Fotos: Fernando Halal

Se há algo que ainda perdura em meio aos eternos revivais e funerais do movimento punk é o espírito empreendedor da contracultura setentista, o chamado “do it yourself”, ou simplesmente DIY. Em vez de ficar em casa vendo TV e reclamando de como o sistema é mau e de quanto o mundo é injusto, arregace as mangas e faça você mesmo.

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Misturando do punk à surf music, Phantom Powers abriu a noite

É com essa premissa que ocorreu, nesta terça-feira, dia 19 de maio, no Paraphernalia Bar, a segunda edição do festival Do It Yourself. Bandas independentes de Porto Alegre, com um bom repertório autoral, unidas pelo puro prazer de tocar, mesmo que para poucas pessoas – dois terços dos 180 e tantos confirmados no Facebook acharam que o importante mesmo era marcar presença na rede social.

As atrações da noite eram familiares para quem conhece a cena rock porto-alegrense. Há algum tempo na estrada, o duo Phantom Powers, formado por Tio Vico (voz, violão e ritmo) e Ray Z (guitarra), vem fazendo seu nome nos inferninhos da cidade. Apesar da formação, digamos, compacta, o som dos caras passa longe do acústico de boteco, com uma mistura interessante que vai do punk à surf music. Na ocasião, a banda lançou o single “Rock and roll Is Damn Good”, além de tocar várias faixas de seu ótimo EP de estreia, como “I Have to Move Along” e “Mother Nature’s Call”, e um improvável cover de “Pyscho Killer”, do Talking Heads.

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Com duas décadas de estrada, Walverdes mostrou que continua em forma

Há duas décadas resistindo no underground, a Walverdes encerrou a noite com a competência de praxe, e nem o sumiço dos palcos – a banda está finalizando um novo álbum – enferrujou Gustavo “Mini” Bittencourt (vocal e guitarra), Julio Porto (guitarra), Patrick Magalhães (baixo) e Marcos Rubenich (bateria). Apesar de o som do microfone de Mini estar um pouco baixo, deu pra bater cabeça com “Altos e Baixos”, “Seja Mais Certo”, “Anticontrole” e outros clássicos do mundo “walverdiano”. Para encerrar, o medley de “Sweat Leaf”, do Black Sabbath, com o dub “Demasiada Sequência”, já tradicional nas apresentações da banda. Torçamos para que o sucessor de Breakdance (2010) venha nesse nível.

A sensação no fim de noite era um misto de nostalgia – por remeter a um tempo em que bares como os finados Dr. Jekyll e Garagem Hermética recebiam o melhor da cena independente – e de excitação – por ver que essa realidade não precisa ficar no passado. Bandas, produtores e toda a cadeia que envolve a cena musical parecem estar engajados, como mostram o Brgamota Nights (resenha aqui) e o vindouro Paraiba’s Festival. Agora é hora de o público dar as caras e não deixar essa cena morrer.

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