O Nonada segue a sua cobertura do Oscar 2012 com o filme Os Descendentes. Acompanhe-nos para ficar por dentro dos filmes que têm (ou não) chance de levar alguma estatueta para casa.

George Clooney sensibiliza a plateia em sua atuação (Crédito: Divulgação)

Por Vinicius Fontana*

O Havaí é um arquipélago de ilhas que se afastam constantemente. A metáfora da deriva havaiana é utilizada no filme Os Descendentes associada à separação da família apresentada. Os Descendentes é um drama ambientado no ”paraíso americano”, onde uma tradicional família encabeçada por Matthew King (George Clooney), vive dilemas como a eminente morte da mulher, a difícil relação com as filhas e as pressões de familiares para a venda de um grande terreno que sanaria as dificuldades financeiras de todos.

O núcleo do filme é Matthew: todas as ações do longa conectam-se com ele. Esta característica da trama valoriza a figura de George Clooney, que tem vários méritos em sua atuação, uma das melhores da carreira. Contudo, parece que há uma tendência de valorização da crítica a sua performance, sendo que há outras boas interpretações, como a de Jean Dujardin no filme O Artista. O primeiro drama do protagonista é lidar com a mulher que está em seu leito de morte após sofrer um acidente de barco. Posteriormente, ele descobre que a esposa o traia, sendo que Matthew deve conciliar a mágoa com o cuidado dado à ela. Outro desafio é aproximar-se e compreender as filhas – distantes e desrespeitosas. E o último grande dilema é a venda de um terreno importantíssimo que pertence a sua família, tendo que resistir à pressão de seus parentes para que o negócio seja fechado logo.

Os tipos de Os Descendentes são bastante comuns, sendo que diversas pessoas vão identificar algum tópico da família de Matthew refletida em sua própria. A caracterização dada ao ambiente havaiano é muito interessante: as personagens inserem-se naturalmente no ambiente, sem parecerem artificiais ou idealizadas na sua relação com onde vivem. A trilha sonora é toda típica da ilha, sendo agradável e muito presente principalmente como elemento de transição entre cenas, porém sem grande valor narrativo.

Os dramas são bem desenhados, mas não chegam a surpreender. O filme tenta passar uma impressão de realismo, de personagens que agem como uma pessoa normal poderia agir. As atuações de Clooney e de Shailene Woodley, que interpreta a filha mais velha de Matthew são os grandes destaques do longa. No entanto, Os Descendentes não foge do padrão de dramas suaves, que buscam aproximar o cinema do real. Não é nada, além disso. A obra não é ruim, mas não merece grande destaque, acredito que a vitória no Globo de Ouro foi injusta. Mostrar que há dramas no paraíso, que há vidas normais em um local onde todos acham que só se vive em função das férias até é legal, mas convenhamos, não é argumento suficiente para atestar a genialidade de um trabalho.

Talvez  seja necessário  estar  sensível para ver esse filme, mas em um primeiro olhar  não vejo qualidades destacadas além das atuações. A boa sacada de Os Descendentes fica por conta da ideia de união (ou separação) da família metaforizada pela figura do arquipélago paradisíaco, que some e se separa aos poucos. As relações entre as personagens parecem correr naturalmente e não por momentos epifânicos, o que até é interessante, pois não há reconciliações miraculosas ou fatos extraordinários, e o roteiro supre bem demasiadas carências de explicações ao criar este ambiente de normalidade. A minha perspectiva é que Clooney pode levar o prêmio de melhor ator no Oscar, mas caso leve estatuetas maiores, como diretor e melhor filme acho um mérito demasiado para um filme que não tem tanto assim a oferecer.

* Jornalista

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