"Homens de Preto 3" surpreende por superar seu fracassado antecessor mesmo após um hiato de 10 anos. (Crédito: divulgação).

Homens de Preto 3 (Men in Black 3, EUA, 2012)

Direção: Barry Sonnenfeld

Roteiro: Etan Cohen, baseado em quadrinhos de Lowell Cunningham.

Com: Will Smith, Josh Brolin, Tommy Lee Jones, Jemaine Clement, Michael Stuhlbarg, Mike Colter, David Rasche, Emma Thompson, Alice Eve, Michael Chernus e Bill Hader.

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O público que assistiu a Homens de Preto na época de seu lançamento, em 1997, provavelmente tem boas lembranças do filme. Afinal, era um trabalho ágil, leve e irreverente, tendo feito sucesso suficiente para render uma série de animação para a TV (da qual assisti a poucos episódios). Já as memórias da continuação, lançada há dez anos, dificilmente comportariam os mesmos adjetivos, já que, mesmo mais curto que seu antecessor, era um filme arrastado, sem graça e seu roteiro nada mais era que uma cópia-carbono barata do original. Surpreendentemente, a franquia consegue alguns pontos a mais neste novo exemplar: mesmo que não possua o frescor do primeiro filme, Homens de Preto 3 é eficiente o bastante para minimizar suas fragilidades mais evidentes.

Vilão representa uma figura ameaçadora, diferente da segunda parte. (Crédito: divulgação).

Em sua ótima sequência inicial, somos apresentados ao novo vilão: Boris, o Animal (Clement), um perigoso alienígena preso por K (Jones) há 40 anos, escapa de seu cárcere na Lua determinado a se vingar. Enquanto isso, J (Smith) esforça-se para compreender por que seu mal-humorado colega jamais falou da própria vida em 14 anos de parceria. É quando Boris volta no tempo e mata K na juventude, permitindo, com isso, que sua espécie ataque a Terra no presente. Para evitar o pior, J faz o mesmo percurso e alia-se ao jovem K (Brolin) para impedir que o plano dos dois Boris (o do passado e o do presente) resulte em desastre para o planeta e cause a morte de seu parceiro.

Como fica óbvio, o roteiro de Etan Cohen (Trovão Tropical – não confundir com Ethan Coen) evita o principal equívoco do segundo filme, explorando melhor o universo da MIB, criando novos tipos de obstáculos para os personagens e até mesmo subvertendo algumas piadas famosas do original (quando parece pronto a repetir o conceito das celebridades alienígenas, o filme surpreende com o desfecho de uma gag envolvendo uma das figuras mais célebres dos anos 60). Outro acerto é o vilão: diferente da patética alienígena vivida por Lara Flynn Boyle no segundo filme, Jemaine Clement estabelece Boris desde o início como uma figura de peso, indubitavelmente ameaçadora e que leva o espectador a temer pela vida dos herois. Mesmo assim, um roteiro que envolve viagens no tempo tem grande tendência de possuir furos – e aqui não é diferente; existem vários, destacando-se dois: como J ingressou na MIB se K, que o teria recrutado, morreu em 1969? E certa ação de J no clímax não viola a regra estabelecida previamente sobre a viagem no tempo? No entanto, a rapidez da história contribui para que questões pertinentes como essas atrapalhem menos o desenrolar da história.

Esforços cômicos de Will Smith comprometem sua performance. (Crédito: divulgação.)

Menos eficiente, porém, é o protagonista: Will Smith, embora exibindo o carisma habitual, parece se esforçar ao máximo para ser engraçado, enfraquecendo momentos potencialmente hilários como aquele em que J é parado por policiais em 1969. Esse esforço torna-se ainda mais claro quando o comparamos com a agente vivida por Emma Thompson, que, numa pequena participação, desperta bem mais risadas com suas ações inesperadas. E se por motivos óbvios Tommy Lee Jones tem relativamente pouco tempo de tela, sua ausência mal é notada em função da impecável atuação de Josh Brolin, que recria à perfeição os maneirismos e a dicção de K, incluindo também o que se passa por alegria para o agente e que falta em sua versão envelhecida – e, novamente, um simples olhar de Brolin faz rir mais do que as caretas de Smith. E enquanto Michael Stuhlbarg (Um Homem Sério, A Invenção de Hugo Cabret) dá vida a um dos alienígenas mais interessantes já apresentados pela série, não há como negar que a piada mais inspirada do projeto vem da confusão de uma pequena figurante.

Contando mais uma vez com o design de produção de Bo Welch, Homens de Preto 3 se diverte com brincadeiras envolvendo o tempo: se nos dias atuais o QG da MIB surge branco e asséptico, sua versão sessentista é bem mais heterogênea em sua concepção visual. Além disso, o filme não perde a chance de fazer graça com apetrechos de tecnologia obsoleta, como o neuralizador de K que depende de uma bateria presa à cintura (e é impossível não reparar no enorme retrato do pug falastrão Frank no quarto de J). Já os efeitos visuais se mostram inconstantes: as criaturas e a maquiagem digital de Boris certamente convencem, mas o mesmo não pode ser dito do pavoroso greenscreen empregado para provocar a ilusão de queda. Finalmente, o diretor Barry Sonnenfeld faz um trabalho apenas correto, mostrando aqui e ali alguns momentos de inspiração que dão uma certa esperança de que venha a sair do ostracismo em que se encontra desde As Loucas Aventuras de James West (1999) e Homens de Preto 2. Além disso, Sonnenfeld é bem-sucedido em levar o público a se importar com seus personagens, evitando carregar num drama forçado que destruiria a revelação do principal segredo de K nos minutos finais.

Representando uma adição inesperadamente boa a uma franquia dada como encerrada, Homens de Preto 3 é uma bobagem divertida e simpática. Talvez dê fôlego para que a série ganhe um novo impulso, mas essa ideia já enfrenta uma dificuldade imediata: é difícil imaginar uma nova história que não conte com Josh Brolin.

OBS: A versão em 3D é convertida. Ignore-a.

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