais. Provavelmente ganhou novos fãs.

 

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