O assassinato de Herzog começou uma onda de protestos contra a ditadura (Crédito: Wilson Ribeiro Cedoc)

Há exatos 35 anos, no dia 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog era assassinado pela Ditadura Militar. Na época, era comum que o governo militar ditatorial divulgasse que as vítimas de suas torturas e assassinatos haviam perecido por “suicídio”, o que gerava comentários irônicos de que Herzog e outras vítimas haviam sido “suicidados pela ditadura”.

Nascido na cidade de Osijek em 1937 na Iugoslávia, atual Croácia, ele era filho de um casal judeu que, a fim de fugir do Estado controlado pelo fascismo italiano e pelo nazismo alemão, migrou para o Brasil, na década de 1940. Mal sabia o casal que seu filho seria perseguido por uma outra ditadura no país latino-americano.

Formado em Filosofia na Universidade de São Paulo, trabalhou como repórter de O Estado de São Paulo, onde ficou até 1965, tendo sido um dos repórteres da equipe pioneira que instalou a sucursal do Estado em Brasília, nos primeiros meses de vida da então nova Capital. Na década de 1970 assumiu a direção de departamento de telejornalismo da TV Cultural, de São Paulo e nessa época também atuava como dramaturgo, além de lecionar na Escola de Comunicações e Artes da USP.

Foi nesse período que passou a atuar politicamente no movimento de resistência contra a ditadura militar no Brasil, embarcando no Partido Comunista Brasileiro. Tudo aconteceu muito rápido. No dia 24 de outubro de 1975, então diretor do departamento de jornalismo da TV Cultural, o jornalista foi convocado para prestar um depoimento sobre as suas ligações com o Partidão. No dia seguinte, Herzog compareceu ao pedido. Segundo os jornalistas George Estrada e Rodolfo Konder  que foram presos com ele, o depoimento era dado por meio de uma sessão de tortura.

Dia 25, foi encontrado “enforcado” . Embora a causa oficial do óbito, divulgada pelo governo na época, tenha sido o suicídio, há extremo consenso de que a morte resultou da tortura. A foto – já clássica da história contemporânea brasileira – mostra Herzog enforcado com um cinto, coisa que os prisioneiros não possuíam, além disso suas pernas estão dobradas e no seu pescoço há duas marcas de enforcamento, o que mostra, supostamente, que sua morte foi por estrangulamento.

Para nunca mais se esquecer (Crédito:Arquivo)

Para lembrar esse fato tão marcante, e que praticamente começou o processo internacional pelos direitos humanos na América Latina a TV Cultura passa hoje um programa especial sobre Vladimir Herzog.  O telejornal terá depoimentos de personalidades que estiveram ligadas ao episódio, como o cineasta João Batista de Andrade, que dirigiu o documentário Vlado – 30 anos depois, e o desembargador Márcio José de Moraes, que em 1978, como juiz federal, condenou a União pela morte de Herzog. Além disso, o jornalista Eugênio Bucci e o sociólogo Demétrio Magnoli estarão na bancada para comentar sobre esse período da história do Brasil e a contribuição de Vlado para a construção do jornalismo público. O Jornal da Cultura vai ao ar hoje, dia 25 de outubro, às 20h50.

Para saber mais, acesse: http://www.vladimirherzog.org/

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Jornalista, mestrando em Comunicação na Ufrgs e Editor-Fundador do Nonada - Jornalismo Travessia. Acredita nas palavras e nas pessoas. Twitter: @rafaelgloria
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