Continuação não tem o mesmo ímpeto cômico, mas ainda surpreende. (Crédito: divulgação)
Continuação não tem o mesmo ímpeto cômico, mas ainda surpreende. (Crédito: divulgação)

New Kids Nitro (Idem, Holanda, 2011)

Direção e roteiro: Steffen Haars e Flip Van der Kuil

Com: Huub Smit, Tim Haars, Wesley van Gaalen, Steffen Haars, Flip Van der Kuil, Bart de Rijk, Ruud Matthijssen, Guido Pollemans, Sjaak-Pieter van Es, Juliette van Ardenne, Lars Boekhorst, Juul Vrijdag, Max van den Burg e Daan van Dijsseldonk.

Um dos motivos que fazem New Kids Turbo funcionar tão bem é reconhecer que seus personagens são imbecis demais para sustentar uma história; assim, parte da graça vem da maneira aleatória com que a narrativa avança. Já a sequência New Kids Nitro erra justamente ao buscar uma trama mais fechada. Não que ele abandone por completo o estilo caótico do original, mas claramente busca criar uma cadeia de eventos num formato mais tradicional, o que tira um pouco do charme do filme.

Já iniciando com uma brincadeira metalinguística que, infelizmente, não funciona tão bem quanto a do original, New Kids Nitro retoma os heróis (*cof cof*) exatamente na mesma posição de mediocridade e senso estético duvidoso do anterior. Agora, sua cidade vem sendo constantemente vandalizada por seus pares igualmente patéticos da cidade vizinha. Enquanto os dois grupos trocam provocações e se desafiam em rachas, o leite contaminado de uma vaca que lambeu um meteorito (não perguntem) passa a transformar quem o bebe em zumbis, levando o governo holandês a correr em busca do auxílio dos New Kids.

Embora continue a não centrar a totalidade de suas piadas no texto, New Kids Nitro já não mostra a mesma criatividade para as gags físicas, repetindo várias vezes a piada do atropelamento que, se fazia rir no original justamente por surgir nos momentos mais inesperados, aqui a piada se mostra repetitiva, soando cansada mesmo quando os diretores tentam fazer algo de novo com ele. E pela via contrária, algumas tentativas de subverter situações anteriores também não são bem sucedidas, como a já mencionada introdução metalinguística (que priva o público da surpresa ao surgir logo de cara) e os interlúdios do Ministro da Defesa. Além disso, há dois ou três momentos em que Nitro extrapola o politicamente incorreto e se torna gratuitamente ofensivo.

Isso não quer dizer que todo o o timing para a comédia foi perdido, claro, pois, de modo geral, o índice de piadas eficazes continua alto, indo desde bobagens como venda de comida e maconha em meio ao um ataque zumbi (para satisfação do grupo, claro; afinal, é preciso ter prioridades) até uma zoação absurda com o “heroísmo descamisado” quando o “líder” não se contenta com isso, partindo para cima dos comedores de cérebro completamente nu. E também possui sua parcela de gags inspiradas, como aquela envolvendo as cobaias para o teste de um carro e alusões ao gênero “épico” (as gangues marchando como um exército em slow motion, com direito até a estandartes). E se Haars e Van der Kuil voltam a acertar, por exemplo, no uso da trilha sonora (o exagero dos acordes dramáticos em certas cenas acentua o tom de ridículo), ainda incluem uma curiosa referência estilo Grindhouse aos filmes de zumbi, geralmente de baixo orçamento: nesses momentos, o filme assume uma estética mais granulada e “suja” e o tom tende ao sépia, como numa velha cópia desgastada – algo que prontamente some quando a situação é normalizada.

Conseguindo ser ainda mais grosseiro e nonsense que o antecessor, New Kids Nitro fica num patamar inferior por ocasionalmente se perder com sua narrativa mais convencional povoada por personagens que não funcionam tão bem numa. Fiel à vocação de “não ser para qualquer espectador”, esta continuação deve agradar aos fãs do original. Mas quem desprezou aquele filme deve fugir correndo deste.

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