Abordagem de violência gráfica é ancorada numa trama básica. (Crédito: divulgação)
Abordagem de violência gráfica é ancorada numa trama básica. (Crédito: divulgação)

The Dead Lands (Idem, Nova Zelândia/Reino Unido, 2014)

Direção: Toa Fraser

Roteiro: Glenn Standring

Elenco: James Rolleston, Lawrence Makoare, Rena Owen, Te Kohe Tuhaka, Xavier Horan, Raukura Turei e George Henare.

Candidato da Nova Zelândia à vaga do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015, The Dead Lands surge como uma aventura atipicamente brutal num gênero que muitas vezes exagera na assepsia, além de se destacar por situar sua história dentro da cultura maori e usar o dialeto dos nativos do país. Assim, é pena que o longa seja apenas regular, cuja encenação vigorosa da ação encontra-se associada a uma historinha pouco cativante.

The Dead Lands acompanha o adolescente Hongi (Rolleston), que durante uma negociação de paz entre sua aldeia e uma tribo rival, descobre a malícia do líder Wirepa (Tuhaka). Escapando de um ataque do bando de Wirepa que vitima seu pai e todos os homens de sua tribo, Hongi jura vingança e decide partir para as “Terras Mortas” do título, que supostamente tem esse nome pela morte do grupo que lá vivia pelas mãos de um monstro. Tal monstro se revela um perigoso Guerreiro canibal (Makoare), a quem Hongi busca como aliado em sua vendeta.

Esquemático no trato dos personagens, a relação entre Hongi e o Guerreiro evolui para uma dinâmica meio mestre-e-aluno, meio pai-e-filho, mas sem que isso acabe soando muito convincente ou importante para a narrativa. O resultado é que, além dessa relação ser pouco envolvente, isso ainda fragiliza o final do segundo ato, quando o roteiro força um grupo de novos personagens cuja única função é criar um conflito entre a dupla principal (e que não tem qualquer consequência posterior). Além disso, Hongi está longe de ser o mais carismático dos heróis, servindo como mero suporte do bem mais curioso Guerreiro. E por que a inclusão promissora de um grupo de bruxas é rapidamente abandonada?

Portanto, o elemento que realmente deixa The Dead Lands acima da média é sua competência visual. Acertando logo de início ao usar cores como forma de diferenciar as duas tribos (os vilões do grupo de Wirepa são bastante ligados ao azul, enquanto a tribo de Hongi tem um tom mais inclinado ao vermelho), o diretor Toa Fraser, mesmo que por vezes exagere nos movimentos de câmera durante os vários confrontos físicos, os coordena com uma brutalidade que confere peso a todos os movimentos dos participantes. Além disso, o uso que o cineasta faz da violência gráfica não se limita às lutas (as pequenas e afiadas clavas maoris fazem bastante estrago), rendendo também momentos de surpreendente humor negro, como a maneira casual com que o Guerreiro decide o que fazer com os inimigos que matou.

Trazendo um desfecho relativamente inesperado (e bastante eficiente) após a matança que o antecedeu, The Dead Lands deixa a sensação de que poderia ter sido melhor, mas sua curta duração e abordagem crua e direta dificilmente provocarão um sentimento de perda de tempo.

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments