Killers traz relação complicada entre dois assassinos (Crédito: Divulgação)
Killers traz relação complicada entre dois assassinos (Crédito: Divulgação)

Killers (Idem, Japão, 2014)

Direção: Kimmo Stamboel e Timo Tjahjanto

Roteiro: Takuji Ushiyama e Timo Tjahjanto

Elenco: Kazuki Kitamura, Oka Antara, Rin Takanashi e Luna Maya

A morte, para muitas pessoas, não é apenas o fim da vida. Para algumas, é um vício pessoal, para outras, é uma ferramenta de justiça no mundo – algo como olho por olho, dente por dente. São esses temas que influem sob a trama principal da produção japonesa Killers.

Nomuro (Kazuki Kitamura) está nas faixas dos seus trinta e poucos anos, é rico e sedutor. Porém, ele é um serial killers de mulheres e posta todos os seus assassinatos em um site para que as pessoas vejam. Já Bayu (Oka Antara) é um jovem jornalista investigativo que, no passado, tentou, em vão, denunciar e prender o poderoso Dharma (Ray Sahetapy). Após uma tentativa de assalto, Bayu acaba matando os assaltantes e filma, para, em seguida, postar na internet. Isso atrai a atenção de Nomoru, que descobre sua identidade e vai tentar ao máximo despertar esse lado sombrio de Bayu.

Escrito e dirigido pelos Mo Brothers (Kimo Stamboel e Timo Tjahjanto), o longa cria ambientes completamente diferentes entre Nomuro e Bayu. O primeiro, vive em uma mansão espaçosa, com uma pintura e moveis de tom neutro, o que revela muito sobre sua personalidade fria. Além disso, os diretores escolheram filmar suas cenas com a câmera em um tripé e em planos que o isola das demais pessoas. Como, por exemplo, quando ele está treinando golfe, Nomuro aparece sozinho no meio da tela – enquanto uma moça, que está ensinando um idoso a jogar, fica no canto direito da tela.

Já o local de moradia de Bayu é uma apartamento pequeno, com várias fotos e recortes de jornais. O espaço é bem mais colorido e cheio de caixa de mudança. E nos indica que o personagem está se divorciando da esposa (Luna Maya) e que se esforça para continuar a boa relação que tem com a filha Elly (Ersya Aurelia). Isso contrasta com a personalidade de Nomuro, demonstrando que ele possui uma vida completamente diferente e que seus dilemas são mais emocionais do que psicológicos. Para isso, os diretores utilizam a câmera na mão, a fim de transmitir a sensação de inquietação e conflito.

O mais interessante da obra, entretanto, não é mostrar apenas dois homens matando pessoas, e sim reforçar o efeito dos personagens quando, aparentemente, eles parecem trocar de vida. Nomuro encontra a floricultora Hisae (Rin Takanashi) e começa, aos poucos, a contar um pouco sobre seu passado. São os únicos momentos em que vemos o personagem em um ambiente repleto de cores. Essa relação começa a afetar o modus operandi de Nomuro, que tem que escolher entre continuar a relação ou manter o seu vício por matar. Enquanto isso, Bayu, depois do incentivo de Nomuro, entra no universo de fazer justiça com as próprias mãos, visando matar Dharma e seus comparsas, como símbolo de vingança. A escolha por vingança acaba despertando um lado nervoso no personagem e o afastando de sua família.

Com uma fotografia maravilhosa, Killers utiliza uma montagem mais lenta – muito diferente da linguagem norte americana nesse gênero – e mesmo assim consegue prender a atenção do telespectador. Apesar de ter uma conclusão abaixa das demais partes do filme, a produção consegue criar um final irônico e interessante. O longa constata que o cinema japonês é um dos melhores cinemas do mundo.

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