X-Men Apocalipse e a (já) velha fórmula dos atuais filmes de super-herói

Jean Grey, Nightcrawler e Ciclope são alguns dos destaques em X-Men Apocalipse

Jean Grey, Nightcrawler e Ciclope são alguns dos destaques em X-Men Apocalipse

O novo filme da franquia de heróis mutantes, X-Men: Apocalipse, dirigido por Bryan Singer (X-Men: O Filme; X-Men 2; X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido) não é um título inovador dentro do gênero, apesar de trazer pontos interessantes. Ele se ambienta nos anos 80, respeitando a cronologia atual da história, e inserindo, de modo sutil, referências ao período.

No longa, tanto Charles Xavier (James McAvoy) como Erik Lehnsherr/Magneto (Michael Fassbender) estão vivendo estilos de vida diferentes. Enquanto o primeiro segue treinando jovens estudantes mutantes dentro de uma sociedade ainda excludente (mas que vive sob uma falsa situação de paz), o segundo tem esposa e filha e finge ser um homem sem poderes em um país europeu. Com o despertar de um novo mutante, En Sabah Nur/Apocalipse (Oscar Isaac), adormecido há milênios, a suposta ordem do mundo se desestabelece, e assim, vários nomes já conhecidos se unem no conflito.

O filme tem, em seu primeiro ato, sequências bastante envolventes. Para a geração que cresceu com Tempestade, Jean Grey e Ciclope adultos, é nostálgico vê-los adolescentes, sabendo do destino que os espera. E não há como negar o carisma especial de James McAvoy, que transforma Charles Xavier em um líder não somente de inteligência admirável, mas gentil, e com um projeto de mundo que desperta realmente esperança naqueles que o acompanham. Já o vilão de Oscar Isaac tem potencial, mas decepciona. Apocalipse reúne uma série de poderes fortes – e aparentemente é capaz de adquirir novos apenas por entrar em contato com os mutantes que os possuem – e tem um discurso assustador de conquista mundial. Neste ponto, pode-se fazer vários paralelos sobre as pretensões de dominação que diversas religiões já tiveram ou ainda têm. E assim, devido a uma capacidade inexplicável de absorver conhecimento, ele aprende (com a televisão – uma bela piada sobre a geração educada nos anos 80) sobre o mundo, as superpotências, e arquiteta seu plano para destruí-las. Mas é devido à quantidade de maquiagem e efeitos especiais que Apocalipse não aparenta ser tão assustador. E por fim, o potencial de Fassbender como Magneto é desperdiçado. Afinal: qual sua função na lógica do filme?

As discussões sobre a falsa paz que os mutantes mantêm com os humanos também são intrigantes. Enquanto Xavier defende tal situação – pelo menos inicialmente – vemos em locais distantes e longe dos olhos estatais, mutantes sendo explorados em lutas livres, demonstrando o quão frágil é essa situação para o grupo já que os humanos são excludentes e preconceituosos com aqueles diferentes deles.

Em questões de representatividade feminina, apesar de ser um grupo chamado X-Men (men=homens), temos bons exemplos. Jennifer Lawrence novamente não decepciona como Raven/Mystique, ainda que pouco apareça realmente como a personagem é – azul – como uma forma de não chamar a atenção, já que está sendo procurada. Sophie Turner é uma Jean Grey ainda insegura com seus poderes, gentil e corajosa, protagonizando mais momentos do que eu esperava. Alexandra Shipp empolga como Ororo/Tempestade, mostrando um pouco mais do passado da personagem (pelo menos no universo dos filmes). E Rose Byrne constrói Moira Mactaggert como uma simpática agente da CIA, porém, que não parece ter muita função neste filme além de deixar Xavier desconsertadamente apaixonado, o que é uma pena dada à potencialidade que ela oferece. Vale a pena marcar a constante ausência de mulheres em longas de super-herói e o machismo ainda vigente no mundo nerd. Logo, é sempre revigorante ver mulheres ocupando posições de protagonismo e liderança dentro de um mundo ainda marcado pela desigualdade de gênero. Mesmo que imperfeito e ainda excludente de muitas demandas vindas do feminismo, o filme tem méritos na questão.

Há algumas piadas nada efetivas, como a cena em que Quicksilver (Evan Peters) demonstra seus poderes na escola de Xavier. Ela é longa e até mesmo constrangedora em certos momentos. Por outro lado, Tye Sheridan, que faz com que Scott Summers/Cyclops seja um rapaz muito mais espirituoso e engraçado do que James Marsden, na primeira trilogia. E é interessante ver uma franquia que sabe rir de sua própria história sem necessariamente se sabotar. A piada de Jean Grey, ao ver o “Star Wars – O retorno de Jedi” faz uma referência a X-Men: O Confronto Final, terceiro filme da primeira trilogia, visto como o pior da série.

O longa ainda traz várias referências do próprio universo, participações bastante rotineiras e especiais e outras questões que transformam a experiência de X-Men: Apocalipse em algo confortável para os que já são apegados ao mundo mutante. Mas, sem dúvida, o filme tem problemas suficientes para que não seja uma obra-prima, apenas uma divertida experiência

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