Nonada:  Cultura ou travessia. Guimarães Rosa não viveu tempo suficiente para criar uma palavra que matasse a charada. O Nonada – Jornalismo Cultural tenta ser uma espécie de resposta para essa dúvida. Travessia é, antes de tudo, amadurecimento. Trata-se de um caminho que precisa ser superado para fornecer sentido a uma existência. Nós acreditamos que o jornalismo cultural precisa amadurecer para vencer os obstáculos que os cercam. E talvez o principal deles seja lidar com as suas diferenças de concepções.

Jornalismo:   O Nonada é um site e sabemos que esse tipo de mídia é, em sua essência, mais rápida que o impresso, se assemelhando muito ao rádio neste sentido, tendo a necessidade de dar o furo, ou dar antes que o concorrente. Isto é: precisa ser mais factual, não se importando tanto em contextualizá-la, para, assim, conseguir mais cliques. Entretanto, no Nonada priorizamos mais a qualidade. Mesmo. Não temos o intuito de sermos mais rápidos. Queremos realizar um bom trabalho jornalístico e isso demanda tempo. Ainda mais na área que escolhemos cobrir, o jornalismo cultural. No Nonada, então, temos o pretexto e o espaço para sermos criativos, pacientes e apurar bem as informações antes de publicar o texto. Se tiver qualidade, as pessoas vão ler. Já no nome levamos a palavra “Jornalismo” e isso não é à toa. Como um site independente e alternativo à grande mídia, podemos refletir mais sobre o tipo de material que produzimos e sobre o tipo de jornalismo que queremos reproduzir. Visto que trabalhamos com o jornalismo voltado à cultura, as inúmeras intersecções que há entre esses campos, torna o nosso trabalho ainda mais complexo. Por isso, o Nonada também deve dar espaço para trabalhos jornalísticos que explorem e reflitam sobre o jornalismo cultural. 

Cultural:  Uma dicotomia fundada por intelectuais alemães no século XVIII entre os termos Zivilization e Kultur ainda pode ser utilizada para expressar a oposição entre jornalismo versus jornalismo cultural. Mesmo que todo o jornal impresso diário seja um conjunto de elementos simbólicos, a maior parte dele trata de aspectos materiais e econômicos próximos à noção de civilização. Já o jornalismo cultural poderia se aproximar da noção de cultura ao expressar ideias, valores e as formas de expressão artísticas de determinados grupos sociais. O problema é que devido a todo um processo contemporâneo de comercialização e a criação da ideia do bem cultural – observada na grande proliferação de prestação de serviços por meio de cadernos culturais – o jornalismo cultural se vê mais próximo da noção de Zivilization. O Nonada entende essa dicotomia intrínseca ao jornalismo que cobre a cultura e pretende aprender e refletir sobre isso – essa é a nossa travessia.  Por que delimitar a cultura quando ela é viva, pulsante e em constante transformação? Quando ela é plural? Aprendemos que a diversidade e a profundidade nos assuntos são essenciais para continuarmos existindo: aprendemos sim na prática e em conjunto, a partir das diversidades de visões das pessoas que compõem a equipe. E isso demorou tempo e muita reflexão. Continuamos aprendendo e descobrindo novas formas de cultura. Cultura popular, cultura LGBT, cultura feminista, cultura quilombola, cultura indígena. Culturas. O Brasil é esse mosaico infinito de expressões, e é isso que buscamos conhecer cada vez mais e representar em nossas matérias. Cultura para além do sinônimo estrito de obra artística. Cultura como o conjunto de elementos que representam as mais variadas formas de viver.

Pautas: Procure por pautas relevantes para o sistema cultural como um todo e não só para artistas conhecidos e já consolidados ou só para produtos culturais que todos outros veículos darão cobertura. Nesse processo de escolha de pautas e fontes, a diversidade de gênero, de raça e etnia, de modos de vida, bem como a diversidade geográfica devem ser pontos centrais e decisórios. Não queremos abraçar o alternativo e o novo como quem abraça o diferente para ganhar notoriedade (pelo benefício próprio, apenas), e sim porque eles merecem espaço e maior reconhecimento, sendo que entender seus processos de criação e explorar suas subjetividades farão mais pessoas conhecer aquele trabalho e, quem sabe, ser influenciada por ele. Pautas sobre direitos humanos, políticas culturais e de interesse público, calcados na sensibilidade e necessidades humanas, são importantes para o site e também devem ser exploradas pela equipe.

Fontes: Toda fonte deverá ser compartilhada no Nonada, isto é, os contatos de quem você ouviu deverão ser disponibilizados na pasta de contatos da equipe. Isso poderá facilitar em outras pautas. Devemos evitar as fontes que constantemente aparecem na mídia, tentar procurar sempre novas opções. Não devemos discriminar, e sim dar espaço para opiniões diferentes, não esquecendo que discurso de ódio contra qualquer tipo de minoria não é opinião. 

