Entrevista de Pasolini dada como perdida é encontrada e transcrita

Jornal L'Espresso divulgou a transcrição da mesa redonda realizada com o cineasta para a rádio nacional sueca (Crédito: Arquivo)

Os apaixonados pelo cinema italiano vão gostar da notícia: uma entrevista inédita do cineasta Pier Paolo Pasolini (1922 – 1975), gravada para a rádio nacional sueca três dias antes de seu falecimento e posteriormente dada como perdida, foi encontrada e publicada na íntegra pelo jornal italiano “L’Espresso” na mês passado. Trata-se de uma mesa redonda da qual o cineasta participou em 30 de outubro de 1975.

A gravação foi arquivada por vários anos, e quando finalmente, em 1981, decidiram transmiti-la na rádio, ninguém encontrava a fita. Quem achou um registro deste momento foi Carl Henrik Svenstedt, tradutor sueco de Pasolini e também arquivista, que havia feito uma gravação pessoal do debate. Algumas falas fortes do cineasta, que discutiu com vários críticos suecos na ocasião, podem agora ser conhecidas. Ele afirma, por exemplo: “Considero o consumismo um fascismo pior do que o clássico, porque o fascismo clerical não transformou os italianos, não se entranhou neles. Era um estado totalitário mas não um estado totalizante”.

A entrevista dura 75 minutos, utilizados por Pasolini para lamentar a ruína das identidades rurais na Itália e a sua substituição por uma cultura uniformizada. Ele fala ainda de seu último filme, “Salò ou 120 Dias de Sodoma”: “O sexo é apenas uma alegoria, a metáfora para a transformação do corpo em mercadoria efetuada pelo poder. O consumismo manipula e violenta o corpo tanto quanto o nazismo. O meu filme regista essa coincidência sinistra”. O cineasta foi assassinado em 2 de novembro de 1975.

Saiba mais sobre a entrevista na página do L’Espresso.

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