Fotos: Fernando Halal

Se alguém tinha dúvidas quanto à viabilidade de uma segunda edição do M/E/C/A Festival, evento que mobilizou a cena indie em janeiro deste ano no litoral gaúcho, a apresentação do Cut Copy nesta quarta-feira, dia 19 de outubro, foi mais do que um belo show. A presença da badalada banda australiana em Porto Alegre, no meio de semana e tocando diante de um bar Opinião praticamente lotado, comprovou que há, sim, um público significativo interessado nesse tipo de música.

Som eletrônico do grupo, com forte influência dos anos 80, agitou o Opinião

A abertura do show ficou por conta dos gaúchos da Wannabe Jalva, que desde o ano passado vêm marcando presença em importantes festivais alternativos, incluindo a primeira edição do M/E/C/A, em Xangri-lá. A diferença em relação àquela apresentação é que agora, com um EP lançado, o grupo já é bem conhecido na cena – prova disso é a ótima receptividade de “Something New”, uma das melhores faixas do disco.

Por volta de 23h50min, o Cut Copy subiu no palco, espantando os temores de que, assim como ocorreu em junho, os australianos tivessem que cancelar os shows no Brasil por conta da nuvem de cinzas provocada pelo vulcão chileno Puyehue. Com uma iluminação forte e bem apropriada para o som eletrônico da banda, o show começou com “Take me Over”, do recente Zonoscope.

Vestido de forma sóbria e contrastante com a música descontraída do Cut Copy, o vocalista Dan Whitford comandou o espetáculo mesmo interagindo pouco com a plateia. Agradeceu várias vezes aos fãs e mostrou-se feliz por finalmente tocar no Brasil, mas preferiu ser objetivo, emendando um hit atrás do outro.

Músicas como “Feel the Love”, “Where I’m Going” e “ Hanging onto Every Heartbeat” agitaram bastante, mas foi com “So Haunted” que o grupo conseguiu a primeira grande reação do público. Nada comparável, porém, ao que ocorreu em “Lights and Music”, provavelmente o maior sucesso dos australianos. Mal começou a introdução de baixo dessa música e o chão do Opinião já estava tremendo.

A agradável surpresa foi “Nobody Lost, Nobody Found”,  que não estava presente no setlist dos últimos shows do grupo nos EUA. Essa música é uma bela síntese do Cut Copy: um grupo atual, mas fortemente influenciado por New Order e Depeche Mode, especialmente nos teclados carregados e nas vocalizações graves.

Vocalista Dan Whitford se mostrou empolgado com sua primeira turnê no Brasil

Após mais algumas músicas novas – boas, mas que claramente ainda não foram assimiladas pela maior parte do público – , duas arrasa-quarteirão para fechar a primeira parte da apresentação: “Saturdays” e “Hearts on Fire”.

A psicodélica “Sun God”, de 15 minutos, foi limada do repertório, reduzindo o show a menos de uma hora e meia, mas o público não teve do que reclamar. “Need You Now” e “Out There on the Ice”, encerraram um show simples e empolgante. Com essa excelente prévia do Cut Copy é de se imaginar que os organizadores do M/E/C/A estejam preparando uma segunda edição bombástica do festival. Assim, é inevitável encerrar com um clichê: cruzem os dedos.

Leia aqui nossa cobertura da primeira edição do M/E/C/A Festival

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