Foto: Café com Canela/reprodução

A Mostra Ela na Tela chega a sua terceira edição e continua investindo em mostrar o protagonismo feminino nas telas e a diversidade na produção cinematográfica. O evento começa no próximo sábado (21 de Outubro) e tem como propósito dar mais espaço à reflexão do papel feminino tanto na produção do cinema quanto no protagonismo nos filmes.

O ano de 2017 representa mudanças na Mostra. O número de filmes inscritos – mais alto da história do festival – foi de 253 e tamanha variedade permitiu que a diversidade de temáticas fosse muito maior. “Além disso, também vamos conseguir exibir muitos gêneros fílmicos diferentes, como animações, documentários, ficções de vários estilos e ainda um longa metragem inédito aqui no Estado, o Café com Canela”, comenta Isabel Cardoso, realizadora audiovisual e uma das organizadoras da Mostra. A diretora, Glenda Nicácio, estará presente na sessão, que abre a Mostra no sábado. Café com Canela foi o primeiro filme vencedor do Júri Popular no Festival de Brasília de Cinema Brasileiro dirigido por uma mulher negra.  

A Ela na Tela terá a maioria de suas exibições no Capitólio (para informações mais detalhadas, consulte a página do evento aqui). As mostras de curtas começam todos os dias entre 18h30 e 20h30  e exibem obras dirigidas ou codirigidas, protagonizadas ou coprotagonizadas por mulheres. As mesas de debate também são todas integradas por realizadoras, profissionais e pesquisadoras do audiovisual e abordam temas como o espaço feminino nos sets de filmagem e o papel do cinema independente. E vale a pena marcar que a mostra não é competitiva. A ausência de disputas por prêmios ou destaques é mais uma forma encontrada pelas organizadoras de não despertarem a tão naturalizada competitividade feminina e incentivarem o auxílio mútuo e a união do gênero enquanto mulheres realizadoras.

Também serão oferecidas oficinas de Roteiro, Produção, Crítica e História do Cinema Brasileiro a partir de uma perspectiva feminista. As oficinas têm como intenção fornecer ferramentas para que o festival seja, além de propagador, um fomentador e instrumentalizador do audiovisual feito por mulheres. As oficinas são abertas para público misto e ministradas exclusivamente por mulheres especialistas no assunto.

A mostra é independente, e a falta de verba acaba sendo uma das principais dificuldades para as organizadoras, pois muitas realizadoras não podem vir para Porto Alegre e acompanhar seu filme na Mostra. “É uma tristeza muito grande não poder trazer essas realizadoras para debaterem seus filmes aqui”, comenta Bel. E sendo um evento organizado por mulheres e para mulheres, há também a questão da conjuntura brasileira em 2017. Para Bel, um dos principais problemas no cenário político atual é introduzir e fortalecer a pauta feminista quando tantos outros retrocessos acontecem ao mesmo tempo: “É muito complicado a gente ser mulher e produzir cultura nesse desgoverno. E a pauta feminista é importante sim, sem feminismo não tem avanço. Precisamos de feminismo, precisamos de cultura, precisamos resistir. E tentamos inserir tudo isso no Festival de alguma forma, pois queremos dialogar com vários públicos, como a galera da periferia e a galera que lida com crítica cinematográfica”.

A mostra tem entrada gratuita e ocorre até o dia 25 de Outubro.

PROGRAMAÇÃO

21/10 – Sábado – Cinemateca Capitólio
16h30 – Oficina de Roteiro “Disparando Ideias” com Eleonora Loner – 1h30 de oficina
19h00 – Sessão de abertura: Exibição do longa-metragem “Café com Canela”, de Glenda Nicácio e Ary Rosa + Debate com Glenda

22/10 – Domingo – Cinemateca Capitólio
16h00 – Oficina de Produção com Marta Nunes – 1h30 de oficina
18h30 – Mostra de Curtas
– “Quem Matou Eloá?”, de Lívia Perez. São Paulo, 2016. 24min29s.
– “Sexta Série”, de Cecilia da Fonte. Pernambuco, 2013. 18min03s.
– “Lúcida”, de Caroline Neves e Fabio Rodrigo. São Paulo, 2015. 16min
– “Irmã,” de Andressa Gonçalves, Josie Pontes, Mika Makino, Nina Fachinello. Rio de Janeiro, 2016. 06min07s.
– “Adeus à Carne”, de Julia Anquier. Rio de Janeiro, 2017. 11min.

23/10 – Segunda-feira – Aldeia (Santana, 252)
19h00 – Mostra de Curtas

– “Entre Ombros”, de Carolina Castillo, Salto/Indaiatuba, 2016. 19min06s
– “Mira”, de Janaina Veiga, 2017. 7min57
– “Maria Adelaide”, de Catarina Almeida. Rio de Janeiro, 2017. 15min30s.
– “Meninas”, de Carla Gallo. São Paulo, 2016. 20min34s.

24/10 – Terça-feira – Cinemateca Capitólio
17h00 – Oficina de Crítica Cinematográfica “Noções para elaboração de texto crítico” com Fatimarlei Lunardelli – 1h30 de oficina
18h30 – Mesa “Mulher no Set de Filmagem: Resistência” com Carol Zimmer, Daniela Strack, Isabel Cardoso, Lígia Tiemi Sumi, Manuela Falcão e Mariani Ferreira – 2h de duração
20h30 – Mostra de Curtas

– “A Ilha do Farol”, de Jo Serfaty e Mariana Kaufman. Rio de Janeiro, 2016. 23min32s.
– “Quase Consolação”, de Amina Jorge. São Paulo, 2013. 17min7s.
– “Monga, Retrato de Café”, de Everlane Moraes. Cuba, 2017. 13min06s.
– “Cotidiano” de Cristina da Rosa Nascimento. Porto Alegre, 2017. 03min42s.
– “Antonieta”, de Flávia Person. Florianópolis, 2016. 14min28s.

25/10 – Quarta-feira – Cinemateca Capitólio

17h30 – Mesa “Cinema independente & outras formas de fazer cinema” com Laís Auler (Tanque Coletivo), QUEM (Criadoras Negras), Cristina Nascimento (Quilombo do Sopapo) e Natasha Ferla (Grupo do Front) – 2h de duração
19h30 – Oficina “As mulheres do cinema brasileiro” com Flávia Seligman – 1h de oficina
20h30 – Mostra de Curtas

– “Três Vezes Por Semana”, de Cris Reque. Porto Alegre, 2011. 15min43s.
– “Tarântula”, de Marja Calafange. Curitiba, 2015. 20min
– “Dia um”, de Natália Lima. Caruaru, 2017. 2min.
– “Luz Baixa”, de Bruna de Vasconcellos Torres. São Paulo, 2017. 15min20s
– “Maria”, de Elen Linth. Manaus, 2017. 16min43s.

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