Fotos Mariana Gil

Seu Jorge
Com um look de quem já se acostumou com baixas temperaturas, Seu Jorge começou o show com novas canções.

Foi no último sábado de maio (30) que o outono demonstrou os seus nuances em Porto Alegre. O termômetro marcava 10º, mas qualquer um que estava ali sabia que essa temperatura era mentira. Entretanto, um cara fez valer a coragem das pessoas que encararam esse frio: Jorge Mário da Silva. Melhor definido como Seu Jorge (apelido dado pelo baterista Marcelo Yuka), o cantor, dos mais populares do Brasil, estava lançando sua nova turnê. Era a apresentação de seu recente trabalho, lançado em março de 2015, Músicas Para Churrasco Vol.2.

A maioria do público chegou próximo do horário estipulado para início do show, 22h30min. Com o primeiro lote de ingressos esgotados para pista e mezanino, o cantor carioca mostrou porque a escolha pelo Pepsi On Stage – um dos maiores locais para show da Capital – foi acertada. Do grupo de amigas que recém entraram na universidade, ao experiente casal que aprecia Música Popular Brasileira (MPB). Dos registros pelo Snapchat a Tekpix. Não havia uma faixa etária exata aos interessados na música de Jorge.

Com um look de quem já se acostumou com baixas temperaturas (casaco e cachecol), Seu Jorge começou com uma sequência de novas canções, “Ela é bipolar”, “Na Verdade” e “Faixa de Contorno”. Canções contemporâneas, que abordam temas como a bipolaridade e a mania de se fotografar. A preocupação em olhar o termômetro no celular ficou em segundo plano, com o início do show.

Nascido em 8 de junho, o cantor geminiano deu os parabéns aos irmãos de horóscopo que foram assisti-lo, e disse que não tinha problemas em cantar no frio da cidade. “Pô, Jorge, vai cantar em Porto Alegre? Naquele frio? Vou sim”, brinca. Em seguida, partiu para músicas já conhecidas, “Doida” e “Tive Razão”. A segunda com direito a um solo de cavaquinho de Pretinho da Serrinha, membro da banda de Seu Jorge. Pretinho, além de ser instrumentista, é arranjador, comentarista de carnaval e compositor.

Apresentando seu lado mais introspectivo e romântico, o cantor de Belford Roxo uniu músicas de diferentes épocas. “Quem Não Quer Sou Eu”, “Seu Olhar” e “Tá em Tempo”. Aproveitando esse momento, Seu Jorge demonstrou um talento que nem todos conheciam, tocou flauta em “Zé do Caroço”, canção dos anos 80 de Leci Brandão, na qual o carioca interpreta extremamente bem. Acredito que a Leci não se importe que – uma das vozes icônicas do Brasil –, declame sua composição.

Mas tem uma coisa que Seu Jorge sabe fazer, é animar. Mulheres estão sempre presentes nas suas letras, logo “Mina do Condomínio” e “Mina Feia” (do último álbum) não poderiam faltar. E o público feminino correspondeu bem à predileção. Os gritos ecoaram. Sem fugir do tema, ao cantar “Amiga da Minha Mulher”, Seu Jorge estava se divertir – com ares de nostalgia – a cada verso da letra. Parecia que alguma mulher bonita mexeu com o coração do carioca.

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O músico animou uma noite gelada em Porto Alegre

Brasilidade poderia ser um sobrenome de Seu Jorge. Todo cantor dedica parte de seu show a músicas de outros artistas, seja parcerias ou homenagens. Os escolhidos de Jorge foram Jorge Ben Jor, Hyldon e Magary Lord. “Mas que Nada” já é um dos hinos do Brasil, dentro e fora do país, grande sucesso Jorge Ben. Já os outros dois lembrados no show do Pepsi podem passar despercebidos, caso não citemos suas músicas: “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda” e “Pessoal Particular”.

Nos anos 1970, o baiano, radicado no Rio de Janeiro, Hyldon foi o autor da letra que, até hoje, representa gratidão, (jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver/alguém que você gostaria que estivesse sempre com você). O público do Pepsi agradeceu a escolha. Estourado no carnaval desde 2007, com músicas carregadas de alegria e disposição, o baiano Magary Lord figurou duas faixas da nova turnê de Seu Jorge. Além da já citada, “Sábado a Noite” foi uma surpresa para todos. (Momento primeira pessoa): Fui me empolgando com a letra, e acompanhado apenas com o pé, mas não esperava que a música falaria tanto comigo. Me rendi no final, e tive que fazer o que a letra mandava: (tira a mão do bolso negão/joga lá em cima).

Próximo do encerramento, Seu Jorge apresentou mais uma de suas novas composições, “Felicidade”, num de clima de despedida. Porém, músicas que fizeram o nome do cantor estavam faltando, era hora de coroar a noite. “Mania de Peitão”, “Carolina”, “Alma de Guerreiro”, “São Gonça” e “Burguesinha”. Agora sim. Engraçado é ver que, mesmo com grandes músicas deixadas para o final, a noite alternou em estilos, mas manteve a qualidade e entretenimento. Seu Jorge é um dos principais nomes música no Brasil. Seria um novo rei da MPB? Talvez. Caetano Veloso pode ter lhe dado sua melhor definição: “Seu Jorge é um nobre da nossa música popular”.

Eduardo Pitta: “Vamo cantar pra esquentar”

Quem abriu o show foi o gaúcho Eduardo Pitta. Pitta, que fez sucesso nas rádios com o grupo Se Ativa (pra ficar legal), demonstrou que entende de samba. O cantor apresentou músicas de seu álbum Pra Relaxar, lançado no ano passado. “Questão de Identidade”, “Se Eu Encontrar”, “Em Cima do Morro”, “Gabriela”, “Quis Viver Assim” e “Alegria Tem Preço e Tem Hora”. Ele foi bem recebido pelo público, tanto em suas composições quanto nos covers de “Dívida”, da Ultramen e “Domingo” do SPC. Pitta encontrou a forma de aquecer quem estava no Pepsi, sendo autêntico.

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