Apuração: Em uma apuração de reportagem, deve-se sempre checar as informações mais de duas vezes, evitar estereótipos, procurar ouvir não os dois lados, mas todos os lados da matéria que você está escrevendo. Fonte não é personagem. Você não é um escritor, é um jornalista e essa é uma pessoa de verdade, então, muito cuidado com o que vai escrever.  Sempre que possível, linke a fonte original nos dados e informações citadas, especialmente em matérias com dados e em pautas sobre políticas culturais. 

Escreva como: Todo manual de redação que se preze vai dizer o óbvio: escreva claro, seja objetivo, mantenha as frases em ordem direta, encadeia as informações, começando pela mais relevante, etc. É complicado, porém, querer fazer um jornalismo diferente sem pensar na complexidade de textos e mais: na complexidade de cada autor do texto. Embora o jornalismo nos peça certa imparcialidade e objetividade, devemos ter em mente que estas são qualidades que nunca serão alcançadas, mas que devem permanecer no horizonte das nossas razões. Na hora de escrever, então, seja claro (mas não nivele o leitor por baixo), coeso, contextualize a matéria, procure estilo textual sem ser pedante. Um bom texto jornalístico é aquele que transmite a informação sem dar grandes rodeios, sem afloramentos desnecessários. Graciliano Ramos estava certo quando dizia o seguinte: 

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. 

Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. 

Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

PRODUTOS CULTURAIS

Cinema

– Nomes de filmes = Itálico

– Nomes de produtoras e distribuidoras de filmes = Normal 

Música

– Nomes de música = entre aspas

– Nomes de álbum = itálico 

– Nomes de produtora e gravadora e banda = normal

– CD, em maiúsculo e CDs

– Trechos de música = itálico 

Literatura

– Nomes de livros = itálico

– Nomes de Livrarias, Editoras = normal 

Artes Visuais

– Nomes de obra em exposição = entre aspas

– Nomes de exposições = itálico 

– Nome de galeria/ museus = normal 

Quadrinhos

– Nomes de títulos de quadrinhos = Itálico

– Nomes de editoras = Normal

Games

-Nomes de games = Itálico 

-Nomes de produtoras de games, estúdio de games = Normal

Artes Cênicas

– Nomes de espetáculos = Itálico 

– Nomes de festivais de teatro e dança, de grupos de teatro e dança = Normal 

Palavras estrangeiras: Evitar o uso, mas, se necessário, colocar em itálico

SIGLAS

Explicar a sigla na primeira vez que aparecer e depois repetir a sigla apenas, não precisando escrevê-la novamente. 

Escreva com todas as letras maiúsculas:

siglas com até três letras: MAC, LIC, FAC, PF, BC, ONU, OAB, ILB, DRU, CPI, USP

siglas cujas letras são soletradas: BNDES, INSS, CPMF, CPMI, DNER

Use apenas a inicial maiúscula:

Quando a sigla tiver mais de três letras e for pronunciada como palavra: Ospa, Minc, Margs, Masp, Secom, Seep, Sepop, Comark, Detran, Denatran, Petrobras, Embrapa, Unesco.”

Fala das fontes 

O que o entrevistado falou deve vir sempre entre aspas. 

Números

– A década deve  vir em números. Exemplo: anos 60, década de 60. 

– Se alguém citado no texto já morreu, é necessário colocar entre parenteses após o nome a data do ano de nascimento e de morte. 

– Se necessário, o ano do produto cultural vai após o mesmo e em parenteses .

Tempo da matéria

-Como é para web devemos colocar a data quando nos referimos ao tempo da matéria. Não existe ontem, hoje ou amanhã no Nonada. 

Em entrevistas ping-pong

Colocar o nome e o sobrenome do entrevista nas respostas, e em negrito, exemplo: 

“ Nonada – Quando começou a juntar futebol e arte?

 Martínez Gálvez – Como tudo de criança, enchia blocos de papéis inteiros de jogadas. Os blocos de desenho de cem folhas que se vendiam nessa época, com folhas medias amarelentas, mas bem econômicas, e com uns poucos lápis de cores de duvidosa qualidade, eu pintava nas cem folhas as jogadas e as arquibancadas. Logo quando fiquei grande e me sentava na torcida popular e tudo me parecia tão forte e incrivelmente colorido e até diria estético – que comecei a pintar.”

Fotos 

-Sempre procurar pelo menos duas fotos para cada matéria. Com crédito e sempre com legenda. . 

-As fotos para a web não precisam estar em uma resolução muito alta. 

-Pensar na foto destaque, para o slide. Formato paisagem.

 

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