Tolkien em 1916 (foto:wikicommons)

Hoje, dia 2 de setembro, mais uma das datas banais do calendário, excetuando o fato de ser uma sexta-feira, completam 38 anos da morte de um dos maiores escritores de todos os tempos: Sir John Ronald Reuel Tolkien. Não é uma daquelas datas prezadas pelos jornalistas, redonda, tempo de revalidação estética em detrimento das reais homenagens, por isto passando despercebida pelos editorialistas. Porém é um crime à memória esperar aquele momento evenemencial, que deve acontecer daqui há 12 anos, tenham certeza disto, de homenagear e refletir um pouco sobre a grandiosa obra de Tolkien que até hoje permanece sendo como uma das mais relevantes de todos os tempos.

Tolkien nasceu em Bloemfontein em 1892, uma cidadezinha sul-africana, na época pertencente a uma colônia inglesa. Aos três anos de idade Tolkien foi para a Inglaterra, onde começou a se fascinar pela literatura, decidindo cursar letras na Universidade de Exter. Serviu ‘voluntariamente’ na Primeira Guerra Mundial, onde começou a realizar os seus escritos. O Hobbit, seu primeiro grande livro, foi publicado em 1937, mas começou a ser produzido em 1928. No mesmo ano de publicação do Hobbit, começou a se delinear a sua obra-prima: O Senhor dos Anéis, que foi a público em 1949.

Não é necessário uma grande delonga acerca da biografia de Tolkien, mas algumas partes de sua vida são fundantes e repercutem diretamente em sua obra. A vida quase campestre que ele teve em Sarehole foi fundamental para que ele se inspirasse em suas paisagens, principalmente na formatação do que seria ‘O Condado’. Tolkien também participou de diversos grupos, ou sociedades se o termo parecer-lhes mais apropriado, que discutiam literatura em pubs, como o famoso The Eagle and The Child. Lá ele conviveu com um de seus grandes amigos, C.S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnias. Apesar de suas divergências, principalmente religiosas e até mesmo literárias, suas discussões acabaram formatando diversos aspectos da semântica de ambos, como o gosto por figuras fantasiosas relativamente maquiavélicas (muito mais em Lewis do que em Tolkien) e pela transposição de um mundo imaginário embasado em estruturas reais.

Arrisco opinar que a literatura de Tolkien traz à tona outras obras que raramente associam-se com a dele. Creio dizer que até mesmo o grande gênio da fantasia Guy de Maupassant e o mestre do terror H.P. Lovecraft influenciaram na obra de Tolkien, não em sua essência, mas em pequenos elementos de composição, como o suspense e algumas criaturas dantescas. Obviamente Tolkien trazia muito da mitologia, e é quase desnecessário ressaltar que o nórdico é o basalto da obra, sendo que a mitologia aparece em graus variados em seus livros: ela é mais crua em O Silmarillion e Contos Inacabados, e mais dissolvida nos escritos mais infanto-juvenis, como Roverandom, O Hobbit e O Senhor dos Anéis.

A linguagem própria criada por Tolkien é maestral, extremamente bem elaborada apesar de não apresentar a complexidade sintáxica de uma língua clássica, pelo óbvio motivo das línguas serem processos culturais complexos e não apenas criação artística. Há diversos centros no mundo inteiro que ensinam fãs da obra de Tolkien a escrever, ler e até mesmo falar os seus idiomas. Além do mais, rezam as lendas (pois falar de Tolkien não pode ser algo aquém de mítico) que o inglês sabia cerca de 15 idiomas, boa parte nascidos as margens do Mar do Norte, de onde ele extraiu a base de suas histórias.

Enfim, deixo aqui não uma apreciação crítica delongada (nem creio que possa transcender a minha opinião de leitor e de fã), mas uma lembrança e o convite para uma discussão acerca da obra deste que é um dos maiores escritores de todos os tempos, independente da data que for.

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