Fotos Ita Pritsch

Em pouco mais de 1h30min, banda mineira desfilou antigos sucessos e candidatos a hit
Em pouco mais de 1h30min, banda mineira desfilou antigos sucessos e candidatos a hit

Mesmo para uma banda que emplacou hit em japonês, lotou teatros tocando instrumentos de brinquedo e fez um país cantar os versos “eu tomo pinga, será que isso é bom ou ruim”, 23 anos de carreira e uma discografia sólida parecem piada ou um delírio adolescente. Mas o Pato Fu não é qualquer grupo. Os mineiros estiveram no Opinião no último sábado, 9 de maio, lançando o seu décimo álbum, Não Pare Pra Pensar, e improvisaram uma grande e animada festa em família.

Queridinhos das FMs e com um currículo que inclui temas de novela e especiais da MTV, eles poderiam muito bem priorizar o seu talento pop-chiclete e manter-se na zona de conforto que acomete tantos artistas com décadas nas costas. Felizmente, não.

Apagam-se as luzes e logo surge no palco o quinteto liderado por Fernanda Takai. A noite começa com uma sequência improvável de quatro novas canções: “Não Pare Pra Pensar”, “Eu Era Feliz”, “Ninguém Mexe com o Diabo” e “Um Dia do Seu Sol”. O que poderia ser um suicídio comercial, o Pato Fu tira de letra. Todas elas têm boa resposta do público e não deixam dúvidas de que: 1) o disco novo é mais dançante e menos experimental que os anteriores, e 2) você pode chamar a banda de tudo, menos acomodada.

O visual é divertido e funcional e acompanha a fase meio “largada” da banda: nas laterais do palco, duas telas complementam as imagens do telão principal e, com o auxílio de projeções, às vezes assumem a forma de amplificadores. O efeito é bacana. Figurinos futurísticos à la Devo, com a vocalista assumindo o papel de comandante de espaçonave e os demais integrantes trajando macacões verdes com símbolos de disco voador, completam o espetáculo.

Fernanda Takai, uma das presenças mais doces do pop nacional
Fernanda Takai, uma das presenças mais doces do pop nacional

Claro que a chegada do primeiro hit da noite, “Depois”, é o que finalmente põe a casa abaixo. A canção vem de mansinho e é logo acompanhada por coros de todas as partes. “Ando Meio Desligado”, a dramática versão do clássico dos Mutantes, aparece em seguida e também arranca suspiros e aplausos.

Os ares de “banda família”, reforçados ainda mais pela turnê anterior Música de Brinquedo (2010), seguem a pleno vapor. Mas a pegada rock também fala alto. A entrada do baterista Glauco Mendes (ex-Tianastácia) trouxe peso à banda e isto fica evidente em momentos como “Rotomusic de Liquidificapum”, faixa-título do disco de 1993, emendada com a já tradicional releitura hardcore do tema dos Flintstones.

A guitarra new wave de John Ulhoa, 49 anos, cérebro musical do grupo e que vem abastecendo o pop rock nacional com ótimos riffs e solos nas últimas décadas, está mais econômica e certeira que nunca. O bom humor também segue afiado. Ao assumir o microfone na acelerada “You Have to Outgrow Rock’n’Roll”, ele pergunta se alguém na plateia anda de skate. Para sua decepção, nenhum adepto do esporte – mas nada que o impeça de começar a soltar decibéis como se estivesse num show de punk californiano.

O baixista Ricardo Koctus e o tecladista Lulu Camargo ajudam a decorar a paisagem sonora com detalhes tão densos quanto sutis, especialmente nas composições mais novas, como “Pra Qualquer Bicho” e “Cego Para as Cores”.

Belo show de uma banda que sabe o que quer, ou que ao menos aproveita o momento. E quem da plateia não se emocionou relembrando o solo de “Sobre o Tempo” ou com a energia depositada em “Eu”, cover da Graforréia Xilarmônica, possivelmente precisa de terapia.

Mais fotos no álbum do Nonada no Flickr.

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