Imagem: obra de Bia Leite

Na semana em que completamos sete anos de existência, nosso coletivo infelizmente tem mais motivos para estar alerta do que para celebrar. O Nonada – Jornalismo Travessia repudia as ações fascistas comandadas pelo grupo MBL, que provocaram o encerramento da exposição Queermuseu, do Santander Cultural. Os ataques virtuais e verbais, dirigidos até mesmo a visitantes da mostra, têm motivação no conservadorismo e na religião. Trata-se de um acontecimento grave que reflete a época de retrocesso na qual vivemos, em que direitos fundamentais estão sendo abandonados e, mais do que isso, escrachados por pessoas que não respeitam a diversidade e as liberdades individuais dos outros.

Repudiamos também a atitude do Santander Cultural, que cedeu ao fascismo em nome da reputação da marca. Na nota que anunciou o encerramento, o instituto afirmou que “Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana.” Entendemos que a arte é política em sua essência, de forma que é no diálogo entre artista e público que ela adquire sentido, provocando reflexões sobre temas em debate na sociedade e, idealmente, contribuindo para a transformação social. Ao encerrar a exposição, o banco compactua com o cerceamento à liberdade de expressão e nega o próprio sentido da mostra.

Viemos também reafirmar nosso posicionamento enquanto jornalistas que entendem a arte como importante instrumento de resistência contra os retrocessos sociais. Alertas ao fascismo, seguiremos na busca por uma arte mais representativa e plural e pela visibilidade da cultura brasileira, indígena, negra, popular, feminista e LGBT.

Na próxima terça (12), diversas ONGS e grupos relativos à identidade de gênero e diversidade sexual de Porto Alegre vão realizar um ato de repúdio ao acontecimento. Mais informações.  

 

 

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