Compositor, letrista, arranjador, cantor, produtor musical e ativista cultural, natural de Porto Alegre, Brasil, Raul Ellwanger tem doze discos gravados e mais de 200 canções registradas por importantes intérpretes, como Elis Regina, Beth Carvalho, Mercedes Sosa, Fafá de Belém, Raul Porchetto, Renato Borghetti e León Gieco. Resistente à ditadura, foi condenado pela Lei de Segurança Nacional em 1971, devendo exilar-se no Chile e Argentina. Ativista dos Direitos Humanos, é membro do Comitê Carlos de Ré da Verdade e Justiça do RS. Quase advogado, quase músico, quase sociólogo, quase esportista, quase político, soma 11 anos de estudos superiores em cinco universidades de três países, coroados por nenhum título, a não ser aquele de “diplomado em cultura inútil”, com que se vangloria (inutilmente, é óbvio).

O músico participa da série de entrevistas Ouvidoria, composta por perguntas fixas sobre arte, cultura, sociedade e política:

1. Data de início da carreira:

Na PUC de Porto Alegre, participei de meu primeiro xou de palco, de verdade mesmo, em 1966, com temas de Vinicius e Caymmi.

2. Principais albuns lançados: Raul Ellwanger (1980), Meu Pé de Laranja Lima (1982), Boa-Maré (2004), País da Liberdade (2011), Pássaro poeta (2016), Cantata Sete Povos (2019)

3. Como você descreveria sua essência enquanto artista?

Procuro ser verdadeiro comigo mesmo, entregar à sociedade um pouco do que ela me entregou, criar belas canções na tradição MPB-MPG-America Latina, ajudar os ouvintes a olhar nosso pais com verdade e sentimento social solidário.

4. O que mais irrita na cena cultural?

O monopólio mediático que está destruindo a cultura brasileira.

5. Que qualidades são imprescindíveis a um artista?

Não saberia responder; para mim, vale o que escrevi na 3.

6. Qual o momento de maior dificuldade que já passou na carreira?

Dez anos de atraso  e ostracismo, motivados por perseguição política.

7. E de maior felicidade?

Escutar minhas canções na voz de excelentes interpretes, como Elis Regina, Mercedes Sosa, Eraci Rocha, Maria Helena Anversa

8. Um artista não deve…

Sei não…

9. Cinco coisas que mais te inspiram a criar (vale tudo):

(o artista optou por não responder)

10. Acredita em arte sem política?

A pergunta me deixa esnucado. Sendo um ser social, tudo que uma pessoa faz tem  sentido político.

11. Qual seria o melhor modelo de financiamento da arte?

Os modelos iniciais após a Constituição de 1988 eram bem aceitáveis. Creio numa mistura de privado e público, com o público sendo fomento aos novatos e às regiões desfavorecidas.

12. Existe cultura gaúcha?

Sim, bem confusa…

12. Que conselho você daria a Jair Bolsonaro?

Recolher, tratar, manter isolado.

14. Todo artista tem de ir aonde o povo está?

A frase é um pouco autoritária. Vale como alegoria. E olha que eu sempre estive “do lado do povo”, inclusive paguei por isso.

15. Ser brasileiro é…

Padecer sem motivo num possível paraíso..

16. O que você mudaria no jornalismo cultural?

Haveria que criá-lo, primeiro, Depois, veríamos…

17. Um livro:

“A ideologia alemã”, Marx e Engels.

18. Um espetáculo:

Concerto de Ravi Shankar.

19. Um álbum:

Obras de Sueli Costa, na voz de Lucinha Lins com arranjos de Gilson Peranzetta. Ou a obra  completa de Pixinguinha!

20. Um filme:

Rocco e seus irmãos.