A tão esperada reunião de heróis é um presente para os fãs de quadrinhos. (Crédito: divulgação)

Os Vingadores (The Avengers, EUA, 2012)

Direção: Joss Whedon

Roteiro: Joss Whedon (argumento de Zak Penn e Joss Whedon)

Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Clark Gregg, Cobie Smulders, Stellan Skarsgård, Alexis Denisof, Gwyneth Paltrow, Harry Dean Stanton e as vozes de Lou Ferrigno e Paul Bettany.

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Desde que criou sua própria produtora, a Marvel se empenhou em criar um evento cinematográfico que reunisse alguns de seus maiores heróis. Para isso, o estúdio lançou, desde 2008, cinco filmes que visavam estabelecer as bases desse encontro. Isso custou algo a estas obras (principalmente a Thor e Capitão América), que precisavam se preocupar mais com a reunião vindoura do que com suas próprias histórias. A boa notícia é que a espera valeu a pena: Os Vingadores não é um filme complexo e brilhante como O Cavaleiro das Trevas (nem é essa sua intenção), mas é mais eficiente que todos os seus antecessores, apresentando um ritmo frenético e cheio de ação que jamais permite que o espectador relaxe totalmente. 

Conflito de egos entre os heróis é um dos melhores elementos de "Os Vingadores". (Crédito: divulgação)

Iniciando algum tempo após o desfecho de Thor (o mais fraco dos “pré-filmes”), Os Vingadores traz a S.H.I.E.L.D. desenvolvendo pesquisas com o Tessaract, o cubo cósmico encontrado na nave congelada do Capitão América (Evans). No entanto, os poderes do cubo saem do controle dos cientistas, abrindo um portal que traz o cruel irmão de Thor, Loki (Hiddleston) à Terra. Planejando conquistar o planeta para outros mundos (conceito apresentado em Thor), Loki domina a mente de vários agentes e cientistas para ajudá-lo a reabrir o portal a fim de trazer um exército. Diante de tal ameaça, o diretor da S.H.I.E.L.D. Nick Fury (Jackson) convoca o Capitão América, o Homem de Ferro (Downey Jr.), Thor (Hemsworth), Hulk (Ruffalo), a Viúva Negra (Johansson) e o Gavião Arqueiro (Renner) para salvar o mundo. E se essa frase soou extremamente clichê, não é por acaso: Os Vingadores procura mesmo ser uma aventura bastante clássica. 

E que funciona muito bem. Beneficiado pela experiência prévia do diretor-roteirista Joss Whedon com quadrinhos e séries de TV (Buffy, Angel, Firefly), Os Vingadores não cai no problema mais temido para um filme do seu porte: que o grande número de personagens e elementos criasse um desequilíbrio que afundaria o filme. Possui apenas um fiapo de trama, sim, mas o elemento central de Os Vingadores – e o que o torna tão divertido – é o conflito de personalidades: como fazer um soldado altamente disciplinado, um cientista com problemas de controle emocional, um deus e um egomaníaco trabalharem como uma equipe? Em alguns momentos, é até difícil acompanhar os rápidos diálogos/provocações/insultos trocados pelos personagens. Além disso, Whedon evita um tom excessivamente realista inspirado nos Batmans de Christopher Nolan, abraçando sem reservas o absurdo da história – que, vale ressaltar, é melhor compreendida caso o espectador tenha assistido a todos os “pré-filmes”, uma vez que as referências a Asgard, a conspiração H.Y.D.R.A. e a personagens menores das aventuras anteriores são frequentes. 

Tom Hiddleston encarna o vilão Loki pela segunda vez. (Crédito: divulgação)

No entanto, mesmo que o espírito de equipe predomine, não há como negar que Robert Downey Jr. é o destaque inquestionável, pois Tony Stark surge mais irreverente do que nunca, entregando com gosto os melhores diálogos de um roteiro cheio de tiradas hilárias (“O primeiro nome dele é ‘Agente'”). Tom Hiddleston, por sua vez, cria uma aura grandiosa de super-vilão mais do que adequada ao projeto, exibindo a dose certa de crueldade sem cair num histrionismo ridículo – funcionando, portanto, bem melhor do que em Thor (onde era uma das figuras mais aborrecidas em cena). Em contrapartida, Mark Ruffalo faz o que pode como Bruce Banner, mas é inegável que o filme se ressente da ausência de Edward Norton (além de ser prejudicado pelo maior furo do roteiro: por que Hulk passa a se comportar de determinada maneira no terceiro ato?). E enquanto Chris Hemsworth, Scarlett Johansson e Chris Evans continuam a funcionar como as figuras carismáticas e divertidas que conhecemos no passado e Jeremy Renner se mostra uma boa adição à equipe, Samuel L. Jackson vive o diretor da S.H.I.E.L.D. como um típico “mentor”, ainda que os propósitos do projeto fiquem claros quando analisamos uma ação sua para capturar o vilão: é semelhante a uma vista em O Cavaleiro das Trevas, mas sem tocar na questão ética levantada por Lucius Fox naquela produção. 

Riquíssimo no humor típico do universo Marvel (da admiração do agente Coulson pelo Capitão América à inadequação deste último aos tempos modernos, passando pelas habilidades da Viúva Negra), Os Vingadores ainda merece créditos por usar Hulk como herói de ação com sucesso, algo que ambas as versões de 2003 e 2008 fracassaram – e o gigante verde também protagoniza a melhor piada do filme, o que é surpreendente. Já as origens televisivas de Whedon ficam evidentes pela razão de aspecto utilizada (1.85:1, um enquadramento mais “fechado” que o 2.35:1 normalmente usado em superproduções) e pela falta de identidade visual do filme – um problema que perpassa todos os anteriores, com exceção de Capitão América. E se Whedon se distrai na sequência que se passa na Alemanha ao trazer um senhor falando inglês impecável, o diretor compensa boa parte das falhas pela energia do longo clímax, que, além de superar todas as várias (e ótimas) cenas de ação vistas até ali, ainda traz um plano sem cortes memorável que representa um dos melhores momentos dos filmes da Marvel.  

Ainda que falhe em conferir o peso necessário à toda a ação do ato final (jamais vemos um civil morto sequer em toda aquela catástrofe), Os Vingadores diverte o bastante para garantir uma recomendação. De forma alguma justifica tanto hype: como todos os filmes da Marvel Studios, nada tem de inovador. Mas é pouco provável que outro filme da safra dos blockbusters de verão deste ano funcione tão bem como o bom e velho entretenimento puro.

 

OBS 1: Os Vingadores sofreu conversão para o 3D – que, portanto, é descartável. Economize seu dinheiro, para, se possível, conferir o encontro dos heróis uma segunda vez.

OBS 2: Como é tradicional dos filmes da Marvel, há uma cena importante durante os créditos finais.

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