O Nonada – Jornalismo Travessia é um coletivo de jornalismo cultural e alternativo de Porto Alegre/RS. Desde 2010, procura relacionar as diversas formas de expressão artística com temas relativos aos direitos humanos.

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Jornalismo Travessia? A gente sabe o que é ler uma matéria e achar raso e
então perceber que se tivesse ido por outro caminho, por outro foco…
carecia de ser muito mais embaixo, muito mais profundo – bem diverso do o que primeiro se pensou.
Perceba, fazer bom jornalismo não é perigoso?

Releitura de um trecho do livro “Grande Sertão Veredas“.

Cultura ou travessia. Guimarães Rosa não viveu tempo suficiente para criar uma palavra que matasse a charada. O Nonada – Jornalismo Travessia tenta ser uma espécie de resposta para essa dúvida. Travessia é, antes de tudo, amadurecimento. Trata-se de um caminho que precisa ser superado para fornecer sentido a uma existência. Nós acreditamos que o jornalismo cultural precisa amadurecer para vencer os obstáculos que os cercam. E talvez o principal deles seja lidar com as suas diferenças de concepções.

Uma dicotomia fundada por intelectuais alemães no século XVIII entre os termos Zivilization e Kultur ainda pode ser utilizada para expressar a oposição entre jornalismo versus jornalismo cultural. Mesmo que todo o jornal impresso diário seja um conjunto de elementos simbólicos, a maior parte dele trata de aspectos materiais e econômicos próximos à noção de civilização. Já o jornalismo cultural poderia se aproximar da noção de cultura ao expressar ideias, valores e as formas de expressão artísticas de determinados grupos sociais. O problema é que devido a todo um processo contemporâneo de comercialização e a criação da ideia do bem cultural – observada na grande proliferação de prestação de serviços por meio de cadernos culturais – o jornalismo cultural se vê mais próximo da noção de Zivilization.

O Nonada entende essa dicotomia intrínseca ao jornalismo que cobre a cultura e pretende aprender e refletir sobre isso – essa é a nossa travessia.  Por que delimitar a cultura quando ela é viva, pulsante e em constante transformação? Quando ela é plural? Aprendemos ao longo desses anos que a diversidade e a profundidade nos assuntos são essenciais para continuarmos existindo: aprendemos sim na prática e em conjunto, a partir das diversidades de visões das pessoas que compõem a equipe. E isso demorou tempo e muita reflexão.

Continuamos aprendendo e descobrindo novas formas de cultura. Cultura popular, cultura LGBT, cultura feminista, cultura quilombola. O Brasil é esse mosaico infinito de expressões, e é isso que buscamos conhecer cada vez mais e representar em nossas matérias. Cultura para além do sinônimo estrito de obra artística. Cultura como o conjunto de elementos que representam as mais variadas formas de viver.

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