Texto Airan Albino

Fotografia Mariana Gil

Diogo Nogueira fez show no dia 11 de abril em Porto Alegre

Mesmo sem fazer parte do repertório apresentado na noite de sábado (11) no Opinião, a canção Espelho – eternizada pela voz de João Nogueira (1941-2000) – sintetiza o momento de seu filho, em que o nome Nogueira se mantém forte no samba. A canção foi lançada em 1977 e contava a história de vida de João, um jovem que perdeu o pai, se frustrou no futebol, que teria que tocar vida e não desapontar seu falecido pai. Diogo Nogueira herdou não só a história, o timbre e o público de João, mas despertou o interesse de muita gente para o samba. A casa estava, predominantemente, tomada por mulheres que já tinham algumas décadas de primavera. Entretanto, rostos novos também cantaram verso a verso letras que possuem mais de 30 anos.

Diogo iniciou seu show fazendo uma dupla homenagem, a seu pai e à Clara Nunes, cantando Mineira. A música foi feita por João após a morte precoce de Clara, em 1983, aos 42 anos. A ideia da apresentação era cantar grandes sucessos, próprios e de outros ícones. O puxador do Império Serrano Roberto Ribeiro (1940-1996) teve seu tributo com Vazio e Todo Menino é um Rei. Integrante da ala de compositores da Portela, Agepê (1942-1995) foi representado com Deixa Eu te Amar. Assim como faz em seu programa de televisão Samba na Gamboa, Diogo gosta de relembrar nomes da Música Popular Brasileira. Conforme o próprio sambista, Emílio Santiago (1946-2013) foi um dos principais intérpretes do Brasil, logo Verdade Chinesa não poderia faltar.

Alma Boêmia, de  Toninho Geraes, foi uma sensação nas rodas de samba do Rio de Janeiro, e em Porto Alegre não foi diferente, todos acompanharam. A interação com o público é constante. Entre uma música e outra, Diogo pergunta se o show está agradando e arrisca alguns passos que, claro, recebem um feedback instantâneo: gritos femininos. Já Que Tá Gostoso Deixa (Ai, mata o papai) foi a prova disso. O hit do Art Popular sanou os corações que foram apreciar a beleza de Diogo. Porém, exagerar estraga o clima. Durante um pot-pourri de músicas de Beth Carvalho, uma fã puxou forte a mão dele, quase arrancando a aliança do cantor. Provavelmente acostumado com excessos, ele continuou o show, mas teve que aguentar as brincadeiras dos componentes da banda, que gozaram da situação.

Cantor trouxe novas músicas para o palco do Opinião

Dentre suas composições, Diogo Nogueira cantou Fé em Deus e Tô Fazendo a Minha Parte. A segunda fez parte do álbum que lhe deu um Grammy Latino em 2010. No segundo semestre deste ano, ele vai lançar mais um projeto, e apresentou duas faixas no Opinião, Clareou e Porta-Voz da Alegria. As duas bem recebidas pelo público.

As homenagens não pararam por aí, a lista de canções escolhidas pelo cantor eram assinadas por pilares do samba, como Casa de Bamba de Martinho da Vila, Foi um Rio que Passou em Minha Vida de Paulinho da Viola, Coração em Desalinho de Zeca Pagodinho e Não Deixe o Samba Morrer de Alcione. Interessante foi ver Diogo diversificando sua paleta de gêneros. Ele cantou O Que É, O Que É? de Gozaguinha, Descobridor dos Sete Mares de Tim Maia, De Volta pro Aconchego e Pedras que Cantam de Dominguinhos e Frevo Mulher de Zé Ramalho.

O encerramento foi em ritmo de Carnaval, com dois sambas-enredo da União da Ilha do Governador e um do Salgueiro, De Bar em Bar, Didi um Poeta (1991) Festa Profana (1989) e Peguei um Ita no Norte (1993). Ao final, ele jogou toalhas para o público, que se matou para pegar. Terminado o show, o sambista chamou todos integrantes de sua banda para agradecer aos presentes, em troca recebeu outro puxão, dessa vez no pé. É, ninguém mandou ser bonito, Diogo.

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