Comédia de horror se funde ao estilo mockumentary. (Crédito: divulgação)
Comédia de horror se funde ao estilo mockumentary. (Crédito: divulgação)

O Que Fazemos nas Sombras (What We Do In The Shadows, 2014, Nova Zelândia/EUA)

Direção e roteiro: Jemaine Clement e Taika Waititi

Com: Taika Waititi, Jemaine Clement, Jonathan Brough, Cori Gonzalez-Macuer, Stuart Rutherford, Rhys Darby, Jackie Van Beek e Ben Fransham

Direto ao ponto: que grande surpresa é O Que Fazemos nas Sombras. Lançado em 2014, é um absurdo que ele permaneça inédito no circuito brasileiro; nos EUA, o longa neozelandês só conseguiu distribuição após meses de campanha de crowdfunding. Sorte do público do Fantaspoa, que pôde conferir esta que é, fácil, a mais hilariante comédia de terror a ganhar as telas desde Todo Mundo Quase Morto – e lá se vão dez anos.

O longa é escrito, dirigido e estrelado por Jemaine Clement e Taika Waititi, dupla revelada no seriado musical Flight of the Conchords. Aqui, a premissa é original e a execução, um primor. Trata-se de um “mockumentary”, falso documentário ao estilo Isto É Spinal Tap, que acompanha o dia a dia de um grupo de vampiros centenários que dividem uma casa em Wellington, na Nova Zelândia atual.

Cada integrante da casa tem suas particularidades. Viago (Waititi) é o dândi efeminado; Vladislav (Clement) segue o tipo “Conde Drácula sexy”; Deacon (Brough) é o rebelde sem causa; e Petyr (Fransham) é o Nosferatu do grupo e vive recluso no porão. Numa espécie de reality show com direito a entrevistas e depoimentos, as filmagens mostram a rotina deles algumas semanas antes do “Baile de Máscaras Profano”, uma reunião secreta de seres sobrenaturais que habitam nosso mundo. Até lá, nossos amigos dentuços se veem às voltas com problemas mundanos de qualquer flatmate, como pagar contas, decidir quem vai lavar a louça e demais regras de convivência.

Há situações que encheriam de orgulho o Roman Polanski de A Dança dos Vampiros. Numa delas, Viago prepara um jantar à luz de velas para uma de suas vítimas, mas não esquece de colocar jornal embaixo dos pés dela para evitar que o sangue suje o tapete. Aqui e ali, há citações impagáveis a Crepúsculo e Os Garotos Perdidos, além de gags com o Google e cutucadas virtuais. Alguns conflitos envolvem a rixa com uma gangue de lobisomens, e há brincadeiras com o imaginário dos vampiros, como a tradicional impossibilidade de entrar nos lugares sem ser convidado.

Com diálogos memoráveis e uma trilha sonora escolhida a dedo, este é um cult instantâneo e, desde já, sério candidato a melhor longa internacional do festival.

O Que Fazemos nas Sombras será exibido novamente dia 25/05, às 17h, no CineBancários.

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