Com horários reduzidos, sala de cinema do Gasômetro exibe mostras especiais (Foto: Fernando Halal)
Com horários reduzidos, sala de cinema do Gasômetro exibe mostras especiais (Foto: Fernando Halal)


“O futuro é incerto e o fim está sempre perto”, cantou, certa vez, Jim Morrison. A comunidade cinéfila de Porto Alegre resolveu se mobilizar e unir forças para que, pelo menos com a Sala P. F. Gastal, essa profecia não se concretize. 

Um dos grandes símbolos do circuito cinematográfico alternativo da Capital está com sua programação reduzida e atravessa um momento delicado devido à crise. Desde março, a sala de cinema localizada no 3° andar da Usina do Gasômetro teve de recorrer a uma solução temporária: funciona somente aos finais de semana, com uma sessão nas sextas-feiras, duas aos sábados e outras duas nos domingos.

Com o anúncio da redução das atividades pela Prefeitura, um grupo de apoiadores ergueu a bandeira pela causa. Para centralizar o debate, foi criada, nas redes sociais, a página P F Gastal Resiste (acesse aqui). Usando hashtags como “#OcupaPFGastal”, “NenhumaSalaDeCinemaAMenos” e “PFGastalResiste”, a ideia é lotar a sala nos próximos dois meses e provar que o espaço é, sim, frequentado. Uma carta aberta foi redigida e amplamente divulgada nas redes sociais, e uma petição online que defende a manutenção e preservação do espaço já colheu mais de 2 mil assinaturas. 

O espaço fechou em dezembro para o tradicional recesso de final de ano e, desde então, reabriu as portas apenas para a exibição de mostras especiais. A Cinemateca Capitólio, de responsabilidade municipal, também enfrenta problemas e chegou a suspender a programação em janeiro, por falta de substitutos para cobrir as férias de funcionários.

A retomada definitiva da P.F. Gastal depende da contratação de funcionários pela Prefeitura Municipal. No dia 18 de março, a prefeitura determinou por decreto o congelamento de recursos para “gastos extras”. Em nota publicada no Facebook, o grupo de apoiadores P F Gastal Resiste mostrou indignação: “Não compreendemos como a renovação dos contratos de funcionários essenciais para o funcionamento de uma sala que atua há 17 anos possa ser considerado um gasto extra”. Até a retomada, a sala segue com a programação reduzida – o que já determinou a suspensão temporária de projetos como as disputadas sessões Aurora e Plataforma, e o adiamento de diversas mostras e estreias de filmes como O Cavalo de Turim, de Béla Tarr. 

Projeto Raros teve sequência com debate dos críticos Paulo Blob Teixeira (esq.) e Carlos Thomaz Albornoz (centro) (Foto: Fernando Halal)
Projeto Raros teve sequência com debate dos críticos Paulo Blob Teixeira (esq.) e Carlos Thomaz Albornoz (centro) (Foto: Fernando Halal)

Atualmente, a sala exibe a Mostra David Bowie, que homenageia o artista inglês morto em janeiro. Entre os destaques, estão clássicos como Ziggy Stardust and The Spiders From Mars (1973), de D.A. Pennebaker, O Homem que Caiu na Terra (1976), de Nicolas Roeg, e Fome de Viver (1983), de Tony Scott. A mostra segue até o dia 8 de maio e a programação completa pode ser vista aqui. Os ingressos custam R$ 4. 

Também segue em andamento o tradicional Projeto Raros, dedicado à exibição de filmes inéditos no Brasil ou de difícil circulação no país. A sessão mais recente ocorreu na última sexta-feira, com a projeção do longa de horror Dr. Jekyll e as Mulheres (1981), de Walerian Borowczyk, seguida de debate pelos críticos e pesquisadores Carlos Thomaz Albornoz e Paulo Blob Teixeira. 

Inaugurada em maio de 1999, a P.F. Gastal pertence à Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre. Além de exibir títulos consagrados da produção cinematográfica contemporânea, o espaço realiza mostras históricas e eventualmente recebe a visita de cineastas de renome mundial, como Kenneth Anger e Claire Denis. A sala tem 118 lugares e é equipada com projetor para exibição de filmes em 35mm e 16mm. Seu nome homenageia o jornalista e crítico de cinema gaúcho Paulo Fontoura Gastal (1922-1996), um dos fundadores do Festival de Cinema de Gramado. 

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